A empresa americana enviou mensagem aos participantes de um programa que remunera publicação de conteúdo na Internet avisando de nova política envolvendo o conflito na Ucrânia.

"Devido à guerra na Ucrânia, vamos pausar a monetização de conteúdo que explora, descarta ou aprova a guerra [...] Essa pausa inclui, mas não se limita, a alegações que implicam que as vítimas são responsáveis por sua própria tragédia ou casos semelhantes de culpabilidade da vítima, como alegações de que a Ucrânia está cometendo genocídio ou atacando deliberadamente seus próprios cidadãos".

O Protocolo de Minsk, intermediado pela Alemanha e pela França, foi projetado para dar às regiões separatistas status especial dentro do Estado ucraniano, buscando o fim da guerra civil na Ucrânia, decorrente de um golpe de estado planejado pelos Estados Unidos.

Não há o que se discutir que o governo está "atacando deliberadamente seus próprios cidadãos".

Considerando que o fracasso de Kiev em implementar os termos dos acordos de Minsk levaram à intervenção militar da Rússia, para proteger os cidadãos das repúblicas separatistas da Ucrânia do ataque iminente de forças e milícias de Zelensky, a empresa americana espera censurar aqueles que não aderirem às narrativas de um governo atestado pela própria imprensa ocidental como autoritário, corrupto, mentiroso e suportado militarmente por tropas neonazistas.

Cobertura da Ucrânia pela imprensa ocidental antes do conflito
Cobertura da Ucrânia pela imprensa ocidental antes do conflito

Em 23 de março, a agência reguladora russa Roskomnadzor restringiu o acesso ao Google News a pedido do Ministério Público da Rússia. O site "forneceu acesso a inúmeras publicações e materiais contendo informações falsas" sobre o curso da "operação militar especial da Rússia em território ucraniano", disse um comunicado.

O esforço americano de espalhar informações falsas e enganosas com o propósito de moldar uma narrativa pública projetada para ser absorvida e acreditada por civis no país e no exterior é um desvio maciço dos preceitos normais da guerra de informações. Na verdade, é o exemplo perfeito da distorção deliberada da análise ou julgamentos para alcançar um objetivo, independentemente da evidência.

Além de nada fazer contra os ataques de neonazistas contra cidadãos em todo o país, empenhados em limpeza étnica contra pessoas de etnia russa e húngara, o presidente da Ucrânia, agora narrada como uma democracia exemplar, não apenas estatizou todas as redes de televisão, passando a transmitir o conteúdo que lhe interessa, como prendeu políticos opositores e baniu os partidos de oposição com assentos no parlamento ucraniano. Agora flerta com a ideia de trocar presos políticos de oposição ao seu governo por soldados capturados pela Rússia.

Em março, foram suspensos 11 partidos, incluindo o maior partido de oposição da Ucrânia, Opposition Platform, que detinha a segunda maior bancada do Verkhovna Rada, com 39 parlamentares; o Partido de Shariy, fundado por Anatoly Shariy, conhecido por duras críticas ao governo Zelensky; e o Partido Nashi, do presidenciável Evgeniy Murayev.

O Opposition Platform disse que a suspensão foi "ilegal" e prometeu desafiá-la. "Em vez de diálogos políticos e tentativas de buscar compromisso e formas de unir o país, as autoridades estão confiando em ataques, intimidações, repressão e represálias contra seus oponentes", disse o partido, instando seus parlamentares e ativistas a continuar trabalhando.

Nesta quarta-feira (13), Vladimir Zelensky anunciou em vídeo que o líder do Opposition Platform, Viktor Medvedchuk, um dos homens mais ricos da Ucrânia, foi preso e disse que estava disposto a trocá-lo por soldados prisioneiros de guerra.

"Proponho à Federação Russa que troque 'seu cara' por nossos meninos e nossas meninas que agora estão em cativeiro russo. Portanto, é importante que nossas forças policiais e militares também considerem essa possibilidade", disse Zelensky no vídeo.

A oferta de troca de prisioneiros ocorre depois de ter sido amplamente divulgado que as autoridades de Kiev estão prendendo a oposição política com a simples base de serem pró-Rússia ou vistas como simpatizantes de Moscou.

O governo ucraniano acusou o líder da oposição de traição, sobre as relações com a Crimeia, e ele foi colocado em prisão domiciliar em maio do ano passado. Ela veio durante uma repressão mais ampla contra as forças de oposição na Ucrânia, já que a popularidade de Zelensky estava diminuindo rapidamente.

O presidente ucraniano alegou que o político estava desaparecido há 48 dias. "Finalmente, ele decidiu tentar fugir do nosso país", acrescentou.

Em noticiário da televisão ucraniana nesta quarta-feira, um conselheiro do ministro do Interior da Ucrânia disse que Medvedchuk deve ser fisicamente punido antes de uma tentativa de trocá-lo por soldados capturados pela Rússia.

"No mínimo, ele tem que fazer algumas confissões porque sabe muito sobre quem na Rússia deu quanto e para quem criar uma quinta coluna" na Ucrânia, disse Vadim Denisenko sobre o líder político preso.

"No máximo... ele precisa ser julgado rapidamente, sentenciado a pena de prisão, espancado para fornecer certos testemunhos e depois trocado", acrescentou.

