Crianças em idade pré-escolar e escolar primária e pessoas com mais de 70 anos desenvolvem a porcentagem máxima de novos anticorpos contra o coronavírus, descobriram cientistas do Instituto Pasteur de Epidemiologia e Microbiologia de St. Petersburg durante uma pesquisa em grande escala sobre imunidade coletiva realizada em mais de 20 regiões da Rússia.

“Na esmagadora maioria das regiões, o nível máximo da camada imune é observado nos grupos de crianças, ou seja, em idade pré-escolar e fundamental, seguidos por pessoas com mais de 70 anos. Quando realizamos o estudo, estávamos preparados para o fato de que, pelo contrário, iriamos obter o nível mínimo da camada imunológica entre aqueles com idade superior a 70. No entanto, descobriu-se que este não era o caso ", disse o Diretor do Instituto e membro da Academia Russa de Ciências Areg Totolian à agência TASS.

A primeira fase de avaliação da imunidade do rebanho envolve 26 regiões, com o levantamento já terminado em 23 regiões, onde cerca de 3.000 voluntários foram examinados.

A determinação do nível de imunidade do rebanho estabelecerá as bases para prever melhor a situação do coronavírus, explicou Totolian.

“Assim que a produção da vacina começar, a vacinação será necessária. Naturalmente, surge a questão –  quem deve ser vacinado primeiro, quem deve ser o segundo e o terceiro, e quem tem um nível de imunidade suficiente e não precisa de nenhuma vacina. Nossa pesquisa responde a essa pergunta também".

A segunda fase do estudo está prevista para o final de agosto e início de setembro. Seus resultados estarão disponíveis em meados de setembro.

Totolian, em entrevista à Interfax no sábado (8), disse que o aumento da incidência de Covid-19 no outono é inevitável, porque o término do período de férias escolares aumentará significativamente a densidade populacional.

O cientista sugeriu que a doença do outono provavelmente afetará mais as pessoas que antes evitavam o contato social e praticavam auto-isolamento.

"Devemos estar moralmente preparados para o fato de que a doença pode ser mais grave no outono. Não porque o vírus mudou, mas porque quem está em casa há muito tempo e não tem contato não ficou doente, mas não recebeu imunização passiva", disse o diretor do Instituto Pasteur. “Mais cedo ou mais tarde essas pessoas sairão do 'bunker' e é possível que adoeçam. Muitos desses casos podem ocorrer”.

Totolian também observou que é importante determinar o que considerar a segunda onda de coronavírus. "Se entendermos o quadro que foi em abril-junho, em primeiro lugar, em Moscou, acredito que não deverá haver, porque a imunidade coletiva está formada e vemos isso em mais de 20 regiões", disse Totolyan.

Ele acredita que um eventual forte aumento da incidência da doença precisará ser regulamentado por restrições, mas em geral não se deve ter medo de adoecer.

“Quem tiver que adoecer ficará doente. A epidemia vai continuar até que a sociedade como um todo adquira imunidade coletiva", disse Totolyan. "Até o momento, só há duas formas de adquirir imunidade – ou adoecendo ou sendo vacinado".

Vacina Covid-19

O diretor do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamalei, Alexander Ginzburg, disse que apenas anticorpos intravenosos podem melhorar o bem-estar dos pacientes com Covid-19.

Gintsburg chamou a atenção para o fato de que a vacina desenvolvida pelo Gamalei e a Universidade Sechenov não é adequada para todas as pessoas. Segundo ele, qualquer substância pode provocar agravamento, por isso, as pessoas com doenças crônicas devem consultar especialistas.

A vacina será registrada oficialmente na quarta-feira (12). Mikhail Murashko, Ministro da Saúde da Rússia, disse que as autoridades planejam começar a vacinar a população em outubro.

* Com informações da Tass, Interfax

Leitura recomendada:

Veja também: