Fundada em 1828, a revista semanal, que já foi dirigida pelo Primeiro-Ministro Boris Johnson, aponta que "por anos, a política energética britânica tem sido um exercício de pensamento ilusório", tomando os desejos por realidade.

A crise Rússia-Ucrânia inaugurou uma nova era de realismo energético. A redução das emissões é importante, mas a segurança do fornecimento é vital.

"A União Europeia disse que reduzirá as importações russas em dois terços até o final do ano: uma grande ambição, dado que a Rússia fornece cerca de metade das importações de gás da Alemanha e quase 100% da Finlândia e dos Estados bálticos", destaca a revista.

Os verdes alemães estão abrandando sua oposição à energia nuclear, e há sinais de que o governo britânico está deixando de lado a agenda zero líquida. A maioria das avaliações independentes mostram que o zero líquido custaria entre £36.000 e £50.000 por família.

"Atualmente, custa cerca de £ 1.300 para aquecer uma casa média. Segundo algumas estimativas, a despesa subirá para £ 3.000 ainda este ano, além de preços inflacionados de alimentos e compras básicas como resultado das sanções", lembra a Spectator. "Mesmo que o conflito chegue a uma resolução rápida, as relações com a Rússia estão agora tão ruins que as sanções provavelmente permanecerão em vigor por algum tempo".

A Grã-Bretanha teve uma grande oportunidade como resultado de suas enormes reservas de xisto no norte da Inglaterra. Mas a oposição local levou Johnson a impor uma moratória ao fracking antes da eleição de 2019, diz a revista.

A Grã-Bretanha ficou quase sem alternativas. "Os campos de gás do Mar do Norte são degradados, sem qualquer investimento em instalações de armazenamento, deixando o Reino Unido completamente à mercê de um mercado global volátil de gás natural liquefeito (LNG)", avalia a Spectator.

"As fontes renováveis geram cerca de um terço da energia doméstica. Eliminamos o carvão. Mas nós continuamos extremamente dependentes do gás. Podemos esperar cortes de energia quando as turbinas eólicas falharem em tempo calmo", continua a publicação.

"Com tal cenário, o zero líquido não pode durar. Em vez disso, o Reino Unido precisa de uma política energética de adultos", defende a revista.

"O primeiro passo seria aumentar drasticamente a produção do nosso próprio petróleo e gás. Os campos no Mar do Norte precisam ser trazidos de volta, e precisamos urgentemente reiniciar o fracking e explorar as vastas reservas de petróleo e gás no norte da Inglaterra", recomenda a Spectator. "Empregos e receitas fiscais seguiriam, e assim, além de fornecer segurança energética, esta também pode ser uma oportunidade para subir de nível".

"O Reino Unido deve manter seu status de líder mundial na redução das emissões de carbono, mas não deve tentar ir mais longe e mais rápido do que nossos principais rivais industriais. Isso teria um custo político e econômico muito grande, sem nenhum benefício significativo para o planeta. Precisamos de uma política energética que combine segurança de oferta, estabilidade econômica e realismo geopolítico", pondera a revista. "Carros elétricos e bombas de calor podem esperar até que sejam acessíveis para a família média".

"Se Robert Habeck, o líder dos Verdes alemães, pode encontrar dentro de si mesmo planos para uma reserva estratégica de carvão para afastar seu país do gás russo, então certamente Johnson – um político com bagagem ideológica mais leve – pode afastar-se de seu compromisso com emissões líquidas zero. Ele não precisa repudiá-lo; ele pode simplesmente abandoná-lo. Há novas prioridades agora, e não podemos perder tempo em abordá-las", conclui o artigo.

Atualização 04/04/2022

Os Estados Unidos aumentaram suas compras de petróleo russo em 43% entre 19 e 25 de março, de acordo com dados da Administração de Informações sobre Energia (EIA). Apesar da proibição da Casa Branca de importações de energia da Rússia, os EUA continuam a comprar até 100.000 barris de petróleo russo por dia.

Atualização 10/04/2022

A matriz energética brasileira avançou 347 megawatts (MW) em março de 2022.

  • 126,3 MW por usinas termelétricas (36%)
  • 100,4 MW por usinas solares fotovoltaicas (29%)
  • 73,4 MW por usinas eólicas (21%)
  • 47,1 MW por pequenas centrais hidrelétricas (14%)

No primeiro trimestre de 2022, o aumento na capacidade instalada foi de 1.367 MW, com novos empreendimentos em 11 estados de quatro regiões brasileiras. Destacam-se a Bahia (421,5 MW), o Rio Grande do Norte (306,6 MW) e o Paraná (189,4 MW).

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