Em discurso na Russian Energy Week nesta quarta-feira (13), Putin disse que uma queda na produção dos parques eólicos fez com que os preços da eletricidade subissem, tendo um efeito indireto na demanda por gás.

A energia eólica representa uma parcela cada vez maior da geração de energia da Europa, especialmente no oeste do continente, acrescentou.

“O aumento do preço do gás na Europa foi resultado da escassez de energia elétrica, e não o inverso”, insistiu o presidente russo.

Putin acusou os líderes ocidentais de “tentarem encobrir seus próprios erros”, após uma série de falsas alegações de que a situação se deve ao fato da Rússia estar retendo o produto. "A análise adequada da situação é frequentemente substituída por slogans políticos vazios". Agora, “a mão invisível do mercado” está em ação.

O presidente russo disse que o país pode registrar níveis recordes de exportações, buscando atender à demanda, mas ressaltou que o Kremlin não aprecia a perspectiva de escassez e que "o ambiente de preços elevados pode ter consequências negativas para todos, incluindo os produtores".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que embora o aumento do preço do gás é "um problema sério", é mais uma prova do apoio da União Europeia (UE) às energias renováveis.

Energia verde

A questão da crise energética atual nos países da Europa é: como um fornecimento seguro e acessível de energia pode ser implementado com certificados de emissão caros e metas irrealistas para a indústria?

Estimativas da União Europeia indicam que cerca 15% do atual aumento no preço da eletricidade pode ser atribuído ao mercado de carbono do bloco, onde os geradores de energia compram créditos para cobrir a emissão de CO2.

Como resultado da baixa velocidade do vento, as usinas europeias movidas a carvão estão sendo acionadas para garantir a geração de eletricidade.

O custo dos "créditos de carbono", repassado aos consumidores, atingiu preço recorde e gerou € 11 bilhões em receitas adicionais para os governos nos primeiros nove meses deste ano, em comparação com 2020.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, atribuiu parte da culpa pelo aumento dos preços da energia à proposta da UE de aumentar o custo de seu esquema de comércio de emissões, chamando-o de "tributação indireta" dos cidadãos.

A transição de uma era fortemente baseada em fósseis para uma era de uma nova matriz energética gira em torno de emissões e descarbonização total. Em nome do ativismo pela mudança climática, aspectos que deveriam fazer parte de uma agenda energética equilibrada foram colocados à margem, ignorando fundamentos da economia de mercado – oferta e demanda determinam o preço.

O plano da União Europeia para 2030 prevê que 32% de toda a energia seja gerada a partir de fontes renováveis. Embora a Alemanha já exceda a meta com 44%, o governo alemão planeja eliminar a energia nuclear em 2022 e o carvão em 2038.

Combinados, a energia nuclear e o carvão respondem por 39% da eletricidade gerada na Alemanha. A desativação dessas duas fontes provavelmente resultará em preços ainda mais altos nos próximos anos, a menos que o país possa expandir seu setor de energias renováveis e contar com o vento para alimentá-lo.

"Não podemos nos reduzir à importante questão das mudanças climáticas e tornar todos os outros aspectos do meio ambiente, bem como a economia e a vida cotidiana, absolutamente subordinados a ela", ponderou a Dra. Karin Kneissl, ex-Ministra das Relações Exteriores da Áustria, em artigo no RT.

"A mudança climática deve ser parte de uma política energética responsável, mas não pode ofuscar todas as outras áreas, resultando em redes sobrecarregadas, subinvestimento em energia de combustível fóssil e, no final, causando interrupção no fornecimento de energia", escreveu Kneissl.

Em artigo a ser publicado para a Global Warming Policy Foundation, o professor Jun Arima, da Universidade de Tóquio, adverte que "o mundo dividido e ressentido que está sendo criado por políticas de soma zero permitirá à China aumentar ainda mais sua presença econômica global e influência, enquanto o mundo desenvolvido e democrático se torna economicamente, politicamente e militarmente mais fraco".

A expansão da queima de carvão na China já produz mais de 1.000 gigawatts (GW) de energia e outros 105 GW estão em desenvolvimento – toda a capacidade de geração de eletricidade da Grã-Bretanha é de 75 GW.

A China agora queima metade do carvão do mundo.

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