O comércio do Rio de Janeiro registrou queda de 27% das vendas no primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2019.

Esse foi o pior semestre da história do setor na Capital, segundo análise do Clube dos Diretores Lojistas (CDL Rio) e do Sindicato dos Lojistas do Rio de Janeiro (Sindilojas). As duas entidades representam mais de 30 mil estabelecimentos.

“Dentre os mais prejudicados, do ponto de vista da economia, estão os micro, pequenos e médios empresários que se acham na linha de frente das grandes vítimas da covid-19, que passam por momentos dramáticos, lutando desesperadamente para sobreviver. Além disso, a crise econômica é anterior à pandemia. Revela-se no elevado índice de desemprego, assim como na desordem urbana, na violência resiliente, na proliferação de camelôs, nas sequelas da corrupção desenfreada de governos anteriores”, destacou Gonçalves.

No ano passado, as vendas tiveram retração de -3% em relação a 2018, com resultados negativos em todos os meses. Em 2020, todas as datas comemorativas do primeiro semestre registraram quedas no Rio de Janeiro.

“Todos estão sofrendo as consequências da crise provocada pela pandemia. Neste cenário, o Rio de Janeiro foi um dos mais atingidos, ao contrário da maioria dos estados que experimentaram alguma recuperação”, disse Aldo Gonçalves.

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o comércio do Rio perdeu cerca de 55 mil postos de trabalho com carteira assinada no primeiro semestre de 2020.

Varejo brasileiro

Fonte: CNC Agosto/2020
Fonte: CNC Agosto/2020

Desde o início da pandemia de Covid-19, o comércio brasileiro já deixou de faturar R$ 286,4 bilhões, de acordo com cálculos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo o Sumário Econômico nº1.632 da CNC, "preservada a tendência de gradual abertura dos estabelecimentos comerciais, o setor deverá continuar a apresentar perdas menos acentuadas nos comparativos interanuais no decorrer dos próximos meses. A velocidade de recuperação do setor dependerá, em última instância, da capacidade regenerativa do mercado de trabalho e do resgate no nível de confiança dos consumidores até o fim de 2020. A extensão do Auxílio Emergencial nos moldes atuais até dezembro também poderá acelerar o processo de recuperação das vendas".

Nesse cenário, a CNC prevê uma retração de 4,7% do volume de vendas do comércio varejista, neste ano. Para o conceito ampliado, a entidade projeta um recuo de 6,9%.

Retomada

A proporção de famílias com dívidas cresceu durante a pandemia, com o endividamento alcançando novo recorde histórico no País, em julho (67,4%). No
entanto, a trajetória crescente do endividamento já era observada antes da crise.

"Indicadores recentes têm demonstrado sinais de alguma recuperação gradual da economia a partir de maio e junho. No entanto, ainda permanecem incertezas sobre a retomada, uma vez que a proporção de consumidores endividados no País é elevada", diz o informe da CNC.

* Com informações da Agência Brasil, CNC

Veja também:

Leitura recomendada: