A demanda pela chamada carne vegetal teria sido afetada pelos consumidores que comem menos em casa, à medida que as restrições foram levantadas, enquanto os problemas da cadeia de abastecimento tornaram alguns produtos indisponíveis.

Os Estados Unidos são o maior mercado para os produtos que emulam a carne em sabor e textura. A queda nas vendas vem após números fracos de receita nas últimas semanas da Beyond Meat e da Maple Leaf Foods, o grupo canadense que controla a especialista em proteínas vegetais Green Leaf.

“Nos últimos seis meses, inesperadamente, houve uma rápida desaceleração nas taxas de crescimento da categoria de proteínas vegetais”, disse Michael McCain, CEO da Maple Leaf, a analistas no início deste mês.

Fonte: SPINS, Arte: © FT
Fonte: SPINS, Arte: © FT

McCain atribuiu a queda de -6,6% nas vendas de proteínas à base de plantas da empresa aos declínios em toda a categoria, de alimentos refrigerados ao varejo e serviços de alimentação.

Já nas vendas de sua divisão de carnes, a Maple Leaf superou as expectativas de receita, registrando crescimento de +13,4%.

Por sua vez, as ações da Beyond Meat despencaram desde que reportou US$ 106 milhões em vendas no terceiro trimestre, depois de rebaixar sua projeção anterior de US$ 120 milhões – US$ 140 milhões no mês passado. A Beyond Meat faz hambúrgueres sem soja e utiliza um pó extraído de ervilhas amarelas.

O CEO Ethan Brown culpou os consumidores, por estarem menos abertos a experimentar novos produtos e menos interessados em opções saudáveis.

A questão é que as "carnes" fabricadas com soja, ervilha ou grão-de-bico seriam uma opção saudável, não fossem alimentos ultraprocessados.

Alternativas ultraprocessadas não são melhores, pelo menos em relação à saúde, do que salsicha, linguiça ou hambúrgueres prontos de carne.

Há quem defenda que alimentos à base de plantas deveriam ser minimamente processados, integrais ou in natura, ter poucos ingredientes e não possuir aditivos. Contudo, para estender o prazo de validade e emular sabor e textura das carnes, a indústria acrescenta sódio, açúcar, gorduras, aditivos químicos e sintetizados.

A Impossible Foods, por exemplo, faz uso de heme, uma molécula encontrada em plantas e animais que faz com que o alimento pareça "sangrar" na hora de fritar.

No Brasil, o hambúrguer vegetal "com gosto idêntico ao da carne" vendido em uma rede de fast-food é produzido pela Marfrig, gigante de alimentos de origem animal.

O Grupo JBS, líder mundial em processamento de carne bovina, ovina e de aves, além de forte participação na produção de carne suína, também está apostando nesse segmento, através da Seara, assim como a BRF, usando a marca Sadia.

Bahige El-Rayes, da consultoria Bain, disse ao Financial Times (FT) que com as alternativas à base de carne vegetal ainda 30-40% mais caras do que a carne real e necessitando de melhorias no sabor e textura, um aumento na capacidade de produção para cortar custos e mais pesquisa e desenvolvimento são essenciais para a categoria continuar crescendo.

Alguns executivos acreditam que a queda nas vendas é temporária. Steven Cahillane, CEO da Kellogg, dona da marca MorningStar Farms de produtos à base de plantas, disse que a pesquisa do consumidor da empresa mostrou que "ainda há muito entusiasmo e empolgação" por alternativas vegetais à carne.

* Com informações do Financial Times

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