Segundo o La Stampa, contratos para imunizantes de vetores virais não serão assinados ou renovados, afetando fornecimentos da AstraZeneca, Johnson & Johnson (J&J), RDIF (Sputnik V) e ReiThera, da Itália.

"É quase certo agora que o destino da vacina da Johnson & Johnson será o mesmo da AstraZeneca. Depois dos poucos casos de trombose detectados nos Estados Unidos e da suspensão decidida pelas autoridades americanas, fontes do governo italiano confirmam que a orientação imediata é limitar seu uso apenas aos maiores de 60 anos, conforme decidido em nível europeu há uma semana para a vacina de Oxford", escreve o jornal.

A verdade é que, apesar de não confirmarem oficialmente a notícia do La Stampa, não há propriamente um desmentido à informação publicada pelo diário italiano.

Em resposta enviada ao Público, fonte oficial da Comissão Europeia diz que estão em aberto “todas as opções” no combate à pandemia.

“Mantemos todas as opções em aberto para estarmos preparados para as próximas fases da pandemia, para 2022 e mais além”, escreve o porta-voz, recusando porém comentar detalhes contratuais.

A confirmar-se a decisão de afastamento do contrato não terá influência no número de doses recebidas em 2021.

A Comissão Europeia acordou com a Janssen a compra de 200 milhões de doses este ano, com uma opção de 200 milhões de doses adicionais. Este volume adicional seria o valor afetado por uma não renovação de contrato. Contudo, a Janssen / Johnson & Johnson comunicou que haverá atrasos nas entregas já contratadas.

Nesta quarta-feira (14), a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, respondeu ao atraso da Janssen anunciando que a Pfizer vai fornecer 50 milhões de doses extras da vacina Comirnaty no segundo trimestre, começando no mês de abril.

Adicionalmente, está em negociação um terceiro contrato com a BioNTech-Pfizer para que sejam assegurados 1,8 bilhão de doses em 2022 e 2023.

Quanto à vacina da AstraZeneca, a Comissão Europeia comprou 400 milhões de doses, que custaram 336 milhões de euros, de acordo com documento revelado em janeiro.

Ao contrário da vacina desenvolvida pela Janssen, que ainda não começou a ser administrada na União Europeia, mais de 25 milhões de doses da vacina da AstraZeneca chegaram ao bloco. Após a detecção de complicações com coágulos sanguíneos, vários países decidiram suspender a inoculação de pessoas com menos de 60 anos. Portugal foi um desses países, com as autoridades de saúde garantindo que aqueles que receberam a primeira dose da vacina AstraZeneca poderão receber a segunda dose de outra vacina, completando a imunização.

Atualização 14/04

A Agência Sueca de Saúde Pública suspendeu o uso da vacina Johnson & Johnson (Janssen) Covid-19 enquanto aguarda a conclusão de uma investigação em andamento pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) antes de tomar uma decisão final, mas recomenda não usar as doses por enquanto.

Um total de 31.000 doses da vacina Johnson & Johnson chegaram à Suécia, mas nenhuma ainda foi distribuída aos administradores locais.

A Suécia deveria receber 1,2 milhão de doses da vacina Johnson & Johnson no primeiro semestre do ano, cerca de 10% de todas as doses. O coordenador de vacinas da Suécia, Richard Bergström, disse que a suspensão "não é uma catástrofe", em uma entrevista à agência de notícias TT na terça-feira (13), mas admitiu que terá um impacto no ritmo do esquema de vacinação do país.

A Suécia também está usando as vacinas Pfizer e Moderna, bem como a vacina da AstraZeneca, que atualmente está sendo administrada apenas a maiores de 65 anos.

Na Dinamarca, a vacina da AstraZeneca será retirada do programa de vacinação do país.

Atualização 14/04

Duas doses da vacina AstraZeneca Covid-19 apresentaram eficácia de apenas 10% contra infecções leves a moderadas causadas pela variante B.1.351 da África do Sul, de acordo com um ensaio clínico de fase 1b-2 publicado na terça-feira (13) no New England Journal of Medicine. Este é um motivo de grande preocupação, pois as variantes sul-africanas compartilham mutações semelhantes às outras variantes, deixando os vacinados com a vacina AstraZeneca potencialmente expostos a múltiplas variantes.

