De acordo com a Nota Técnica n° 10 (Mudanças no Transporte Coletivo de Grandes Cidades Aumentaram o Risco de Contágio dos Grupos Mais Vulneráveis), alterações operacionais realizadas pelos governos estaduais e municipais no transporte público, como redução na circulação de ônibus, trens e metrô, não teriam acompanhado adequadamente a demanda e aumentaram as lotações, particularmente nas periferias de grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, o que teria elevado o risco de contágio de doenças infecciosas, como a Covid-19, a síndrome respiratória causada pelo vírus SARS-CoV-2.

As políticas de isolamento restritivas adotadas em cidades como São Paulo reduziram a frequência aos locais de trabalho, consumo e lazer, o que levou à ajustes do transporte público – mais de 300 linhas foram suspensas na Grande São Paulo. Contudo, a pesquisa revelou que nas regiões mais afastadas a lotação dos ônibus se mantém muito próxima dos níveis observados antes da pandemia.

“Nesse cenário, em que a redução da oferta é proporcional à redução da demanda, a lotação estimada para grande parte das linhas periféricas seria maior do que seis passageiros por metro quadrado (limite máximo, segundo padrões nacionais e internacionais), o que corresponde a uma distância entre pessoas muito menor do que os dois metros recomendados”, alerta o estudo.

Segundo o levantamento, a suspensão de rotas e a redução da frequência, aliada às restrições ao tráfego de veículos, provocou a migração dos passageiros para outros modos de transporte que continuaram operando, como o metroferroviário.

“A frequência às estações de metrô e trem em São Paulo e Rio de Janeiro no início de maio, por exemplo, estava em 30% do usual nas regiões centrais, onde as condições sociais para o isolamento social são maiores. Nas regiões periféricas, a demanda seguiu os padrões anteriores à pandemia e, em alguns casos, chegou a ser até 80% maior”, contabiliza o estudo.

São Paulo

Após a demissão do Secretário Municipal de Transportes, Edson Caram, por não conseguir fazer cumprir a regra que obrigava os ônibus a trafegarem apenas com passageiros sentados, a Prefeitura mudou a diretriz e disse que coletivos lotados não é um fator importante na propagação do vírus da Covid-19.

Em nota, a Prefeitura afirma que "a posição em que o passageiro é transportado não é o fator mais importante na transmissibilidade do coronavírus, mas, sim, o distanciamento, aliado a hábitos de higiene como lavar as mãos com água e sabão, usar álcool em gel e o uso permanente de máscaras".

Na sexta-feira (19), a Prefeitura disse que as empresas concessionárias não estão mais limitadas a transportar no máximo a quantidade de assentos nos coletivos.

Diante da nova orientação, a Prefeitura diz que "as empresas devem evitar a superlotação dos ônibus, transportando passageiros com distância segura, independentemente de estarem sentados ou em pé".

Equipes da SPTrans "irão monitorar, diariamente, o comportamento de locomoção do usuários para verificar a possibilidade de reprogramação da oferta, de acordo com as orientações da OMS".

Curitiba

Em um vídeo divulgado nas redes sociais na semana passada, o Prefeito de Curitiba, Rafael Greca, mostra entendimento diferente da prefeitura paulistana sobre o risco de contágio na utilização de transportes coletivos.

Greca detalhou que vem pagando para que os ônibus municipais sejam operados com 50% da capacidade, pedindo ao Governo do Estado do Paraná que adote a mesma ação para o transporte na região metropolitana.

"Estou pagando pelos lugares vazios para que os ônibus funcionem com 50% da lotação. Estou indo ao Palácio do Governo pedir ao Governador que faça a mesma coisa que a Urbs, é o nosso entendimento", disse o Prefeito.

* Com informações da Agência Brasil, Bem Paraná, G1

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