O hospital tinha inicialmente destinado 78 leitos aos pacientes de UTI, cuja ocupação atingiu o máximo de 76% entre 1º e 12 abril.

Por sua vez, exames complementares e procedimentos de alta complexidade deixaram de ser feitos para ter a capacidade do hospital voltada para a pandemia.

À medida que a necessidade foi diminuindo, a capacidade estendida de leitos de UTI foi sendo redirecionada para a rede pública — explicou o cirurgião Sidney Klajner, presidente do Einstein, em entrevista à Folha em 23 de abril.

Os recursos de terapia intensiva foram remanejados, principalmente, para o Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch (M'Boi Mirim), gerido por meio de parceria entre o Einstein, a Prefeitura de São Paulo e a Organização Social de Saúde CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim).

No final de junho, o hospital começou a realocar alas e recursos, que anteriormente tinham sido dedicados aos pacientes com Covid-19, para o tratamento de outras doenças.

“Frente à redução da demanda de pacientes internados por suspeita ou confirmação de Covid-19 e como parte do movimento de retomada, desde o dia 24 de junho, a unidade de internação do 11º andar do bloco A, anteriormente destinada a esses casos, passou a alocar pacientes clínicos ou cirúrgicos sem o quadro da doença”, diz o boletim ao qual a Folha teve acesso.

O número de pacientes internados com o vírus SARS-CoV-2 caiu de 110, em meados de abril, para cerca de 60 hoje.

De acordo com Claudia Laselva, diretora de operações do Einstein, o medo do coronavírus afastou muitos pacientes do atendimento médico, com a taxa de ocupação situando-se abaixo de 50% da capacidade do hospital em alguns momentos.

"Basicamente, temos dois hospitais dentro de um só, um hospital Covid, com fluxo separado, com unidades separadas, e outro hospital 'não Covid'. Esses fluxos não se cruzam, têm elevadores exclusivos, corredores exclusivos, salas cirurgicas exclusivas, unidades exclusivas", explicou Laselva à Folha.

Segundo a diretora de operações, é possível transformar uma unidade inteira de tratamento ao coronavírus em atendimento regular, e vice-versa, em um dia.

"A gente tem uma capacidade muito boa de adaptação das nossas unidades. Eu consigo brevemente transformar as unidades e continuo tendo todos os recursos que tinha antes: equipamentos de pressão negativa, respiradores em número suficiente, profissionais treinados para lidar com Covid. Então estamos preparados, se por um acaso voltar a aumentar a demanda", afirmou à Folha.

Com a redução de internações da Covid-19, as outras necessidades voltaram a surgir. Cerca de 80% dos 650 leitos do complexo hospitalar estão ocupados.

Segundo um levantamento do HCor, o medo do coronavírus aumentou o número de pacientes que chegam em estado crítico nas emergências dos hospitais e a diminuição por atendimento médico, mesmo aqueles com comorbidades e necessidade de acompanhamento, situação que vem sendo observada em vários países europeus e nos Estados Unidos.

* Com informações da Folha de S.Paulo

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