Buscando a equidade da campanha de vacinação em todo País, o Ministério da Saúde pactuou, com representantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), que a vacinação de pessoas com comorbidades entre 12 e 17 anos seria iniciada após toda a população maior de 18 anos ter recebido a primeira dose.

Entre os mais de 20 milhões de adolescentes brasileiros, 3,4% têm comorbidades, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, representando cerca de 600 mil jovens nesta faixa etária.

A pasta concluiu a distribuição de doses para os 158 milhões de adultos do País na quarta-feira (15).

No entanto, Estados e municípios vacinaram antes do prazo cerca de 3,5 milhões de adolescentes com ao menos uma dose de uma vacina de proteção contra a covid-19.

Segundo dados da plataforma LocalizaSUS, 3.511.750 de doses da vacina Comirnaty, da Pfizer/BioNTech, foram aplicadas em jovens entre 12 e 17 anos.

Foram utilizadas também 26.927 doses dos imunizantes da Sinovac/Butantan (15.633), Astrazeneca/Fiocruz (10.388) e Janssen/J&J (806), nenhum deles com autorização da Anvisa para administração nessa faixa etária.

Até o momento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Conselho Federal de Medicina não se manifestaram sobre o uso não autorizado das vacinas.

No total, 1.545 efeitos adversos pós vacinação foram notificados em adolescentes.

Vacinas aplicadas em adolescentes. Fonte: Ministério da Saúde
Vacinas aplicadas em adolescentes. Fonte: MS

Para os adolescentes sem comorbidades que já receberam a primeira dose da vacina o Ministério da Saúde não recomenda a conclusão do ciclo vacinal.

“O Ministério da Saúde pode rever a sua posição, desde que haja evidências científicas sólidas em relação à vacinação em adolescentes sem comorbidades. Por enquanto, por uma questão de cautela, nós temos eventos adversos a serem investigados. Nós temos essas crianças e adolescentes que tomaram essas vacinas que não estavam recomendadas para eles. Nós temos que acompanhar esses adolescentes”, ressaltou o Ministro da Saúde Marcelo Queiroga nesta quinta-feira (16), durante uma coletiva.

Na quarta-feira (15), o Ministério da Saúde foi notificado pelo governo paulista da morte de uma adolescente de 16 anos, moradora de São Bernardo do Campo (SP), após ter sido vacinada com o imunizante da Pfizer/BioNTech. O caso está sendo investigado pelas equipes de vigilância de São Paulo e pelo Ministério da Saúde.

No Reino Unido, no início de setembro o Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização decidiu não recomendar o uso da vacina da Pfizer na vacinação de adolescentes sem comorbidades. A decisão foi baseada nos efeitos adversos pós vacinação e na análise de um efeito colateral raro, uma inflamação no coração chamada miocardite. As autoridades de saúde britânicas estão investigando os casos.

* Com informações do Ministério da Saúde

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