Um teste positivo "não equivale a infecciosidade ou vírus viáveis", afirma posicionamento conjunto do Centro Nacional de Doenças Infecciosas de Cingapura e da Academia de Medicina de Cingapura.

O vírus SARS-CoV-2 "não pôde ser isolado ou cultivado após o dia 11 da doença".

A descoberta significa que os pacientes sintomáticos não representam um risco de disseminação da doença após 11 dias do início dos sintomas.

Se o Ministério da Saúde de Cingapura aceitar as evidências do estudo e adotar alta hospitalar baseada no tempo, mais de 80% dos pacientes poderão voltar para casa após 11 dias de doença, mesmo com teste RT-PCR positivo de coronavírus.

A tecnologia atual do teste detecta partes do genoma do vírus, mas é incapaz de mostrar se são apenas fragmentos do vírus ou se um vírus intacto não é mais viável e não pode infectar ninguém.

O restante dos hospitalizados pode precisar de cuidados clínicos mais longos devido a uma doença mais grave. Mas eles também não seriam mais infecciosos após 11 dias e não precisariam mais de isolamento – poderão ser internados em enfermarias comuns, receber visitas e ser tratados pelos profissionais de saúde sem utilização de equipamentos de proteção (EPIs).

O posicionamento oficial foi divulgado neste sábado (23) pelo Centro Nacional de Doenças Infecciosas (NCID) e pela Academia de Medicina de Cingapura.

Os achados apresentados, apoiados por estudos epidemiológicos, microbiológicos e dados clínicos, indicam que o período infeccioso de SARS-CoV-2 em indivíduos sintomáticos pode começar em torno de 2 dias antes do início dos sintomas e persiste por cerca de 7 a 10 dias após o início da doença, embora o RNA viral possa ser detectável por cerca de 2 a 4 semanas.

Em média, os sintomas se apresentam 5-6 dias após o contágio, mas pode levar mais de 14 dias para surgirem, como está acontecendo no nordeste da China.

O Professor Leo Yee Sin, Diretor-Executivo do NCID, disse que o estudo é robusto e é seguro generalizar para toda a população de pacientes: "Cientificamente, estou muito confiante de que há evidências suficientes de que a pessoa não é mais infecciosa após 11 dias".

As exceções são pessoas gravemente imunocomprometidas e com doenças graves, como pacientes com câncer recebendo quimioterapia ou pessoas sob uso de drogas imunossupressoras após um transplante. Nelas, o vírus pode permanecer viável por um período mais longo, porque a inativação do vírus é menos eficaz, e pode ser apropriado prolongar o período de controle da infecção.

Dr. Asok Kurup, que preside o Chapter of Infectious Disease Physicians da Academia de Medicina, está igualmente confiante sobre os resultados.

"Os estudos ainda estão em andamento e obteremos mais dados, mas veremos a mesma coisa que há muita ciência nisso. Portanto, não há necessidade de esperar".

O posicionamento confirma estudos recentes da transmissão da doença, que sugerem que o pico de contágio da Covid-19 pode ocorrer antes da pessoa apresentar sintomas, e ressalta as consequencias das limitações da tecnologia RT-PCR em testes de coronavírus, como um tempo de internação maior.

Por sua vez, a curta vida do vírus no hospedeiro talvez possa explicar o erro dos modelos de disseminação e o fenômeno descoberto pelo Prêmio Nobel Michael Levitt, Professor da Faculdade de Medicina de Stanford: independentemente das intervenções dos governos, após cerca de duas semanas de crescimento exponencial o número de novos casos rapidamente desacelera e a curva se torna subexponencial. Estudos observacionais independentes tem comprovado em vários países, inclusive no Brasil, o comportamento relatado por Levitt.

O coronavírus está desaparecendo

A equipe da Universidade de Oxford, responsável pelo desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus, disse que um declínio na taxa de infecção tornará cada vez mais difícil provar se foi bem-sucedido, informou o Telegraph.

"É uma corrida contra o vírus desaparecendo e contra o tempo", disse o Professor Adrian Hill, diretor do Instituto Jenner da universidade. “Dissemos no início do ano que havia 80% de chance de desenvolver uma vacina eficaz até setembro. Mas, no momento, há 50% de chance de não obtermos nenhum resultado".

Hill disse que espera menos de 50 das 10.000 pessoas que se ofereceram para testar a vacina na próxima semana sejam contagiadas pelo vírus. Se menos de 20 testarem positivo, os resultados podem ser inúteis, disse o jornal britânico.

A Reuters informou que a Universidade de Oxford pode se juntar à Moderna em um programa de testes em larga escala em julho.

Dados obtidos pelo Sunday Telegraph revelam que agora existem 224 vacinas em desenvolvimento em todo o mundo – quase o dobro de apenas um mês atrás.

* Com informações do The Straits Times, The Telegraph, Academy of Medicine Singapore, Bloomberg, Reuters, The Japan Times

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