O documento "Conquistando a vitória sobre a COVID-19", supostamente da Impact Research e assinado por Molly Murphy e Brian Stryker, foi vazado na Internet na forma de imagens.

"Depois de dois anos que exigiram lockdowns, proibições de viagens, fechamentos de escolas, mandatos de máscaras e quase um milhão de mortes, quase todos os americanos finalmente têm as ferramentas para se proteger desse vírus. É hora dos Democratas tomarem crédito por acabar com a fase de crise da COVID, apontarem vitórias importantes como a distribuição de vacina e fornecer estabilidade econômica aos americanos, e entrarem plenamente na fase de reconstrução que vem após qualquer guerra", diz a introdução.

O relatório da empresa de consultoria é composto por uma lista de posições que devem ser adotadas pelos Democratas e busca explicar o motivo de cada ação recomendada, como por exemplo:

"Pare de falar sobre restrições e o futuro desconhecido pela frente. Se nos concentrarmos em quão ruins as coisas ainda são e quão piores elas poderiam ficar, estabelecemos os Democratas como fracassos incapazes de navegar por isso", alerta o documento vazado.

"Reconheça que as pessoas estão 'desgastadas' e sentindo danos reais das restrições por anos e tome seu lado. A maioria dos americanos saiu do modo de crise. Duas vezes mais eleitores estão agora mais preocupados com o efeito da COVID na economia (49%) do que com alguém da família ou alguém que eles conhecem que está infectado com o coronavírus (24%)", escrevem os consultores.

"Dois terços dos pais e 80% dos professores dizem que a pandemia causou perda de aprendizagem, e os eleitores estão esmagadoramente mais preocupados com a perda de aprendizagem do que as crianças pegarem COVID. Seis em cada dez americanos se descrevem como "desgastados" pela pandemia. Quanto mais falamos sobre a ameaça da COVID e restringir onerosamente a vida das pessoas por causa disso, mais as viramos contra nós e mostramos que estamos fora de contato com suas realidades diárias", diz o relatório.

"Admita que a COVID ainda existe e continuará existindo [...] reconhecendo que a ameaça da COVID não é mais o que era mesmo há um ano e, portanto, não deve ser tratada como tal - fechamentos, máscaras e lockdowns foram feitos para salvar vidas quando ainda não havia uma vacina que pudesse fazer isso. Os eleitores sabem que agora temos as ferramentas para ser responsável no combate e convivência com a COVID", diz um trecho do documento.

"Quando 99% dos americanos podem ser vacinados, causamos mais danos do que evitamos com os eleitores, entrando no terceiro ano falando sobre restrições. E, se os Democratas continuarem a manter uma postura que priorize as precauções da COVID sobre aprender a viver em um mundo onde a COVID existe, mas não domina, eles correm o risco de pagar caro por isso em novembro", enfatiza a empresa, em referência às eleições americanas deste ano.

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A Associated Press (AP) noticiou nesta segunda-feira que as máscaras agora são opcionais para o discurso do Presidente Joe Biden sobre o Estado da União na terça-feira (28), já que o Congresso está levantando sua exigência no plenário da Câmara depois que os reguladores federais aliviaram as diretrizes na semana passada, em uma reformulação da estratégia do país para se adaptar à vida com o vírus da covid-19.

"O Gabinete do Médico Assistente do Congresso anunciou a mudança de política no domingo, levantando uma exigência que está em vigor há grande parte dos últimos dois anos e se tornou um ponto de inflamação partidário no Capitólio. A mudança antes do discurso evitará uma potencial demonstração disruptiva de tensões nacionais e frustração enquanto Biden tenta empurrar o país para ir além da pandemia", disse a agência noticiosa americana.

O uso de máscaras ainda será uma escolha pessoal no Congresso e precauções especiais estarão em vigor para o discurso de Biden, que ao contrário do ano passado será aberto a todos os membros. Todos os participantes serão obrigados a fazer um teste para infecção por SARS-CoV-2 antes de entrar.

A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, anunciou no início deste mês diretrizes que incluíam a obrigariedade do uso de máscaras durante o evento que "resultariam na remoção do participante" em caso de violação.

"A orientação descontraída vem quando Biden pretende usar suas observações para destacar o progresso contra a covid-19 feito ao longo do último ano, incluindo vacinação e terapêutica, e guiar o país para uma 'nova fase' da resposta ao vírus que não é impulsionada por medidas de emergência e se parece mais com a pré-pandemia", escreveu a ABC News.

