Em reunião plenária na sede da Liesa, na noite desta quinta-feira (24), os 12 representantes das agremiações do Grupo Especial do Carnaval do Rio decidiram por unanimidade que não haverá desfiles no período carnavalesco de 2021.

"Em função de toda essa insegurança, essa instabilidade em relação a área da ciência, de não saber se lá em fevereiro vamos ter ou não a vacina, chegamos à conclusão que esse processo tem que ser adiado. Não temos como fazer em fevereiro – as escolas já não vão ter tempo nem condições financeiras e de organização de viabilizar até fevereiro", disse o Presidente da Liesa, Jorge Castanheira. "Não decidimos por cancelamento, mas nesse momento, para fevereiro, o desfile das escolas de samba não tem como acontecer".

Com as restrições de circulação e regras de distanciamento social, os trabalhos nos barracões das escolas de samba do Rio de Janeiro ainda não tiveram início.

Para quem depende do Carnaval, a falta de previsão agrava o pessimismo. A maioria das pessoas que ajudam a levantar a festa está desassistida, passando dificuldades e contando com a ajuda de amigos para conseguir sobreviver.

“Vamos tentar encontrar nos próximos meses alguma solução que aconteça em outra data, com respeito à saúde das pessoas, pensando em não atrapalhar o cronograma de 2022 também", disse o Presidente da Liesa. "A nossa expectativa é que em algum momento as pessoas que estão dependendo do lazer e da parte econômica e cultural do espetáculo não fiquem sem essa resposta".

Bruno Teté, diretor da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lierj), disse que a principal preocupação das agremiações é com a sobrevivência dos seus trabalhadores e componentes.

"Não pensamos no desfile agora, mas nos que estão sem recursos para sobreviver. Essa é a nossa preocupação agora. Saúde em primeiro lugar, mas o combate à fome não pode sair do nosso pensamento", disse Bruno Teté.

Moacyr Barreto, vice-presidente de projetos especiais da Mangueira, ressaltou que as agremiações estão enfrentando dificuldades para manter suas contas em dia e honrar os pagamentos dos trabalhadores, lembrando que todas as soluções apontadas até agora, como o auxilio emergencial, são individuais.

Castanheira entende que é necessário ter uma vacina até fevereiro para que algum modelo alternativo de desfile aconteça ainda no ano que vem.

"Nós estamos aguardando os próximos meses para que a gente tenha uma definição sobre a vacina e quando terá essa imunização. Hoje, com as diferentes notícias que nós temos, não temos segurança para definirmos uma data. Então nós estamos permanente em reunião para trazer projetos alternativos também ao modelo tradicional do desfile. O modelo tradicional do desfile requer um tempo muito maior de preparação. Tudo isso está sendo visto para que não tenhamos que cancelar o espetáculo", explicou o dirigente, enfatizando que “se não tiver vacina até fevereiro não temos condição de fazer” o desfile em 2021.

Na falta de uma proposta concreta da Riotur, seja para ajudar as escolas de samba e os trabalhadores do Carnaval ou sobre uma definição dos desfiles, o Vereador Tarcísio Motta apresentou duas propostas: a abertura de um edital de premiação que possa contribuir para a sobrevivência das escolas e de seus artesãos e operários, e a realização de uma nova audiência em 5 de novembro, para discutir um plano emergencial para 2021.

Segundo Castanheira, o Rio não está sozinho. Outros estados como São Paulo e Bahia também buscam alternativas. Na capital paulista, a Prefeitura já definiu que os desfles não ocorrerão na data oficial.

* Com informações da Agência Brasil, G1

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