Em entrevista coletiva na Amcham, ontem em São Paulo, Ross destacou que para o acordo comercial entre o Brasil e os  EUA avançar é necessário que os termos do tratado do Mercosul com a União Europeia não criem obstáculos. “É importante que nada no acordo entre Mercosul e União Europeia seja um impedimento para um acordo de  livre comércio do Brasil com os Estados Unidos. É importante evitar obstáculos que, inadvertidamente, possam aparecer na transação do  Mercosul com a União Europeia”, disse.

Em conversa com a imprensa, ontem (30), o Presidente Donald Trump disse que pretende avançar em um acordo de livre comércio com o Brasil.

Bolsonaro comentou a conversa de Trump com a imprensa americana:

“Ontem, fiquei muito feliz quando o presidente Donald Trump citou o meu nome como uma pessoa de confiança da parte dele, para investimentos no Brasil, para aprimorar laços comerciais”, disse.

Negociação de acordo já começou, diz Guedes

Guedes recebeu o Secretário de Comércio dos EUA na  tarde de hoje (31) e disse que ficou claro que as negociações estão  oficialmente abertas.

“Ficou amarrado que o que era só um pensamento agora é o seguinte: já  estamos começando oficialmente as negociações com os Estados Unidos.  Quando terminamos [a reunião], o Marcos [Troyjo, Secretário de Comércio  Exterior e Relações Internacionais do Ministério da Economia] perguntou  se oficialmente já estávamos em negociações. Ele [disse]: 'Certamente.  Nós queremos isso'”.

Guedes disse que outros países começaram a ver a disposição do Brasil  em abrir gradativamente seu mercado e manifestaram o desejo de iniciar  uma série de conversas. “Quando o Brasil anunciou que quer aumentar o  seu grau de integração, o Brasil entrou em campo. Então, vieram os  americanos conversando”.

O ministro disse que o acordo passará por acertos de parte a parte  para atender interesses de ambos os países. “Nós queremos mandar  autopeças e eles têm que mandar trigo. Então eles falam 'deixa meu trigo  entrar' e nós falamos 'deixa minha autopeça entrar'. Mas a escala é  muito maior”, explicou o ministro, de forma simplificada, sobre como os  entendimentos comerciais entre os dois países se darão.

O governo evita falar em prazos para concluir a negociação, mas fala  em fechar um acordo “ambicioso” com a maior economia do mundo. Segundo  Troyjo, o Brasil precisa aproveitar a atual “conjuntura favorável” para  avançar na negociação com os EUA. Essa conjuntura, segundo ele, é  composta, dentre outros fatores, pelo alinhamento político convergente  entre os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro; dos Estados Unidos,  Donald Trump; e da Argentina, Mauricio Macri.

A disposição de Macri é importante, assim como dos outros presidentes  do Mercosul, porque todos os acordos comerciais que envolverem  alterações em tarifas precisam passar pelo bloco. Isso ocorre porque o  Brasil já participa de uma união aduaneira, que é o Mercosul.

Acordos que não envolvam tarifas, como aqueles sobre propriedade  intelectual, telecomunicações e convergência regulatória, podem ser  conduzidos entre os dois países sem a participação do Mercosul. “Na  nossa conversa com o secretário Ross, combinamos de nos engajar em ambas  possibilidades”, afirmou Troyjo.