Disponível por 11 dias, a consulta pública colocou em discussão a inclusão de crianças no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19.

"Tivemos 99.309 pessoas que participaram neste curto intervalo de tempo em que o documento esteve para consulta pública, sendo que a maioria se mostrou concordante com a não compulsoriedade da vacinação e a priorização das crianças com comorbidade. A maioria foi contrária à obrigatoriedade da prescrição médica no ato de vacinação", anunciou a Secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosane Leite de Melo.

Melo disse que o Ministério deve se posicionar para que a vacinação seja realizada obedecendo a uma ordem. Os primeiros a se vacinar seriam as crianças de 5 a 11 anos de idade com deficiência permanente ou comorbidades e crianças que vivam em lar com pessoas em alto risco para a evolução grave da covid-19.

Na sequência, serão vacinadas crianças sem comorbidades das faixas de 10 e 11 anos, 8 e 9 anos, 6 e 7 anos, e 5 anos de idade.

“Em todos os casos será exigida a prescrição médica e a autorização dos pais ou responsáveis, mediante assinatura de termo de assentimento. As vacinas devem ser aplicadas seguindo fielmente as recomendações da Anvisa”, ressaltou a Secretária.

Na audiência pública desta terça-feira, transmitida ao vivo, o representante da Comissão de Constituição e Justiça (CJJ) da Câmara dos Deputados, o médico imunologista Roberto Zeballos questionou a necessidade de inclusão das crianças na faixa etária de 5 a 11 anos no Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Segundo Zeballos, os números da covid-19 mostram que o País já passou pela situação de emergência, não justificando o uso da vacina infantil experimental, uma vez que foi autorizada pela Anvisa para uso emergencial.

O médico questionou ainda a eficácia da vacina contra a nova variante do coronavírus, a Ômicron. “No presente momento, para o Brasil não existe momento para usar a vacina emergencial. Como é que uma vacina emergencial é dada em uma situação que não tem emergência?”, disse.

A médica Roberta Lacerda de Miranda Dantas, que também representou a CCJ da Câmara dos Deputados na audiência, questionou os resultados das pesquisas do uso de imunizantes nas crianças de 5 a 11 anos de idade. De acordo com Roberta, o uso da vacina em desenvolvimento da Pfizer pode trazer mais riscos que benefícios, como o risco de miocardite, um dos efeitos adversos do imunizante.

“No grupo de crianças que estão entre 5 e 11 anos meninos, a chance de evoluir em miocardite é de 179 a cada milhão de casos”, disse. “Ainda que não se tenha nenhum óbito relatado por miocardite, é importante frisar que esse estudo acompanhou crianças por apenas dois meses”, acrescentou.

O representante da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) na audiência, o médico José Davi Urbaez Brito, disse que é um erro comparar a evolução da covid-19 em crianças com o desenvolvimento da doença nos adultos. Segundo Brito, a comparação com doenças da própria faixa etária demonstraria a importância da inclusão do grupo no PNI.

As doses pediátricas da vacina covid da Pfizer/BioNTech devem começar a chegar ao Brasil na segunda quinzena de janeiro.

* Com informações da Agência Brasil

Leitura recomendada:

Veja também: