As provas do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) analisaram o conhecimento dos alunos em Língua Portuguesa, Matemática, Ciências da Natureza e Redação.

Nesta quarta-feira (2) foram divulgados médias (e não medianas) das provas de Matemática e de Língua Portuguesa. No dia 30 de março, está prevista a divulgação dos resultados das provas de Redação e Ciências.

O recuo ocorreu com os alunos de todos os ciclos analisados pelo Saresp.

Em 2021, os estudantes do último ano do Ensino Médio da rede estadual de São Paulo tiveram o pior desempenho em Matemática dos últimos 11 anos, passando de uma média de 276,6 pontos para 264,6 (-4,4%).

Na avaliação de Língua Portuguesa, a variação negativa foi de -4,1% em relação a 2019, passando de 274,5 pontos para 263,1.

De acordo com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, os resultados mostram que o aluno da última série do ensino médio está com uma defasagem de quase seis anos no aprendizado de Matemática. Em relação à Língua Portuguesa, seu conhecimento corresponde ao que deveria aprender um estudante do 8º ano do ensino fundamental.

No caso dos estudantes do 5º ano, o retrocesso de aprendizagem foi ainda mais grave. Na prova de Língua Portuguesa, a queda foi de -8,5%, passando da média de 216,8 pontos para 198,2. Já em Matemática, a queda no desempenho foi de -9,1%, passando de 231,3 pontos em 2019 para 210,2 pontos em 2021.

Segundo a Secretaria, os dados do Saresp mostram que um aluno da rede estadual que está no 5º ano tem o mesmo conhecimento de Língua Portuguesa de um estudante do 3º ano do ensino fundamental.

No caso da Matemática, a situação é ainda pior: o aluno que está no 5º ano tem conhecimento de um aluno do 2º ano do Ensino Fundamental.

Mais da metade desses alunos (62%) não conseguiu resolver uma conta simples de subtração.

Entre os estudantes do 9º ano, a perda foi de -3,3% em Língua Portuguesa (média de 241,3 pontos) e de -5% para Matemática (246,7 pontos).

“A presencialidade faz uma diferença absurda”, disse o Secretário Estadual da Educação de São Paulo, Rossieli Soares, como se não fizesse parte do governo que decretou o fechamento das escolas. "A gente acredita que o principal fator foi a falta das aulas presenciais. Lembrando que só voltamos com as aulas presenciais com todos os alunos, de forma obrigatória, em novembro”.

O Secretário não explicou a defasagem de 6 anos em Matemática em 2 anos de escolas fechadas.

As aulas no Estado de São Paulo foram suspensas em março de 2020, com adoção do ensino remoto. Em abril de 2021, as escolas foram reabertas, mas o Governo João Doria estabeleceu limite de até 35% de presença de alunos. Somente em outubro o governo estadual determinou a volta obrigatória às aulas presenciais.

Segundo Rossieli Soares, para melhorar o desempenho dos alunos da rede escolar pública do Estado de São Paulo diversas estratégias estão sendo pensadas, incluindo o redesenho de materiais didáticos e aulas de reforço e de recuperação.

Em entrevista, Rossieli Soares, disse que é difícil prever em quanto tempo vai ser possível recuperar o estrago da política "fique em casa" do governador paulista.

"Eu diria que, pelo menos, nos próximos três ou quatro anos, os estados e os municípios terão que fazer um esforço muito grande para a gente chegar perto do patamar de 2019", disse o Secretário.

* Com informações da Agência Brasil

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