Em reunião virtual ocorrida na quinta-feira (11), o Presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, surpreendeu os organizadores dos jogos de Tóquio ao anunciar um acordo com a China para produção de vacinas para atletas e equipes participantes da Olimpíada de Verão, programada para ocorrer de 23 de julho a 8 de agosto, e dos Jogos de Inverno de Pequim de 2022.

"Somos muito gratos por esta oferta, que é uma demonstração do verdadeiro espírito olímpico da solidariedade", disse o alemão Thomas Bach.

No acordo com a China, o COI disse que pagará pelas vacinas para os atletas olímpicos e paralímpicos, mas não forneceu indicação do custo ou da quantidade.

“O COI fará todos os esforços para ter o maior número de participantes das Olimpíadas e dos Jogos Paraolímpicos já vacinados no Japão neste verão”, disse Bach.

A princípio, a imunização não será exigida dos atletas, que seriam apenas incentivados a receber as doses.

Bach prometeu também liberar doses para o público em geral dos países que vão fazer parte do programa de vacinação do COI.

A China, onde o surto do novo coronavírus surgiu no final de 2019, está ativamente engajada na chamada diplomacia de vacinas, usando doses desenvolvidas pelas empresas chinesas Sinovac e Sinopharm. Os ensaios clínicos produziram níveis muito mais baixos de eficácia do que as vacinas produzidas fora da China.

Para o Presidente do COI, o negócio da china vai ajudar a realizar uma edição dos Jogos mais segura.

Em coletiva de imprensa, a Ministra Marukawa disse não ter havido mudança nos planos dos organizadores para um evento seguro, independentemente dos participantes terem sido vacinados.

Cerca de 80% dos japoneses em pesquisas recentes dizem que as Olimpíadas deveriam ser adiadas ou canceladas, e quase a mesma quantidade não quer a presença de fãs do exterior.

Marukawa destacou que as Olimpíadas estão sendo realizadas como se as vacinas não estivessem disponíveis, contando com testes, máscaras, distanciamento social e mantendo os atletas em uma “bolha”.

"Estamos tomando medidas abrangentes contra doenças infecciosas para os Jogos de Tóquio, a fim de permitir a participação sem vacinação", disse Marukawa. "Não há nenhuma mudança em nosso princípio de não fazer da vacinação um pré-requisito."

Indagada se atletas deveriam receber imunizantes chineses, a Ministra disse que esta é uma decisão dos países em que vacinas chinesas foram aprovadas.

"Não estou ciente se alguma empresa chinesa solicitou aprovação de vacinas chinesas em nosso país", disse Marukawa, indicando que os atletas japoneses não estarão aptos a recebê-las.

O Japão deve receber 100 milhões de doses da vacina da Pfizer entre maio e junho, disse o Ministro da Vacinação, Taro Kono. Os embarques das vacinas Pfizer e BioNTech – a única aprovada pelo governo – serão suficientes para inocular 50 milhões de pessoas. O Japão está agora inoculando 4,8 milhões de profissionais de saúde e planeja expandir a distribuição da vacina para idosos com 65 anos ou mais, cerca de 36 milhões de pessoas, em meados de abril.

Em outra frente, a AstraZeneca solicitou ao Ministério da Saúde do Japão uma "aprovação especial", o que simplifica a revisão de medicamentos já usados no exterior. A AstraZeneca tem um contrato com o governo japonês para fornecer 120 milhões de doses, para 60 milhões de pessoas. A farmacêutica japonesa Daiichi Sankyo planeja importar até o final de março o equivalente a 30 milhões de doses preparadas, que já começou a envasar, e fabricar 90 milhões de doses no Japão.

* Com informações do Nikkei Asia

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