Apesar da criança ter testado positivo para a covid-19 na admissão, o óbito não foi incluído no boletim diário da Direção Geral da Saúde (DGS).

A comunicação do centro hospitalar decorre da criança ter recebido há uma semana a primeira dose da vacina pediátrica experimental da Pfizer.

A notificação ao Infarmed insere-se na vigilância de suspeitas de reações adversas, quer pelas manifestações clínicas quer pela proximidade à toma de medicamentos.

O Infarmed comentou a notificação.

“Confirmamos que recebemos a notificação de suspeita de reacção adversa no decorrer do dia de hoje e que a mesma se encontra a ser tratada pelo Infarmed em conjunto com a Unidade Regional de Farmacovigilância de Lisboa, Setúbal e Santarém, no sentido de proceder à recolha de dados adicionais por parte do notificador, para análise e avaliação da imputação de causalidade, uma vez que não sendo a aparente relação temporal o único determinante na avaliação da causalidade, é necessário proceder à recolha de toda a informação clínica".

Só depois desta análise o caso será comunicado à base europeia EudraVigilance, informou o Infarmed.

No início de janeiro, o Infarmed divulgou que entre as 96 mil crianças com menos de 12 anos vacinadas em dezembro com o produto pediátrico da Pfizer, tinham sido notificadas seis reações adversas, entre as quais um caso de miocardite numa criança de 10 anos, que se recuperou.

No grupo dos 12 aos 17 anos foram notificados 97 casos de reações graves, sendo 13 deles descritos como miocardite/pericardite “possivelmente associados à vacina de mRNA em utilização no programa de vacinação atual” e com evolução favorável após tratamento.

Segundo os dados da DGS, desde o inicio da pandemia, morreram três crianças entre os 0 e os 9 anos.

Atualização 19/01/2022

As conclusões da autópsia da criança de seis anos que morreu no Hospital Santa Maria, em Lisboa, só deverão ser conhecidas dentro de um mês, segundo o Instituto Nacional de Medicina Legal de Portugal.

"Estamos a fazer tudo para que seja o mais rápido possível, mas há exames complementares que precisam de tempo para estarem concluídos. Não depende de nós, as análises têm de ser processadas. Rapidamente vamos ter os resultados, num mês teremos de certeza absoluta", afirmou a Diretora da Delegação Sul do Instituto Nacional de Medicina Legal, citada hoje pelo Jornal de Notícias.

Eugénia Cunha explicou ao jornal que são necessários os resultados dos exames de anatomia patológica e toxicologia. "Só aí conseguiremos cruzar as informações".

Questionada pelo JN sobre as conclusões preliminares da autópsia, Cunha disse que não pode comentar sobre a causa da morte por ter sido aberto inquérito pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

A responsável explicou que estes inquéritos da PGR são abertos "em caso de morte ignorada ou violenta" e que, neste caso, trata-se de "morte ignorada", ou seja, "as causas são desconhecidas". Os resultados serão depois enviados ao Ministério Público.

A Ordem dos Médicos apelou "a uma rápida atuação de todas as autoridades competentes para esclarecimento cabal dos fatos".

Atualização 21/01/2022

Após Liliana Leite, professora de teatro do menino de 6 anos, ter relatado em rede social a última interação com o seu aluno, a Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEE) da EB1 São João de Deus contestou as declarações da docente.

"Já andava pálido e com olheiras, passou a semana mal, mas conseguiu fazer um exercício e saiu da aula pelo próprio pé. Abracei-o e antes de sair, voltou para trás para me devolver o abraço", escreveu Liliana Leite sobre o momento da sua despedida, na sexta-feira (14), de Rodrigo S., que veio a falecer no domingo (16).

"Meu aluno. Se tivesse testado positivo à covid estaríamos todos em isolamento e ninguém recebeu informação disso, pelo contrário. Este jornalismo já mete nojo, nem na idade da criança acertam. Esta criança era saudável", comentou Liliana Leite, referindo-se ao menino, que tinha testado positivo na admissão do hospital.

