O estudo Association of Self-reported COVID-19 Infection and SARS-CoV-2 Serology Test Results With Persistent Physical Symptoms Among French Adults During the COVID-19 Pandemic, publicado na revista científica JAMA Internal Medicine, examina as associações de infecção auto-relatada e resultados do teste de sorologia SARS-CoV-2 com sintomas físicos persistentes (por exemplo, fadiga, falta de ar, insônia, tosse, ou atenção prejudicada) na população em geral.

Após a infecção por SARS-CoV-2, tanto os pacientes hospitalizados quanto os não hospitalizados têm um risco aumentado de vários sintomas físicos persistentes que podem prejudicar sua qualidade de vida. Embora o termo “covid longa” tenha sido cunhado para descrever esses sintomas, eles podem não emanar da infecção por SARS-CoV-2 per se, sendo atribuídos ao vírus apesar de terem outras causas.

A pesquisa enfocou não apenas a crença de ter experimentado covid-19, mas também os sintomas físicos persistentes relatados, que não foram considerados como crenças.

Dos 35.852 adultos franceses convidados a fazer parte do estudo, foram selecionados 26.823 (75%) voluntários.

Entre maio e novembro de 2020, um ensaio de imunoabsorção enzimática foi usado para detectar anticorpos anti-SARS-CoV-2 (IgG) direcionados contra o domínio S1 da proteína Spike do vírus.

"Assumindo uma prevalência de infecção passada de 4%, uma sensibilidade de 87% e uma especificidade de 97,5% [...] a probabilidade de ter covid dado um resultado de sorologia negativo é de cerca de 0,5%", explicou Cedric Lemogne, co-autor do estudo.

Entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, os quase 27 mil participantes relataram se acreditavam ter experimentado infecção pelo vírus da covid-19 e se apresentaram sintomas físicos durante as 4 semanas anteriores que persistiram por pelo menos 8 semanas.

Os pesquisadores descobriram que quase 60% dos participantes com anticorpos não sabiam que tinham sido infectados pelo vírus da covid-19, e que mais da metade das pessoas que acreditavam ter tido a doença não tinham anticorpos.

Um resultado de teste sorológico positivo para SARS-COV-2 foi associado positivamente apenas com anosmia (perda de olfato) persistente.

A infecção auto-relatada está fortemente associada a quase todos os sintomas. Na comparação dos relatos de pessoas com anticorpos e a população em geral, os pesquisadores não encontraram diferenças em quase nenhum sintoma.

Estatísticas descritivas de prevalência de sintomas. Covid não é um fator de risco para dores no peito, dificuldades respiratórias, problemas de concentração, dor de estômago, e outras queixas. Fonte: Matta J, Wiernik E, Robineau O, et al.
Estatísticas descritivas de prevalência de sintomas. Covid não é um fator de risco para dores no peito, dificuldades respiratórias, problemas de concentração, dor de estômago, e outras queixas. Fonte: Matta J, Wiernik E, Robineau O, et al.

Os resultados da análise sugerem que "os sintomas físicos persistentes após a infecção por covid-19 podem estar mais associados com a crença de ter sido infectado com SARS-CoV-2 do que com a confirmação laboratorial".

"As crenças sobre as causas desses sintomas podem influenciar sua percepção e promover comportamentos inadequados à saúde", diz o estudo.

"Uma avaliação médica desses pacientes pode ser necessária para prevenir os sintomas devido a outra doença que está sendo erroneamente atribuída à 'covid longa' (long COVID)".

Os pesquisadores concluem explicando que as pessoas que afirmam ter covid há muito tempo podem precisar de ajuda “para identificar mecanismos cognitivos e comportamentais que podem ser direcionados para o alívio dos sintomas”.

* Com informações do The Journal of the American Medical Association

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