"Transmissões aerotransportadas" são definidas como gotículas de aerossol menores que 5 micrômetros de diâmetro. Os aerossóis podem causar mais danos quando inalados porque alcançam maior profundidade nos pulmões.

Um artigo publicado no New England Journal of Medicine, em meados de março, concluiu que as pessoas podem adquirir o vírus pelo ar. O estudo realizado por cientistas da Princeton University, University of California Los Angeles e US National Institutes of Health disse que o vírus era detectável em aerossóis por até três horas.

A OMS observou que o estudo foi modelado em um procedimento de geração de aerossol induzido experimentalmente que não refletia um cenário clínico, mas concedeu que transmissão aérea é possível "em circunstâncias e configurações específicas nas quais os procedimentos que geram aerossóis são realizados", como quando um paciente é intubado em um hospital ou desconectado do ventilador.

Um estudo da Universidade do Nebraska, publicado na sexta-feira (27/03) antes de ser revisto, amplia o entendimento da OMS em espaços hospitalares.

Pesquisadores do University of Nebraska Medical Center e do National Strategic Research Institute at the University of Nebraska coletaram amostras de  11 quartos do centro médico onde 13 casos confirmados estavam sendo tratados.

Cerca de 80% de todos os itens pessoais amostrados foram positivos para RNA SARS-CoV-2 por PCR: equipamentos médicos (espirômetro, oxímetro de pulso, cânula nasal), telefones celulares, notebooks, tablets, controles remotos, óculos de leitura; assim como 80% das amostras dos banheiros e de todas as superfícies amostradas dos quartos: mesas de cabeceira, trilhos da cama, janela, piso sob os leitos, grelhas de ventilação.

Além de encontrar material genético do coronavírus nos banheiros, quartos, e nos itens do dia a dia, 70% das amostras de ar coletadas nos quartos e nos corredores também mostraram traços.

Eles descobriram a maior concentração do genoma do vírus a 2 metros de um paciente que recebia oxigênio através de um tubo nasal e as amostras positivas no local apresentaram traços mais altos do que os obtidos nos corredores.

Tomados em conjunto, os dados indicam contaminação ambiental significativa em espaços hospitalares onde são tratados pacientes infectados com SARS-CoV-2, independentemente do grau de sintomas. Existe contaminação em todos os tipos de amostras: em alto e baixo volume de ar, bem como amostras de superfície de itens pessoais, quartos e banheiros.

O estudo conclui que a doença é transmitida por contato direto (gotícula e pessoa a pessoa) e contato indireto (objetos contaminados e transmissão aérea), recomendando precauções rigorosas de isolamento aéreo para o pessoal de saúde, e limpeza minuciosa de todas as superficies de instalações hospitalares, incluindo paredes, janelas e grelhas de ar.

A literatura recente que investiga o aerossol expirado humano indica que uma fração significativa tem menos de 10 μm de diâmetro em todos os tipos de atividades (por exemplo, respirar, falar, tossir) e que a doença respiratória aumenta a produção de partículas de aerossol. Juntos, esses resultados sugerem que o vírus expelido de indivíduos infectados, incluindo aqueles que estão apenas levemente doentes, podem ser transportados por processos em aerossol em seus locais mesmo na ausência de tosse. O aerossol infeccioso pode persistir por várias horas e quando depositado em superfícies, por dias.

Atualização 03/04: Um grupo de especialistas presidido por David Heymann, Diretor-Geral Adjunto de Segurança Sanitária e Meio Ambiente da OMS – Organização Mundial da Saúde (WHO), vai reavaliar quem deve usar máscaras e analisar novos dados que estimam que o vírus possa ser projetado mais longe do que se pensava, após um estudo norte-americano sugerir que o vírus projetado pela tosse atinja seis metros e pelos espirros oito.

* Com informações do South China Morning Post, medrxiv.org, Correio da Manhã

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