O modelo é semelhante à aliança entre a desenvolvedora de vacinas de Mainz, BioNtech, e a farmacêutica americana Pfizer, com a Bayer aparentemente não buscando uma participação na empresa de biotecnologia.

A CureVac, sediada em Tübingen, no estado alemão de Baden-Württemberg, tem como maiores investidores Dietmar Hopp, Bill and Melinda Gates Foundation, GlaxoSmithKline e o governo alemão.

Bill Gates, cuja fundação fez parceria com a CureVac já em 2013 para desenvolver vacinas contra a malária e gripe – e atualmente é a 2ª maior acionista da empresa, está convencido de sua abordagem.

“As implicações das vacinas de mRNA são enormes”, disse Gates em um discurso na Reunião Anual do Grand Challenges em Berlim em 2018. “Elas poderiam ser produzidas de forma barata e rápida – talvez até rápido o suficiente para responder a uma nova pandemia global”.

A vacina CVnCoV da CureVac é baseada em mRNA, assim como os produtos aprovados pela União Europeia e Estados Unidos da Biontech-Pfizer e Moderna, mas tem algumas vantagens sobre suas concorrentes.

A CureVac diz que sua vacina mRNA pode permanecer estável por três meses em temperaturas normais de geladeira, tornando mais fácil o transporte e armazenamento. Além disso, a empresa está testando uma dose de 12 microgramas, menos da metade da vacina BioNTech-Pfizer, que requer 30 microgramas por dose. A dose menor pode facilitar a remessa de maiores quantidades do medicamento.

Em meados de dezembro, a Curevac iniciou seu ensaio clínico de fase 2b/3, com a meta de atrair 35.000 voluntários adultos da Europa e da América Latina.

Para o presidente-executivo da CureVac, Franz-Werner Haas, o acordo com a Bayer "nos ajudará a tornar nossa vacina candidata ainda mais disponível para o maior número possível de pessoas".

Até agora, a CureVac disse que teria capacidade de produzir até 300 milhões de doses em 2021, e mais 600 milhões de doses em 2022 – muito menos do que BioNTech-Pfizer, que espera produzir 1,3 bilhão de doses em 2022.

A empresa já assinou um acordo com a União Europeia (UE) para fornecer até 405 milhões de doses de seu produto de dois cursos, mas abandonou os planos de fornecer sua vacina aos Estados Unidos, citando a saturação do mercado

A CureVac permanecerá como detentora da autorização de mercado para sua vacina na UE, enquanto a Bayer terá a opção de se tornar detentora nos demais países.

“Estamos altamente comprometidos em disponibilizar nossas capacidades e redes para ajudar a acabar com esta pandemia”, disse Stefan Oelrich, chefe da divisão farmacêutica da Bayer.

Embora nenhum detalhe financeiro do negócio tenha sido divulgado, a CureVac disse que a Bayer ajudará com sua experiência em “operações clínicas, assuntos regulatórios, farmacovigilância, informações médicas, desempenho da cadeia de suprimentos, bem como suporte em países selecionados”.

A entrada da Bayer apoiando a CureVac ocorre em momento que o governo alemão está sendo severamente criticado por ter concordado ceder à Bruxelas a compra de vacinas, o que se mostrou desastroso à União Europeia.

* Com informações do Bild, Forbes, The Local, Financial Times

Veja também: