Atualização 10/04: O número de casos foi revisado de 51 para 91 pelas autoridades sul-coreanas. Durante a investigação, vários testes mostraram ostensivamente 260 pacientes sendo "reinfectados".
Atualização 01/05: Pesquisadores do National Medical Centre em Seoul concluíram que todos os casos são falsos positivos. Os testes detectaram fragmentos de vírus desativado, que pode permanecer no corpo de um paciente recuperado por até dois meses. O teste de PCR, que amplifica a genética do vírus, é usado na Coreia para testar o coronavírus SARS-CoV-2 – os casos levantados foram devidos a limites técnicos do teste de PCR.

O Governo de São Paulo comprou 1,3 milhão de kits de teste PCR da Coreia do Sul.

Jeong Eun-kyeong, Diretor-Geral dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia do Sul (KCDC), está estudando a hipótese que o vírus possa ser "reativado", após descartar como improvável os pacientes terem sido infectados novamente, dado o "tempo relativamente curto" entre a alta hospitalar e os testes.

"Enquanto estamos colocando mais peso na reativação como a possível causa, estamos realizando um estudo abrangente sobre isso", disse Jeong. "Houve muitos casos em que um paciente durante o tratamento testou negativo um dia e positivo no outro".

Na Coreia do Sul, os pacientes são declarados recuperados após dois testes negativos de ácido nucleico com intervalo de 24 horas.

O Dr. Paul Hunter, professor de doenças infecciosas da Universidade de East Anglia, concorda que não são reinfecções, mas não seriam reativações.

"A explicação mais provável é que as amostras da alta hospitalar foram falsas negativas", disse Hunter ao MailOnline.

O professor Hunter destacou que os testes convencionais de coronavírus podem dar o resultado errado de 20 a 30% das vezes. Ele acredita que os testes indicaram indevidamente que os pacientes haviam se recuperado, e receberam alta da quarentena quando na verdade ainda estavam infectados.

O Dr. Dale Fisher, especialista em doenças infecciosas e professor da Universidade Nacional de Cingapura, expressou opinião semelhante. Fisher diz que essas reinfecções são na verdade infecções assintomáticas em andamento.

"No momento do teste, a quantidade de vírus poderia estar no nível mais baixo para ser considerada positiva e, às vezes, se cair abaixo, o teste será negativo", diz Fisher. "Mas o que isso significa é que existem pessoas assintomáticas que podem ter recebido alta".

Para o Dr. Keiji Fukuda, Diretor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong, é provável que as pessoas ainda tenham fragmentos do coronavírus em seus corpos depois de se recuperarem. Esses fragmentos não significam que os pacientes ainda estejam doentes ou possam contagiar outras pessoas, mas podem aparecer em um teste de ácido nucleico, explicou ao Los Angeles Times.

Já o Dr. Anthony Fauci, do US National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), em entrevista a Howard Bauchner, editor do Journal of American Medical Association (JAMA), disse que é improvável que as pessoas possam pegar o coronavírus mais de uma vez – pelo menos dentro de um curto período de tempo.

"Se uma pessoa é infectada pelo coronavírus A, e depois reinfectada com um coronavírus, pode ser o coronavírus B", disse Fauci. "Mas, no momento, não pensamos em uma mutação (do SARS-CoV-2) a ponto de ser muito diferente".

Com vírus que sofrem mutações – como o resfriado comum ou a gripe sazonal – os anticorpos que as pessoas desenvolvem contra uma cepa não são eficazes contra outras. Além disso, alguns tipos de anticorpos perdem a efetividade com o tempo.

Entretanto, os vírus que causam infecções persistentes podem ter períodos de latência e se reativar como parte de seus ciclos de vida. Após uma infecção inicial, esses vírus permanecem dentro das células hospedeiras, não desaparecem mas também não se replicam até serem reativados. A catapora, por exemplo, geralmente ocorre em crianças, mas pode ser reativada em adultos como herpes zóster.

Mas, em geral, isso não é comum para vírus. As infecções virais latentes também diferem das infecções virais crônicas, como a hepatite C.

A Coréia do Sul teve um dos primeiros surtos de Covid-19 em larga escala fora da China. O pico ocorreu no final de fevereiro.

Desde o início da epidemia no país, foram registradas 10.423 infecções e 204 mortes (2%), com 6.973 pacientes recuperados da doença, segundo dados de quinta-feira (9).

* Com informações Yonhap News Agency, Mothership, Business Insider, MailOnline

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