Indústria automotiva sul-coreana: densidade de 2.435 robôs por 10.000 funcionários. Foto: Divulgação/ABB
Indústria automotiva sul-coreana: densidade de 2.435 robôs por 10.000 funcionários. Foto: Divulgação/ABB

A população da Coréia está envelhecendo rapidamente. Em meados deste século, o país terá uma das populações mais idosas de todos os 34 países da OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico), logo atrás do Japão, Itália e Grécia.

O governo coreano tem procurado desenvolver habilidades e treinar a força de trabalho para operar robôs e máquinas automatizadas. Por exemplo, o programa governamental “Estratégia de inovação de fabricação inteligente” anunciou a formação de 50.000 trabalhadores de fábricas inteligentes até 2022 e a iniciativa "Terceiro Plano Básico de Robô", com um tempo de execução de 5 anos, apoiará o treinamento de 2.200 trabalhadores para pequenas e médias empresas até 2023.

Para se manter competitiva, em apenas cinco anos a Coréia dobrou seu número de robôs industriais. Segundo relatório da World Robotics, a Coréia ficou em terceiro lugar em 2018, com 300 mil robôs industriais operacionais, logo após Japão e China.

A Coréia possui de longe a maior densidade de robôs na indústria de transformação desde 2010.

A taxa aumentou devido à instalação contínua de um grande volume de robôs desde 2010, principalmente na indústria eletroeletrônica e na indústria automotiva.

O nível de automação é geralmente muito maior na indústria automotiva do que em todos os outros setores.

Na Coréia, 2.435 robôs industriais por 10.000 funcionários estavam em operação em 2017.

A densidade de robôs do Canadá aumentou para 1.354 unidades por 10.000 funcionários na indústria automotiva em 2017. Os Estados Unidos (1.200), Alemanha (1.162), Japão (1.158) e França (1.156) também possuem altas densidades de robôs na indústria automotiva. A Áustria (1.083) e a Eslovênia (1.075) se juntaram à lista de países que ultrapassam a marca de 1.000 robôs por 10.000 funcionários em 2017. As densidades de robôs na Espanha (990), Tailândia (974) e Taiwan (940) também estão em alta.

Densidade de robôs industriais em 2017 considerados todos os setores. Reprodução: IFR
Densidade de robôs industriais em 2017 considerados todos os setores. Reprodução: IFR
Em 2018, a densidade de robôs da Coréia do Sul foi nominalmente superada por Cingapura, devido a um número muito baixo de trabalhadores na indústria de transformação - em torno de 240.000 funcionários, de acordo com a OIT. Cerca de 84% dos robôs em Cingapura estão instalados na indústria eletrônica.

Com 774 robôs industriais por 10.000 funcionários, a Coréia em 2018 teve mais que o dobro da densidade da Alemanha (3º com 338 unidades) e Japão (4º com 327 unidades).

Instalações em 2018

Globalmente, a instalação de robôs aumentou em 422 mil unidades em 2018. O estoque operacional de robôs foi estimado em 2,44 milhões de unidades (+15%).

Reprodução: IFR

A Ásia é o maior mercado de robôs industriais do mundo, embora o crescimento tenha desacelerado substancialmente em 2018. Um total de 283.080 unidades foram instaladas em 2018, apenas 1% a mais do que no ano anterior, mas ainda um novo pico pelo sexto ano consecutivo. Duas de três (67%) novas implementações de robôs em 2018 foram instaladas na Ásia.

A indústria automotiva continua sendo o maior setor cliente, com 30% do total de instalações, à frente de eletroeletrônica (25%), metal e máquinas (10%), plásticos e produtos químicos (5%) e alimentos e bebidas (3%). Observe que para 20% dos robôs não há dados sobre o setor cliente.

Mercados principais

Existem cinco mercados principais para robôs industriais: China, Japão, Estados Unidos, Coréia do Sul e Alemanha. Esses países são responsáveis por 75% da instalação global de robôs.

Reprodução: IFR

A China é o maior mercado mundial de robôs industriais desde 2013 e é responsável por 36% do total de instalações em 2017 e 2018. Em 2018, foram instaladas 154.032 unidades, total 1% menor que em 2017 (156.176 unidades), mas ainda maior que a soma do número de robôs instalados em toda a Europa e nas Américas (130.772 unidades).

Em 2018, as instalações de robôs no Japão aumentaram 21%, um adicional de 55.240 unidades (um novo pico). A taxa média anual de crescimento de 17% desde 2013 é notável para um país que já possui um alto nível de automação na produção industrial.

Pelo oitavo ano consecutivo, as instalações de robôs nos Estados Unidos atingiram um novo pico (40.373 unidades; +22%). Em instalações anuais, em 2018 os Estados Unidos assumiram a terceira posição da Coréia.

Na Coréia, as instalações anuais de robôs estão em declínio desde que atingiu um nível máximo de 41.373 unidades em 2016. Em 2018, 37.807 unidades (-5%) foram instaladas. O país depende fortemente da indústria eletroeletrônica, que teve
um ano difícil em 2018.

A Alemanha é o quinto maior mercado de robôs do mundo. Em 2018, o número de robôs instalados subiu 26%, para um novo pico de 26.723 unidades. Números de instalação neste país são impulsionados principalmente pela indústria automotiva.

Brasil

Segundo a consultoria Idados, o Brasil tinha 12 mil robôs industriais em 2017, com mais da metade (54%) operando na indústria automobilística. Em relação ao número absoluto de máquinas, o País ocupa a 18ª posição, com 0,6% dos robôs instalados no mundo. O México é o lider na América Latina com suas mais de 27 mil máquinas, 64% dos robôs da região ante 29% do mercado brasileiro – dez anos antes, as proporções eram inversas.

Quando observado o quesito densidade de robôs, o Brasil caiu da 34ª colocação em 2008 para o 41º lugar em 2017,  com 13,6 robôs para cada 10 mil trabalhadores.

Parcela considerável das máquinas que chegaram ao Brasil nos últimos  anos executam tarefas de encaixotamento, paletização e transporte de carga.

Executivos das fabricantes de robôs Fanuc e Yaskawa Motoman, do Japão, e ABB, da Suíça, opinaram sobre o baixo número de robôs no Brasil no Valor Econômico.

O gerente-geral da Yaskawa no Brasil, Icaru Sakuyoshi, afirma que as vendas de robôs e soluções ligadas à organização de cargas aumentaram e representam cerca de 20% do negócio no Brasil. "Essa fatia só não é maior porque o mercado é pequeno no País. A robótica ainda não nasceu aqui, é embrionária".

Para Sakuyoshi, há investimentos em automação represados, à espera da aprovação de reformas como a da Previdência e tributária. O empecilho à automação seria a falta de crédito e juros decentes.

Wagner Bello, gerente-geral da Fanuc para a América do Sul,  e Daniel Diniz, executivo de vendas da ABB, acreditam que o problema é anterior: faltaria cultura de automação na indústria brasileira. Paulo Oliveira, Diretor-Presidente da Idados, concorda. "A aplicação de robôs pressupõe mão de obra qualificada, com noção de gestão de processos e capacidade para operá-los, o que falta no Brasil".

* Com informações e dados da International Federation of Robotics (IFR), European Engineering Industries Association (EUnited), Idados e Valor Econômico

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