Depois de 20 trimestres seguidos com queda ou estagnação, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado voltou a crescer, com a criação de 294 mil vagas, no segundo trimestre.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio - Contínua (Pnad  Continua), divulgados hoje (31), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e  Estatística (IBGE), mostra que o aumento foi de 0,9% na comparação com o  primeiro trimestre de 2019.

As vagas criadas na indústria foram responsáveis por 50% desse total e 40% foram empregos gerados na área de educação. O setor público,  estimado em 12 milhões de funcionários, teve aumento de 2,6% no trimestre.

O diretor-adjunto de Pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo, ressalta  alguns pontos positivos dos indicadores divulgados. “O número de  empregados com carteira assinada nunca cresceu tanto desde o trimestre  terminado em junho de 2014. É uma variação significativa”, afirma. Ele também destaca o crescimento da população ocupada, o maior na comparação anual, com aumento de 2,4 milhões de pessoas.

Informalidade

O número de pessoas que trabalham por conta própria bateu novo  recorde. A Pnad Continua mostrou que são 24,1 milhões nessa situação,  1,6% a mais do que no trimestre anterior e 5% a mais do que no segundo  trimestre do ano passado.

O número de empregados sem carteira assinada chegou ao número também  recorde de 11,5 milhões de pessoas, com 3,4% a mais do que o primeiro  trimestre e 5,2% a mais do que o segundo trimestre de 2018. De acordo  com o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, a  informalidade atinge quase 40% dos trabalhadores.

“Quase 40% na informalidade é um número muito importante. É o trabalhador por conta própria sem CNPJ, trabalhador sem carteira  assinada. Temos formas atípicas de trabalho surgindo no Brasil, e no mundo, como motorista de aplicativo, que não tem carteira assinada nem CNPJ, a pessoa que vende quentinha na rua. É informal mesmo”.

População ocupada

A população ocupada cresceu 2,6% na comparação anual. Segundo  Azeredo, foi a maior variação da série histórica da pesquisa, iniciada  em 2012. Na comparação com o trimestre anterior, a variação foi de 1,6%.  Ele destaca que, apesar do total da população ocupada ter atingido 93,3  milhões de pessoas, o país está com um contingente de 28,4 milhões de  pessoas subutilizadas.

“Falar em virada no mercado de trabalho com um quarto da população  subutilizada e atingindo recorde na série é minimizar o problema que a  gente tem no Brasil hoje. Nós não temos só 12 ou 13 milhões de pessoas  desocupadas. Nós temos 28 milhões de pessoas subutilizadas no Brasil,  levando em consideração as pessoas que estão subocupadas por  insuficiência de horas, que é recorde na série, a população desalentada,  que também é recorde na série”.

O IBGE calcula que o desalento atinge 5 milhões de pessoas, o que  representa 4,4% do total da força de trabalho do país. A população em  idade de trabalhar, ou seja, 14 anos ou mais, foi estimado em 170  milhões de pessoas, um aumento de 1% na comparação anual. A força de  trabalho, somadas as pessoas ocupadas e as desocupadas, atinge 106 milhões de pessoas. Um total de 65 milhões de pessoas estão fora da  força de trabalho, o que indica queda de 1% na variação anual.

Nível de ocupação

O nível de ocupação no país, que representa o percentual de pessoas  em idade de trabalhar e que estavam ocupadas na semana de referência,  teve uma leve recuperação de 1 ponto percentual na comparação com o  primeiro trimestre. O índice atingiu a menor taxa no início de 2017, com  53%, e o maior índice de ocupação foi no fim de 2013, com 58%.

Em termos de taxa de desocupação, houve melhora no trimestre,  passando de 12,7% para 12%. O mercado de  trabalho está se recuperando e deixando para trás os 13% de desempregados alcançados no segundo trimestre de 2017.

Salários

Quanto à massa salarial, que soma todos os rendimentos dos  trabalhadores, o valor chegou a R$ 208 bilhões, um aumento de 2,4% na  comparação com o segundo trimestre de 2018 e estabilidade em relação ao  trimestre anterior. O rendimento médio ficou em R$ 2.290, 1,3% a menos  na comparação trimestral e 0,2% a menos na variação anual. Segundo  Azeredo, essa diminuição ocorre por causa da entrada de pessoas no  mercado de trabalho pela informalidade e com rendimentos mais baixos.