Atualização 16/04

A Ministra da Indústria da França disse acreditar que será altamente improvável que a UE busque novos contratos com a AstraZeneca e J&J para suas vacinas Covid, e diz que as discussões com a Pfizer e Moderna já começaram.

Falando na sexta-feira (16) à BFMTV, a Ministra da Indústria Agnes Pannier-Runacher fez uma avaliação franca da atitude da UE em relação às vacinas produzidas pela AstraZeneca e Johnson & Johnson.

“A decisão não está clara hoje, mas posso dizer que não iniciamos discussões com a AstraZeneca e com a Johnson & Johnson para um novo contrato, onde já iniciamos discussões para contratos com a BioNTech / Pfizer e com a Moderna”, disse Pannier-Runacher.

Ela acrescentou que é “altamente provável” que a UE opte por não renovar contratos com a AstraZeneca ou com a Johnson & Johnson.

Na quarta-feira (14), a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que os estados da UE receberiam 50 milhões de vacinas Covid-19 a mais produzidas pela Pfizer do que o planejado durante o segundo trimestre de 2021.

Em seu discurso, von der Leyen sublinhou o compromisso da UE de "focar nas tecnologias que provaram seu valor", uma provável referência ao fato de que as vacinas AstraZeneca e Johnson & Johnson usam um tipo diferente de tecnologia de vacina adotada pela Pfizer e Moderna.

As vacinas AstraZeneca e J&J foram associadas a tromboses, alguns casos fatais.

Vários países da UE restringiram o uso do imunizante britânico, enquanto a Dinamarca parou completamente de usá-lo. O lançamento da J&J ainda não começou no bloco de 27 países e a data de início foi suspensa enquanto ocorre uma revisão dos casos.

Atualização 22/04

Comissão Europeia confirma que não vai encomendar mais doses da vacina da AstraZeneca

Em uma entrevista coletiva na quinta-feira (22), um porta-voz da Comissão Europeia (CE) disse que nenhuma decisão foi tomada ainda quanto a iniciar uma ação legal contra a AstraZeneca por atraso nas entregas, mas confirmou relatos que a União Europeia decidiu não exercer a opção de compra de mais 100 milhões de doses da vacina da empresa.

O contrato da Comissão com a empresa farmacêutica anglo-sueca previa a entrega de 300 milhões de doses com opção de compra de mais 100 milhões. O porta-voz disse que essa opção expirou sem ser exercida e acrescentou que não há intenção da CE comprar mais vacinas da AstraZeneca, confirmando relatos anteriormente publicados na imprensa.

Atualização 23/04

Um painel do CDC recomendou em votação de 10-4 (com 1 abstenção ) a retomada do uso da vacina J&J, dizendo que acrescentará um alerta sobre coágulos, mas não restringirá seu uso, porque "os benefícios superam os riscos".

O painel analisou as evidências de 15 mulheres, sendo 13 com menos de 50 anos, que sofreram coágulos sanguíneos após receberem a injeção da Johnson & Johnson. Três morreram, sete permanecem hospitalizadas e cinco receberam alta.

Coágulos sanguíneos raros com plaquetas baixas estão ocorrendo a uma taxa de 7 por 1 milhão de vacinações em mulheres de 18 a 49 anos para a vacina da Johnson & Johnson e 0,9 por 1 milhão em mulheres com 50 anos ou mais, de acordo com um slide apresentado na reunião do painel do CDC.

Os coágulos sanguíneos são semelhantes aos relatados em alguns indivíduos que receberam a vacina covid-19 da AstraZeneca.

Durante a reunião desta sexta-feira, o Dr. Tom Shimabukuro, do CDC, disse que não houve relatos da condição em quem recebeu a vacina de mRNA da Pfizer-BioNTech. Houve três relatos de CVST em pessoas que receberam a vacina da Moderna, embora os pacientes não tivessem o nível baixo de plaquetas observado nos receptores da vacina da J&J e AstraZeneca.

A recomendação do painel abre caminho para que os reguladores dos EUA suspendam a pausa recomendada sobre o uso da vacina da J&J já neste fim de semana.

* Com informações do La Stampa, Público, The Local, RT

Leitura recomendada:

Veja também: