No levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego entre março e maio foi estimada em 12,9%, contra 12,3% no mesmo período de 2019.

Contudo, cerca de 20 milhões de pessoas fora da força que gostariam de trabalhar e não procuraram trabalho, não o fizeram por causa da pandemia ou por não encontrarem uma ocupação na localidade em que moravam.

Dados da PNAD COVID19 semanal, divulgados na sexta-feira (24), mostram que a população fora da força de trabalho subiu de 75,1 milhões para 76,8 milhões de pessoas, entre 28 de junho e 4 de julho.

“Enquanto a população ocupada e afastada por diversas causas, inclusive distanciamento social, diminuiu em cerca de 2,5 milhões de pessoas, os ocupados e não afastados aumentaram em 1,8 milhão, uma diferença de cerca de 700 mil”, explicou a coordenadora da pesquisa do IBGE, Maria Lucia Vieira, acrescentando que uma parte dos ocupados retornou ao trabalho e outra parcela foi para fora da força, ou seja, não voltou a trabalhar, nem procurou trabalho.

“A queda no número de pessoas desocupadas está mais associada à saída dessas pessoas da força de trabalho do que pela entrada na população ocupada. São pessoas que, naquela semana, não procuraram trabalho por algum motivo”, analisa Maria Lucia.

Segundo o Secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, a metodologia do IBGE não consegue captar a situação do mercado de trabalho no momento.

A avaliação do Governo é que muitas pessoas que perderam o emprego não buscaram uma nova colocação porque as medidas que paralisaram a economia fecharam as oportunidades de trabalho.

“O desemprego já aumentou, os dados é que não mostram isso”, disse Sachsida à Folha. "Muitas pessoas que já perderam o emprego estão classificadas hoje como população fora da força de trabalho, pela metodologia do IBGE. Ela não está procurando trabalho porque sabe que não adianta procurar agora. Tão logo reabra a economia, o desemprego vai dar um pulo".

"Com o Congresso, temos de estar prontos para endereçar  o  problema que vai afligir duramente a sociedade brasileira. Em setembro, os índices de desemprego vão dar um repique grande. Falo setembro porque imagino que tudo estará reaberto e o dado dará um salto", alertou o Secretário de Política Econômica.

"Uma prioridade hoje é o fortalecimento dos programas sociais", afirmou Adolfo Sachsida. "Infelizmente o desemprego vai aumentar".

* Com informações da Folha de S.Paulo, IBGE

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