Fomin falou ao canal Russia Today (RT) antes da 9th Moscow Conference on International Security, programada para ocorrer de 22 a 24 de junho na capital russa. O evento reúne militares e especialistas em segurança de diversos países, sendo que cerca de 49 nações já confirmaram sua participação.

"A Conferência de Moscou foi originalmente concebida como uma plataforma aberta para um diálogo franco, honesto e profissional. O fórum tradicionalmente fornece a palavra não apenas para parceiros que compartilham nossas abordagens para resolver os principais problemas mundiais, mas também para oponentes, países, cooperação com os quais hoje é mínima ou nula", explicou Fomin.

A programação do fórum inclui os temas mais urgentes da agenda internacional.

“Hoje, quando as possibilidades de diálogo sobre questões de segurança agudas e urgentes são reduzidas ao mínimo em todos os níveis, em todas as áreas críticas de interação, incluindo a pandemia, a importância da Conferência de Moscou é óbvia. O fórum é uma plataforma de diálogo, não aceita protocolos, memorandos e outros documentos conjuntos", disse Fomin.

Na avaliação do general russo, as ameaças mais sérias à segurança regional em um futuro próximo são impulsionadas por algumas tendências que estão sendo rastreadas, enfatizando que uma nova Guerra Fria está começando no mundo e já está em curso a definição doutrinária dos adversários.

"Hoje estamos testemunhando a formação de uma nova ordem mundial. Vemos uma tendência de atrair os países para uma nova Guerra Fria, de dividir os Estados entre os seus e os de outros, enquanto outros são inequivocamente definidos em documentos doutrinários como adversários".

Fomin observou que vários acordos internacionais deixaram de existir nos últimos anos – efetivamente, apenas um grande tratado entre Washington e Moscou, o New START  (New Strategic Arms Reduction Treaty), permanece.

"O sistema existente de relações internacionais, a estrutura de segurança e o papel das organizações internacionais como instrumentos de tomada de decisões de segurança coletiva estão sendo sistematicamente destruídos".

"Em vez do direito internacional, que definiu os fundamentos da estabilidade global e regional por várias décadas, uma certa ordem baseada em certas regras é imposta, desconhecida por quem foi proposta e apoiada, não escrita em lugar nenhum e atende apenas àqueles que, de fato, a inventaram".

Fomin destacou ainda que "o surgimento de novos sistemas de armas, bem como os esforços de algumas nações para levar a guerra a áreas que nunca viram antes, acelera ainda mais o surgimento de uma 'nova ordem mundial'”.

“Estão surgindo tipos fundamentalmente novos de armas que estão mudando radicalmente o equilíbrio de poder no mundo moderno, e a guerra armada está entrando em novas esferas – o espaço e o ciberespaço, que, é claro, estão mudando os princípios e métodos de guerra", concluiu o general.

Em 31 de maio, o Ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, declarou que, em resposta às ações da OTAN, liderada pelos EUA, a Rússia vai criar na parte ocidental do país cerca de 20 novas unidades militares.

Atualização 07/06

O presidente russo, Vladimir Putin, assinou lei retirando a Rússia do tratado Open Skies. O documento foi publicado no portal oficial de informações legais nesta segunda-feira (7).

Em 27 de maio, a Vice-Secretária de Estado dos EUA, Wendy Sherman, notificou a Rússia sobre a decisão de Washington de não voltar a aderir ao tratado.

Washington retirou-se do Open Skies em novembro de 2020. Durante anos, Washington acusou Moscou de violar várias das disposições do tratado. A Rússia, por sua vez, expressou queixas sobre a implementação do tratado por Washington.

O tratado foi assinado em março de 1992 em Helsinque por 27 nações membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Os principais objetivos são prestar assistência no monitoramento do cumprimento dos acordos de controle de armas e ampliar a prevenção e gestão de crises. O tratado estabelece um programa de vôos de vigilância sobre todo o território de seus participantes.

* Com informações do RT, TASS

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