Ainda que não tivesse conhecimento das causas, Liliana Leite afirmou que Rodrigo lhe confidenciara que andava "cansado" desde que fora inoculado, e disse que é o seu terceiro aluno "que passa mal com a vacina".

A associação disse que "relativamente às notícias vindas a público e informações publicadas nas redes sociais pela professora de teatro, a APEE esclarece que a colaboradora leciona uma atividade extracurricular, de apenas uma hora por semana à turma do Rodrigo, pelo que as informações veiculadas não representam a posição da APEE e não condizem com os fatos apurados até à data pela direção desta associação, tendo sido iniciado um processo de averiguação interna".

Aproximadamente uma hora após a divulgação da posição da APEE, foi adiantado que a família recebeu indicação médica de que o menino teria morrido por engasgamento e não devido a reações adversas à inoculação.

O jornal português Expresso publicou que a equipe médica que assistiu a criança não descarta a hipótese de sufocamento: "O menino, sem histórico de doenças, deu entrada na Urgência durante a tarde de sábado sem sinais de batimento cardíaco e de respiração e, ao ser intubado para reanimação, apresentou vestígios de vômito e de engasgamento, aparentemente por comida".

Contactado pelo jornal i, o Centro Hospitalar Lisboa Norte não confirmou essa tese e pediu que se evitem especulações, ressaltando que neste momento respeita a dor da família e que as causas da morte estão sendo investigadas.

Atualização 30/01/2022

A notificação da suspeita de óbito do menino por reação adversa à vacina da Pfizer foi comunicada pelo Infarmed à Agência Europeia do Medicamento (EMA). Na notificação, agora publicada no sistema EudraVigilance, é incluída a indicação de miocardite e que a criança estava recebendo um anti-histamínico.

O Infarmed confirmou que a notificação foi reportada ao regulador europeu no sábado (22), mas que não foi estabelecido até o momento um nexo de causalidade.

"A imputação de causalidade no referido caso, ainda não foi finalizada pelo Infarmed e pela Unidade de Farmacovigilância que se encontra a acompanhar esta suspeita de reação adversa a medicamento (RAM). O Infarmed aguarda ainda o relatório da autópsia que também nos poderá ser útil relativamente à imputação de causalidade", disse o Infarmed ao jornal português Nascer do SOL.

"A informação constante do EudraVigilance foi a que o notificador (o Hospital Santa Maria) comunicou, sendo que incluiu na narrativa, provável miocardite", esclareceu o Infarmed.

O Infarmed explicou que após os resultados das perícias o seu papel será atribuir "uma probabilidade a uma associação causal entre a exposição à vacina e o acontecimento adverso (imputação de causalidade) e de transmitir esta informação à Agência Europeia do Medicamento".

Por sua vez, a EMA analisa as notificações a nível europeu. Além deste caso, a base da EMA registra agora um segundo óbito notificado como suspeita de reação adversa na União Europeia na faixa etária dos 3 aos 11 anos.

Atualização 01/02/2022

O Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) concluiu que a morte da criança de 6 anos no Hospital de Santa Maria não decorreu da vacina contra a covid-19.

“Com o conhecimento e a anuência da Magistrada do Ministério Público titular do processo, informa-se que a morte da criança não foi devida à vacinação contra a covid-19. Esta informação foi já transmitida à família da criança”, afirmou o INMLCF em nota oficial nesta terça-feira (1º).

Segundo o comunicado, foram “concluídos os exames complementares laboratoriais” e enviado ao Ministério Público, “na presente data, o relatório da autópsia realizada no dia 18 de janeiro à criança de 6 anos que deu entrada no Hospital de Santa Maria”.

O INMLCF comunicou ainda que, em respeito pela família e pela intimidade e vida privada, “não divulga outras informações de natureza clínica”.

* Com informações da Lusa, Jornal de Notícias, SOL

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