Nas últimas semanas, a situação se deteriorou.

Na quarta-feira (24), Ernesto Araújo foi cobrado pelo Presidente da Câmara, Arthur Lira, por uma atuação mais efetiva na busca pelas vacinas. A cobrança foi feita em meio a uma reunião no Palácio da Alvorada, da qual participaram também o Presidente Jair Bolsonaro, outros chefes de poderes e ministros.

No mesmo dia, em uma sessão do Senado, Ernesto ouviu de senadores pedidos para deixar o cargo.

No sábado, um grupo de ao menos 300 diplomatas do Itamaraty escreveu uma carta com críticas a Ernesto Araújo.

No domingo, o chanceler sugeriu que a pressão do Congresso para sua demissão não teria ligação com questões diplomáticas em torno da obtenção de vacinas, mas com o debate sobre o banimento ou não da empresa chinesa Huawei na implantação da tecnologia 5G no Brasil.

Em mensagem postada em rede social, Araújo afirmou que a Senadora Kátia Abreu, Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, cobrou o apoio dele à tecnologia chinesa do 5G e que "pouco ou nada se falou de vacinas".

"Em 4/3 recebi a Senadora Kátia Abreu para almoçar no MRE. Conversa cortês. Pouco ou nada falou de vacinas. No final, à mesa, disse: 'Ministro, se o senhor fizer um gesto em relação ao 5G, será o rei do Senado'. Não fiz gesto algum. Desconsiderei a sugestão inclusive porque o tema 5G depende do Ministério das Comunicações e do próprio Presidente da República, a quem compete a decisão última na matéria", publicou Ernesto Araújo.

Kátia Abreu disse em nota que “é uma violência resumir três horas de um encontro institucional a um tuíte que falta com a verdade. Em um encontro institucional, todo o conteúdo é público”.

A parlamentar disse ter defendido na conversa que os certames licitatórios "não podem comportar vetos ou restrições políticas", ao falar sobre 5G, e ressaltou, na nota, que já falou abertamente sobre esse tema na imprensa.

Kátia Abreu classificou o ministro como “a face de um marginal”, que viveria “à margem da boa diplomacia, à margem da verdade dos fatos, à margem do equilíbrio e à margem do respeito às instituições”.

Nesta segunda (29), circularam rumores que um grupo de senadores se preparava para apresentar um pedido de impeachment de Araújo.

No fim da manhã, Araújo foi ao Palácio do Planalto e se reuniu com o Presidente, com o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro e com Filipe Martins, assessor especial para assuntos internacionais da Presidência.

O chanceler afirmou que não queria ser um problema para o Presidente. Os dois devem voltar a se reunir ainda nesta segunda.

Atualização 29/03

As mudanças no governo começaram no fim da manhã desta segunda-feira (29).

Ernesto Araújo será substituído pelo Embaixador Carlos Alberto Franco França, que chefiava o setor de cerimonial da Presidência da República.

Na esteira das mudanças, após reunião com o Presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto às 14 horas, o Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, divulgou em nota oficial sua saída do ministério.

Segundo o Governo, o novo titular do Ministério da Defesa será o General Walter Souza Braga Netto, que chefiava a Casa Civil.

Com a mudança, o General Luiz Eduardo Ramos, que ocupava a Segov (Secretaria de Governo), foi indicado para o posto de Braga Netto.

No final do dia, o Advogado-Geral da União, José Levi, também anunciou sua saída do cargo. Ele será substituído por André Mendonça, que estava na Justiça e Segurança Pública, mas já ocupou a AGU.

Com a troca nas duas pastas, o Delegado da Polícia Federal, Anderson Torres é quem deverá assumir o cargo no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Atualização 08/04

O Diretor do Departamento de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores, João Lucas de Almeida, afirmou nesta quinta-feira (9) que o Brasil não tem sido penalizado com atrasos na liberação de insumos farmacêuticos para produção de imunizantes contra o coronavírus.

“Não temos indicação de que eventuais atrasos que já tenham ocorrido, ou eventualmente poderão ocorrer, são diferentes da situação que outros países enfrentam. Pelo contrário. A nossa indicação é de que a China tem priorizado o Brasil, e temos excelentes contatos em todos os níveis de governo para manter o fluxo de IFA [ingrediente farmacêutico ativo] assegurado”, disse.

Em audiência na Comissão Temporária da Covid-19 no Senado, o diplomata reconheceu que há um desafio no curtíssimo prazo para o acesso a vacinas contra o novo coronavírus, ainda que, no médio prazo, haja perspectiva de um “suprimento adequado”. “Os poucos países que têm capacidade produtiva de imunizantes têm se voltado para atender os mercados domésticos”, afirmou Almeida, referindo-se à Índia, à Rússia, aos Estados Unidos e à China.

* Com informações da Agência Brasil

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