As inscrições para o ensaio Eli Lilly, patrocinadas pelo National Institutes of Health e pelo Department of Veterans Affairs, entre outras organizações, continuam abertas.

Mas na terça-feira (13), funcionários do governo enviaram e-mails aos pesquisadores dos locais de teste com a orientação de não adicionar novos voluntários ao estudo como medida de "cautela".

Em uma declaração ao New York Times (NYT), a porta-voz da Eli Lily, Molly McCully, disse que a empresa apóia a decisão do conselho de monitoramento de segurança, de suspender os ensaios como medida de precaução, para garantir a segurança dos pacientes participantes do estudo.

O estudo da Eli Lilly foi elaborado para testar os benefícios da terapia de anticorpos em centenas de pessoas hospitalizadas com Covid-19 em comparação com um placebo.

Todos os participantes também receberam doses do medicamento experimental remdesivir.

Não está claro quantos voluntários foram afetados por eventos adversos.

“É por isso que os ensaios clínicos são essenciais”, disse ao NYT Marion Pepper, imunologista da Universidade de Washington. “A segurança do produto deve ser comprovada empiricamente”.

Sem detalhes sobre a natureza das doenças que podem ter causado a interrupção do estudo, a gravidade do evento permanece obscura, acrescentou o Dr. Pepper.

Se os anticorpos monoclonais acabarem sendo associados a um efeito colateral inesperado – que ainda não foi demonstrado de forma conclusiva – será crucial descobrir como e por que essas moléculas imunológicas estão adoecendo as pessoas, disse Akiko Iwasaki, imunologista de Yale.

Anticorpos monoclonais

A Eli Lilly é uma das várias empresas que buscam tratamentos experimentais para Covid-19 que usam anticorpos monoclonais. O tratamento da Eli Lilly é semelhante ao da empresa farmacêutica Regeneron, que desenvolveu uma terapia de anticorpos administrada ao Presidente Trump depois que ele testou positivo para coronavírus neste mês.

Na semana seguinte ao tratamento do Presidente, as duas empresas solicitaram autorização de emergência para seus produtos junto à Food and Drug Administration (FDA).  

A Eli Lilly solicitou a autorização de seu medicamento para casos leves ou moderados de Covid-19, não para uso em pacientes hospitalizados como aqueles inscritos no estudo interrompido.

Dados preliminares da Eli Lilly e Regeneron sugeriram que os tratamentos podem ser capazes de conter a carga viral em pessoas infectadas e reduzir seus sintomas.

* Com informações do The New York Times

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