O comércio varejista paulista deve ter um Dia dos Namorados  com  movimento fraco, na previsão da Federação do Comércio do Estado de  São  Paulo (Fecomercio-SP). “Vai ser o Dia dos Namorados da  lembrancinha”,  resume o assessor econômica da federação Guilherme  Dietze. O desempenho  do comércio deve ser, de acordo com ele, semelhante  aos resultados do  Dia das Mães, a segunda data mais lucrativa para as  lojas.

Segundo  o economista, com o desemprego em alta e com pouca oferta de  crédito,  os casais devem ir às compras em busca de presentes que não  causem  impacto no orçamento. “A intenção de consumo das famílias vem se   reduzindo desde março. Mostra que o índice de desemprego elevado e a   inflação para alimentos e bebidas corrói o poder de compra e limita o   consumo de bens não essenciais”, explicou.

Como os bancos estão  restringindo o crédito e muitas pessoas já estão  com dificuldades de  pagar as dívidas, como mostram os índices de  inadimplência, a  tendência, na avaliação de Dietze, é que namoradas e  namorados optem  por itens que possam ser comprados à vista.  Historicamente, segundo o  economista, os setores de vestuário e calçados  são os que mais faturam  na data.

Desempenho em junho

Para  o mês de junho como um todo, o crescimento do varejo deve ficar,  na  projeção do economista, em 3% em relação ao mesmo mês do ano  passado.  Ele pondera, entretanto, que em 2018 toda a economia sofreu com  o  impacto da greve dos caminhoneiros. “Estamos falando de 3% sobre um  mês  que foi atípico”, enfatiza sobre o movimento fraco do período   anterior.

Os setores que ainda mantém um bom desempenho no  comércio do estado  são, segundo o economista, os supermercados e as  farmácias. “Basicamente  o essencial. Estão deixando de comprar os bens  duráveis e não estão  querendo se endividar”, disse sobre o  comportamento das famílias.

Além da falta de crédito, o economista  ressalta que a alta dos preços  dos alimentos têm pressionado os  orçamentos familiares. “A inflação de  alimentos e bebidas, que  corresponde, dependendo da faixa de renda, de  22% a 33% do orçamento  das famílias, é um impacto muito grande no  orçamento”, destacou.

A  partir da conjuntura, Dietze acredita que o varejo paulista deve   crescer 2% no ano, o dobro do que espera da economia em geral, com uma   alta de 1% no Produto Interno Bruto (PIB). “A gente não está vendo uma   perspectiva positiva neste ano para economia e para o consumidor. É um   cenário bem abaixo das expectativas, é um pouco frustrante”, diz.

* Edição:   Fernando Fraga