"O vírus está aqui. Não há vacina, nem tratamento. Não há imunidade", resumiu Merkel em entrevista coletiva nesta quarta-feira (11).

"Diante da impossibilidade de combater a epidemia com os medicamentos atuais, a única maneira de lidar com a crise é ganhar tempo, evitar que todas as infecções ocorram simultaneamente", disse o Presidente do Instituto Robert Koch (RKI), Lothar H. Wieler, na coletiva. O RKI é a agência do governo federal alemão responsável pelo controle e prevenção de doenças.

Wieler observou que a epidemia de coronavírus chegou na Alemanha para ficar e que os sinais de otimismo vindos da China não têm consistência científica. "É infantil acreditar que a China venceu a batalha contra o coronavírus ao fechar uma cidade, porque isso não matou o vírus. O vírus ressurgirá e nós veremos".

Para o diretor do instituto responsável por enfrentar a epidemia, a única maneira de combater a nova doença é obter uma vacina, para a qual levará pelo menos um ano. "Até que isso aconteça, o desafio é espalhar as infecções no tempo", disse Wieler.

O epidemiologista destacou que o fato da Alemanha ter registrado menos casos do que outros países vizinhos se deve à velocidade com que o sistema de saúde reagiu à chegada do vírus. "Outros países reagiram mais tarde, daí a curva traçada na Itália, por exemplo, ser diferente da nossa. Mas essa curva de infectados e mortos virá", afirmou Wieler.

"O coronavírus está se espalhando e não há nada que possa impedi-lo. A única coisa que podemos fazer é desacelerar a epidemia", insistiu o Ministro da Saúde, Jens Spahn.

A sobrecarga do sistema de saúde forçaria a escolha entre pacientes.

O prognóstico dos especialistas entre 60% e 70% da população infectada é equivalente a 60 milhões de pessoas. Assumindo 80% de casos leves ou assintomáticos, ainda assim estimados 12 milhões de pacientes poderão necessitar de internação hospitalar para tratar de infecção pulmonar grave.

O chefe de Virologia do hospital berlinense La Charité, Christian Drosten, acredita que "se não protegermos grupos de risco e permitirmos uma sobrecarga dos serviços de saúde, se não levarmos a sério essa crise, devemos antecipar que a taxa de mortalidade no grupo de risco estará entre 20% e 25%".

Angela Merkel afirmou que é vital seguir a recomendação das autoridades de saúde e agir sensatamente a favor dos cidadãos mais vulneráveis. "Isso significa evitar multidões, reduzir a agenda social e proteger-se para proteger os outros".

* Com dados e informações do El Mundo, BBC

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