O governo espanhol anunciou na terça-feira a imposição de um conjunto de restrições destinadas a reduzir o consumo de energia elétrica pelas empresas, citando "um risco real de escassez de gás natural durante o próximo inverno".

De acordo com o decreto, lojas, lojas de departamento, cinemas, hotéis e prédios públicos não podem ter ar refrigerado abaixo de 27º no verão, ou aquecimento acima de 19º no inverno; as luzes nas vitrines devem ser desligadas às 22h; as portas de acesso ao local devem fechar automaticamente; e os estabelecimentos devem exibir cartazes com as medidas obrigatórias de economia. As empresas têm sete dias para se adequarem às novas medidas, que irão vigorar até novembro de 2023.

Também foi ordenada a revisão obrigatória de caldeiras e equipamentos de climatização até dezembro de 2022, para que operem com a máxima eficácia, e foi recomendado o trabalho remoto de funcionários da administração pública e de grandes empresas, com o objetivo de economizar energia no deslocamento e no consumo térmico dos edifícios.

"Não podemos perder nem um quilowatt-hora", enfatizou a Ministra da Energia da Espanha, Teresa Ribera.

A Associação de Hotéis de Madri disse ao jornal que as regras "exageradas e improvisadas" podem prejudicar o turismo.

O governo espanhol diz que as restrições são um sinal de solidariedade com parceiros europeus que podem ser "seriamente afetados" por um possível corte no fornecimento de gás russo.

A Espanha tem pouca dependência do gás russo. Em maio de 2022, o LNG russo representou 12% das importações espanholas de gás, contra 6,6% no mesmo mês de 2021.

Embora esteja em uma posição melhor do que a maioria dos outros países europeus, Ribera disse que a Espanha busca economizar energia para liberar recursos para os vizinhos mais expostos da UE.

A Comissão Europeia introduziu um plano tentativo de racionamento de gás no mês passado, com redução voluntária dos países-membros de 15% do consumo de energia. A Espanha recebeu uma isenção, e pode reduzir seu consumo em 7%.

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