A revisão de abril da estimativa para o crescimento do PIB brasileiro em 2022 aponta um avanço menor (+0,6%) frente à projeção anterior (+0,8%), divulgada em dezembro pelos economistas do maior banco alemão. Para 2023, a projeção do crescimento do PIB brasileiro passou de +2,1% em dezembro para +1,4%.

Segundo estimativas da Bloomberg, divulgadas na segunda-feira (4), a economia do Brasil deve crescer +0,5% em 2022 e +1,7% em 2023.

O Deutsche Bank prevê ainda que o desempenho da economia mundial alcançará resultados muito abaixos dos estimados em dezembro, com o crescimento real caindo de +4,4% para +3,1% em 2022, e de +3,7% para +2,9% em 2023.

Os "choques" por trás da dramática reavaliação do Deutsche Bank: o conflito Rússia-Ucrânia e o ganho de impulso na inflação elevada dos EUA e da Europa.

  • A guerra, que se transformou em um impasse que é improvável de ser resolvido tão cedo, interrompeu as atividades em várias frentes. Isso inclui turbulências nos mercados de energia, grãos e materiais-chave, que, por sua vez, interromperam ainda mais as cadeias globais de suprimentos. Contudo, os economistas assumem que o fluxo crítico de gás da Rússia para a Europa não será cortado, impedindo que a crise aprofunde substancialmente os custos para as economias europeia e global, mas a premissa continua a ser um risco negativo.
  • A inflação nos EUA e na Europa está agora na casa dos 8%, bem acima do esperado em dezembro. Mais preocupante, especialmente nos EUA, são sinais de que os fatores subjacentes da inflação se ampliaram, espalhando-se de bens para serviços. A psicologia da inflação mudou significativamente, e embora as expectativas de longo prazo ainda não tenham se tornado desagravadas, elas estão cada vez mais em risco de fazê-lo.

O banco alerta que o aperto monetário do Fed deve produzir um crescimento negativo nos EUA por dois trimestres durante o outono-inverno de 2023-24 e reduzir o crescimento da EA para modestamente acima de zero naquele inverno. Em outras palavras, o Fed espera iniciar uma recessão de "pouso suave".

Espera-se que a economia dos EUA seja especialmente difícil, do aperto extra do Fed até o final do próximo ano e início de 2024, e como resultado, o Deutsche Bank prevê dois trimestres negativos de crescimento e um aumento de mais de 1,5% na taxa de desemprego dos EUA, desenvolvimentos que se qualificam como recessão.

Crescimento real do PIB dos EUA. Fonte/Arte: Deutsche Bank
Crescimento real do PIB dos EUA. Fonte/Arte: Deutsche Bank 

Esta desaceleração dos EUA – e recessão – transborda até certo ponto para grande parte do resto do mundo, com o crescimento da zona euro caindo brevemente para cerca de zero no início de 2024, taxa que só será puxada para baixo nas próximas semanas à medida que a recessão europeia ficar "pior".

Crescimento real do PIB da zona euro. Fonte/Arte: Deutsche Bank
Crescimento real do PIB da zona euro. Fonte/Arte: Deutsche Bank 

O banco explica que a guerra na Ucrânia e o aperto mais agressivo da política monetária "nos fizeram reduzir nossa previsão para o crescimento global — em mais de 1 ponto porcentual (pp) este ano e 3/4pp no próximo ano", com a zona euro, destacando-se a Alemanha, mais atingida este ano pela guerra e aumentos na energia e outros preços que deprimem a renda real das famílias e das empresas.

As projeções de crescimento da China também foram atenuadas pelo banco, este ano e no próximo, por causa dos efeitos disruptivos das medidas oficiais, incluindo lockdowns para lidar com a disseminação da variante Omicron do SARS-CoV-2.

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