Atualização 31/10 - A Agência Coreana de Controle e Prevenção de Doenças (KDCA), anunciou neste sábado (31) que 83 pessoas no total morreram após participarem de uma iniciativa de vacinação gratuita veiculada como uma forma de prevenir complicações potenciais da Covid-19.

Das fatalidades, 34 pessoas tinham 80 anos ou mais, 37 estavam na casa dos 70 anos, quatro na casa dos 60 anos e oito tinham menos de 60 anos.

As autoridades de saúde têm insistido repetidamente que não há evidências que apontem para uma ligação direta entre as vacinas contra a gripe e as mortes.

Até a meia-noite de quinta-feira (22, horário local), 32 pessoas morreram após a inoculação, informou a Yonhap, acrescentando que 7 mortes tinham ocorrido naquela noite. A agência de notícias sul-coreana tinha reportado 25 fatalidades até as 16 horas, mais que o dobro do registrado na parte da manhã (12 óbitos).

Um das primeiras mortes foi a de um aluno de 17 anos, ocorrida no dia 16, menos de 48 horas após a imunização gratuita. À medida que as mortes de pessoas que tomaram vacinas gratuitas foram sendo notificadas, médicos e políticos fizeram vários apelos ao governo para uma segunda suspensão temporária da campanha, reiniciada no dia 13 de outubro, planejada para vacinar 30 milhões pessoas de uma população de 52 milhões.

O governo distribuiu vacinas gratuitas para cerca de 19 milhões de adolescentes e idosos. Contudo, um número crescente de idosos expressam preocupação com essas vacinas, pois 22 dos 25 óbitos foram de pessoas com mais de 60 anos.

As autoridades de saúde se recusam a interromper a vacinação citando a falta de evidências para sugerir ligação direta entre as vacinas gratuitas e as fatalidades.

O Serviço Forense Nacional realizou autópsias em alguns dos mortos e determinou que a vacina não causou a morte do jovem de 17 anos, reportou a Yonhap, citando a polícia.

Chung Sye-kyun expressou condolências às famílias enlutadas, e determinou que seja realizada uma investigação completa para verificar a causa exata das mortes.

"Até agora, os especialistas disseram que há pouca possibilidade de que as inoculações e as mortes estejam relacionadas, mas muitos cidadãos continuam ansiosos", disse em uma reunião nesta sexta-feira (23).

“As autoridades deverão investigar a fundo a relação causal entre as vacinações e as mortes, e tornar público o desenvolvimento de forma transparente”, afirmou.

Pelo menos 22 dos 25 falecidos receberam a vacina gratuita contra a gripe, e sete das nove pessoas autopsiadas tinham enfermidades, como pressão alta e diabetes.

As vacinas foram fornecidas pelas empresas sul-coreanas GC Pharma (5), SK Bioscience (10), Korea Vaccine (1) e Boryung Biopharma (5), e pela francesa Sanofi (4).

Na avaliação da agência governamental de prevenção e controle de doenças (KDCA), as causas das mortes foram claramente determinadas, por isso seria muito cedo para tomar a decisão de interromper o programa de vacina gratuita.

Questionado por Choi Yeon-sook do Partido do Poder Popular, durante uma auditoria do Comitê de Saúde e Bem-Estar da Assembleia Nacional, na quinta-feira, o Diretor da KDCA Jeong Eun-kyeong disse que “a agência ainda não confirmou se as mortes estão relacionadas à vacinação. Os investigadores epidemiológicos expressaram sua opinião de que há uma baixa possibilidade de que as mortes tenham sido resultados diretos da vacinação”.

Jeong acrescentou que "a investigação epidemiológica e os exames post-mortem ainda estão em andamento".

O governo concluiu que não há problemas de qualidade com a vacina.

O chefe da KDCA disse que as vacinas continuarão a ser fornecidas, mas o governo pode considerar suspender lotes caso ocorram mortes de pessoas imunizadas com vacinas de um mesmo lote.

Kim Jung-gon, professor do Departamento de Pediatria do Centro Médico de Seul que está chefiando a equipe de investigação, explicou que "depois de discutir se era melhor interromper as vacinações e esperar um pouco mais para descobrir a causa, concluímos que era razoável continuar".

A urgência do governo sul-coreano é para prevenir a sobrecarga do sistema de saúde nos próximos meses, atendendo simultaneamente casos de gripe e de covid-19.

O programa foi interrompido anteriormente por três semanas depois que foi revelado que cinco milhões de doses foram transportadas em temperatura ambiente, em vez de serem refrigeradas conforme necessário.

Para Kim Yoon, Presidente do Departamento de Política e Gestão de Saúde da Escola Médica da Universidade Nacional de Seul, "não há relatos de reações adversas semelhantes na mesma unidade médica ou com pessoas recebendo a mesma vacina. Embora as mortes tenham ocorrido após [decorridos] tempos semelhantes [da inoculação], é mais provável que tenha sido um incidente independente, sem relação direta".

Por outro lado, o Korea Times ressalta que há vozes pedindo cautela com a vacinação contra a gripe.

Seo Dong-cheol, professor da Faculdade de Farmacologia da Universidade de Chung-Ang, disse: "Como os idosos geralmente têm muitas doenças subjacentes, seria melhor para as pessoas com altos riscos secundários evitarem a vacinação agora".

A Associação Médica Coreana (KMA) foi além, instando o governo a suspender o programa de vacinação gratuita até que ele confirme a segurança das vacinas.

"Aconselhamos a suspensão dos programas de vacinação por uma semana, pois as ligações entre os casos de morte recentes e a vacinação não foram claramente validadas", disse o Presidente da KMA, Choi Dae-zip, durante uma entrevista coletiva no prédio da associação em Yongsan, Seul.

A KMA é a maior associação de médicos da Coreia do Sul e representa 130.000 médicos.

Até agora, 8,3 milhões de pessoas foram vacinadas desde o início da campanha, com cerca de 350 casos de reações adversas relatados, disse a KDCA.

* Com informações da Yonhap, SWI, Korea Times, RT

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