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, zombou da sequência sugerida de eventos no plano de acusação de Medvedchuk. "É um esquema britânico: realizar um julgamento rápido, dar uma pena de prisão e, em seguida, extrair testemunhos. Funciona sempre", disse.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a repórteres que Medvedchuk não é cidadão russo e negou qualquer conexão secreta entre o político e Moscou.

"No que diz respeito à troca, que vários indivíduos em Kiev estão falando com tanta paixão e alegria, Medvedchuk não é um cidadão da Rússia e ele não tem nada a ver com a operação militar especial. Ele é um político estrangeiro", disse Peskov.

Nas últimas semanas, as forças ucranianas também foram acusadas de tortura e execuções em campos de soldados russos capturados, acontecimentos omitidos pela imprensa ocidental, ainda que confirmados, com as simpatias públicas em toda a Europa e os EUA dirigidas aos ucranianos.

Eles são quem são

Em fala ao parlamento grego em vídeo, na quinta-feira (7), o presidente ucraniano apresentou uma gravação de um soldado de uma das organizações neonazistas que dão sustentação militar ao seu governo.

O parlamentar Giorgos Varemenos expressou sua indignação na TVXS:

"A presença de um representante de um batalhão pró-nazista no parlamento grego foi um insulto. O presidente ucraniano, quando perguntado por um jornalista americano sobre os nazistas do batalhão Azov, declarou recentemente que 'eles são quem são, mas lutam'. Mas precisamente porque eles são quem são, eles não têm lugar no parlamento grego".

Zelensky exibe vídeo de organização neonazista ucraniana no parlamento grego
Zelensky exibe vídeo de organização neonazista ucraniana no parlamento grego

Facebook e o ódio do bem

O Batalhão de Azov começou como uma milícia anti-Rússia voluntária antes de se juntar formalmente à Guarda Nacional ucraniana em 2014. O regimento é conhecido por seu ultranacionalismo e ideologia neonazista difundida entre seus membros, e opera como ala armada do movimento nacionalista branco ucraniano Azov. É acusado de envolvimento em casos de torturas, violência sexual, saques, limpeza étnica e perseguição de minorias como homossexuais, judeus, russos e magiares (húngaros).

O Batalhão tem uma força de vigilância conhecida como Milícia Nacional (Natsionalni Druzhyny), que patrulha as ruas das cidades ucranianas ao lado da polícia. Também possui uma ala militar com bases de treinamento e vasto arsenal de armas, drones, blindados e peças de artilharia. Recebe armamento e treinamento diretamente da OTAN.

Instrutor britânico da OTAN ensina militares de regimento neonazista ucranianio a utilizar armamento anti-tanque NLAW (Next Generation Light Anti-tank Weapon) recebido do Reino Unido
Instrutor britânico da OTAN ensina militares de regimento neonazista ucranianio a utilizar armamento anti-tanque NLAW (Next Generation Light Anti-tank Weapon) recebido do Reino Unido

Embora tenha nos últimos anos minimizado suas simpatias neonazistas, as afinidades do grupo não são sutis: soldados Azov marcham e treinam usando uniformes com ícones do Terceiro Reich; sua liderança já cortejou elementos americanos neonazistas; e em 2010, o primeiro comandante do batalhão e ex-parlamentar ucraniano, Andriy Biletsky, afirmou que o propósito nacional da Ucrânia era "liderar as raças brancas do mundo em uma cruzada final ... contra Semita-led Untermenschen [sub-humanos]".

A proibição formal de Azov no Facebook começou em 2019, e o regimento, juntamente com vários indivíduos associados, foram designados sob a proibição da empresa contra grupos de ódio, sujeitos às suas mais duras restrições de "Nível 1" que impedem os usuários de se envolverem em "elogios, apoio ou representação" de entidades na lista negra em todas as plataformas da empresa.

O Facebook categorizou o Batalhão Azov ao lado de organizações como o Estado Islâmico e a Ku Klux Klan, por sua propensão a "graves danos offline" e "violência contra civis".

Relatórios publicados pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH ) conectam o Batalhão Azov a crimes de guerra, como saques em massa, detenção ilegal, violação sexual e tortura.

Em fevereiro deste ano, o Facebook reverteu sua posição e passou a permitir o enaltecimento do Batalhão Azov, apurou o The Intercept.

Em março, o Facebook e o Instagram fizeram mudanças em sua política de discurso de ódio para permitir pedidos de violência contra russos e soldados russos, e de assassinatos do líder da Rússia e de seus aliados, reportou a Reuters.

A agência destacou que apelos pela morte do Presidente russo Vladimir Putin ou do Presidente bielorrusso Alexander Lukashenko poderiam ser aceitos na plataforma na Armênia, Azerbaijão, Estônia, Geórgia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, Romênia, Rússia, Eslováquia e Ucrânia.

Como resultado, um tribunal de Moscou baniu o Facebook e o Instagram na Rússia como organizações extremistas.

Atualização 16/04/2022

"Um dos jornalistas mais proeminentes da Polônia, Konstanty Gebert, disse que está deixando o que muitos consideram como o jornal de registro do país depois que exigiu que Gebert descrevesse o controverso Batalhão Azov da Ucrânia como 'extrema-direita' em vez de 'neonazista'", escreveu neste sábado (16) Glenn Greenwald.

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