No final de junho, a DiDi Global era a empresa favorita de Wall Street, levantando 4,4 bilhões de dólares de fundos de pensão americanos e de investidores internacionais na maior oferta pública inicial (IPO) de 2021.

A DiDi optou pela listagem de seus papéis na NYSE (New York Stock Exchange) porque não poderia atender a certas restrições da bolsa de valores de Hong Kong, entre elas, que seus negócios fossem totalmente compatíveis com os requisitos de licenciamento de todas as províncias e municípios chineses onde opera.

"O desvio da DiDi para New York foi acidentado e curto", avalia o Wall Street Journal. "Sua jornada de volta para Hong Kong não será mais tranquila. Mas a direção da viagem – não apenas para ela, mas também para a maioria de seus grandes concorrentes chineses – é clara. A era das listagens chinesas em grande escala nos EUA para qualquer empresa com dados remotamente confidenciais acabou".

A japonesa SoftBank é a maior investidora individual da DiDi Global, com uma participação de mais de 20%. Fonte/Arte: © Yahoo
A japonesa SoftBank é a maior investidora individual da DiDi Global, com uma participação de mais de 20%. Fonte/Arte: © Yahoo

O movimento da DiDi visa claramente aplacar os reguladores chineses. A empresa prosseguiu com a IPO, apesar da recomendação dos reguladores de que deveria adiar a operação até depois de uma revisão interna de sua segurança de dados.

Preocupados que a listagem na bolsa americana abria a possibilidade da DiDi transferir dados confidenciais sobre centenas de milhões de passageiros chineses para os Estados Unidos, os reguladores ordenaram dois dias após a IPO a interrupção do registro de novos usuários.

Pouco depois, as autoridades chinesas ordenaram a suspensão dos downloads do aplicativo principal voltado para o consumidor da DiDi, alegando que a empresa coletou ilegalmente dados pessoais dos usuários. Outras 25 aplicações, inclusive as destinadas a clientes corporativos, foram removidas das lojas de aplicativos devido a preocupações com "violações graves" da lei de dados pessoais.

A Administração do Ciberespaço da China (CAC) disse que estava investigando a empresa para proteger "a segurança nacional e o interesse público".

O Global Times, publicado pelo jornal oficial do Partido Comunista, o Diário do Povo, disse que a aparente capacidade de "análise de big data" da DiDi podia representar riscos para a segurança das informações pessoais dos indivíduos".

“Nenhum gigante da Internet pode se tornar um super banco de dados de informações pessoais do povo chinês que contém mais detalhes do que o país, e essas empresas não podem usar os dados como quiserem”, disse o Global Times.

A decisão de Pequim em relação a DiDi foi amplamente vista como uma punição por sua decisão de abrir o capital no exterior. Nas semanas após a IPO, as autoridades chinesas propuseram que as companhias com dados sobre mais de um milhão de usuários buscassem aprovação antes de listar seus papéis em bolsas estrangeiras.

99

A participação societária da Didi sobre a 99 está estruturada indiretamente, por meio de duas subsidiárias, sendo uma delas constituída no estado americano de Delaware – controladora de 99,99% da participação –, e outra nas Ilhas Cayman.

A estrutura no Brasil é operada por meio de uma sociedade limitada.

Prosperidade para todos

O governo chinês busca um setor privado mais alinhado com o foco crescente do Partido Comunista em espalhar riqueza e cumprir seus objetivos políticos.

No início de setembro, os reguladores estabeleceram para 11 das maiores empresas de aplicativos de transporte individual da China, incluindo DiDi e Meituan, um prazo de quatro meses para "retificar" o tratamento dispensado a seus funcionários e clientes.

O DiDi Chuxing deixou de ser um aplicativo de chamada de táxi para se tornar uma das maiores plataformas de mobilidade inteligente e de crescimento mais rápido. Com mais de 550 milhões de usuários fazendo 30 milhões de viagens por dia, a empresa oferece serviços que vão de compartilhamento de carros e bicicletas até aluguel de veículos e serviços pós-venda.

A companhia é responsável por 90% de todas as contratações de corridas na China, mas estima-se que 230 aplicativos de transporte pessoal no país estão tentando reduzir sua liderança, acelerando os planos de expansão, oferecendo descontos e aumentando os incentivos para os motoristas.

Muitos dos rivais da DiDi também são apoiados pelas principais montadoras chinesas. A Cao Cao, um aplicativo da Geely que usa carros elétricos, cortou em quase um terço os preços dos cupons digitais que oferecem aos usuários vários descontos e benefícios.

A T3 Chuxing, um serviço online de contratação de transporte baseado em Nanjing, lançado por três das maiores montadoras estatais da China, anunciou planos de expansão para 15 cidades, de acordo com a imprensa chinesa.

A DiDi também está enfrentando uma investida da Meituan, a plataforma de entrega de alimentos líder da China. O grupo relançou seu serviço de transporte pessoal, abandonado em 2019, e ofereceu aos motoristas US$ 15,50 para aderir.

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