O orçamento atual contempla um fundo de 4 bilhões de euros para apoiar pessoas em situação de pobreza e ajudar os Estados membros da UE a fornecer a esses individuos alimentos e ítens básicos como roupas e produtos de higiene.

De acordo com o orçamento proposto para 2021-27, o Fundo de Ajuda Europeia às Pessoas mais Carentes (Fund for European Aid to the Most Deprived, FEAD) será extinto. Será solicitado aos Estados membros que reservem um mínimo de dois bilhões de euros para alimentação e assistência material básica.

A Comissão espera que os Estados destinem uma quantia maior, mas sem qualquer obrigação.

“Os estados membros experimentam diferentes graus de pobreza e exclusão social, e espera-se que vários estados membros mantenham mais de 5% dos fundos disponíveis para apoiar os mais necessitados. No entanto, como salvaguarda, propusemos uma alocação mínima de 2%”, disse uma porta-voz da Comissão.

O remanejamento da verba humanitária atende a pretensão da Comissão de gastar 13 bilhões de euros em um fundo de defesa europeu para coordenar pesquisas e investimentos após pedidos do presidente francês, Emmanuel Macron, por maior independência militar da UE em relação aos EUA.

Citado pelo jornal britânico The Guardian,  o presidente da Federação Europeia de Bancos de Alimentos, Jacques  Vandenschrik, disse que o plano representa um risco não apenas para os mais vulneráveis, mas também para a estabilidade da sociedade em geral.

Jacques Vandenschrik, cuja organização ajuda os bancos de alimentos de toda a Europa a distribuir produtos excedentes para onde é mais necessário, afirmou que a proposta da Comissão era uma "falsa economia".

"Acho que devemos fazer melhor pelos mais pobres. Não podemos aceitar que se entregue metade ou 60% da comida que eles recebem agora.  A explicação é que o orçamento geral da Europa precisa de ser apertado. O Brexit é um dos argumentos. O outro é a necessidade de fortalecer a defesa da Europa. Mas isso terá um impacto na saúde e na coesão social. É uma economia falsa poupar nos pobres. É muito melhor aumentar o poder de compra dando-lhes comida para que o pouco dinheiro que não gastam em alimentos possa ser gasto na economia".

Os bancos de alimentos ligados à organização de Vandenschrik alimentaram 9,5 milhões de pessoas em 2018.

* Com informações do Jornal de Notícias e The Guardian

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