Os assentos para o primeiro discurso de Biden em uma sessão conjunta do Congresso, em abril passado, foram limitados a cerca de 200 – cerca de 20% da capacidade normal para uma apresentação presidencial – e assessores da Casa Branca temiam que uma repetição seria uma imagem dissonante da mensagem do presidente destinada ao povo americano.

"Eu acho que você vai ver isso parecer muito mais com um estado normal da união do que o discurso conjunto do presidente", disse o Chefe de Gabinete da Casa Branca, Ron Klain, no sábado. "Vai parecer a coisa mais normal que as pessoas já viram em Washington há muito tempo”.

Pode-se imaginar que Biden e o Partido Democrata estarão seguindo estritamente a ciência do documento vazado, transcrito integralmente mais abaixo, que encerra o "teatrinho covid" em busca de recuperação eleitoral do partido.

Biden é o presidente com a pior avaliação positiva (37%) na história dos Estados Unidos. Depois da humilhação da saída dos militares americanos do Afeganistão e assassinato de uma família afegã e, em meio à crise da imigração, maior inflação nos últimos 40 anos, a dependência energética americana e a explosão no preço de combustíveis, mandatos barrados nos tribunais, lockdowns, fraudes científicas dos CDC – um braço político do Governo Biden, e tudo o mais, resta fabricar o "fim da pandemia", quando o número de óbitos bate recordes na comparação intranual, e um conflito evitável entre Rússia e Ucrânia, creditado aos EUA, lembrando ainda que a administração Obama/Biden promoveu um golpe de estado na Ucrânia em 2014 que derrubou o governo eleito daquele país, então alinhado à Rússia.

Óbitos diários por covid-19 nos Estados Unidos.
Óbitos diários por covid-19 nos Estados Unidos.

Atualização 27/02/2022

Califórnia, Oregon e Washington deixarão de exigir máscaras nas escolas após 11 de março, disseram os governadores dos três estados nesta segunda-feira (27) em uma declaração conjunta, destaca o New York Times.

A Califórnia também levantará seu mandato de máscara para pessoas não vacinadas em ambientes públicos na terça-feira.

"Como ficou claro várias vezes nos últimos dois anos, a covid-19 não para nas fronteiras do estado ou nas linhas do condado", disse a governadora Kate Brown, do Oregon, no comunicado. "Juntos, à medida que continuamos a nos recuperar da onda de Omicron, construiremos resiliência e nos prepararemos para a próxima variante e a próxima pandemia".

Todos os três governadores são Democratas.

As máscaras, inúteis na contenção do SARS-CoV-2, passaram de alerta para as pessoas tomarem cuidado na pandemia para lembrança do fracasso das medidas decretadas por governantes no combate ao vírus e os prejuízos que causaram.

Transcrição

February 24, 2022

To: Interested Parties
Fr: Molly Murphy, Brian Stryker
Re: Taking the Win over COVID-19

After two years that necessitated lockdowns, travel bans, school closures, mask mandates, and nearly a million deaths, nearly every American finally has the tools to protect themselves from this virus. It's time for Democrats to take credit for ending the COVID crisis phase of the COVID war, point to important victories like vaccine distribution and providing economic stability to Americans, and fully enter the rebuilding phase that comes after any war.

Below we lay out some strategic thoughts for Democrats positioning themselves on COVID-19 after nearly two years of the pandemic:

  • Declare the crisis phase of COVID over and push for feeling and acting more normal. Thanks to Democrats, we are nowhere near where we were two years, or even on year ago. Democrats have a tremendous opportunity to claim an incredible, historic success -- the vaccinated hundreds of millions of people, prevented the economy from going into freefall, kept small businesses from going under, and got people back to work safely. Because of President Biden and Democrats we CAN safely return to life feeling much more normal -- and they should claim that proudly.
  • Recognize that people are "worn out" and feeling real harm from the years-long restrictions and take their side. Most Americans have personally moved out of crisis mode. Twice as many voters are now more concerned about COVID's effect on the economy (49%) than about someone in their family or someone they know becoming infected with the coronavirus (24%). Two-thirds of parents and 80% of teachers say the pandemic caused learning loss, and voters are overwhelmingly more worried about learning loss than kids getting COVID. Six in ten Americans describe themselves as "worn out" by the pandemic. The more we talk about the threat of COVID and onerously restrict people's lives because of it, the more we turn them against us and show them we're out of touch with their daily realities.
  • Acknowledge COVID still exists and likely will for a long time. We are not advising that Democrats talk like the Republicans that have largely ignored the pandemic, even pre-vaccine. Declaring a return to the "new normalcy" does not mean ignoring that people will continue to get it, that we shouldn't be responsible, or that we should turn our backs on the medical community that is treating those sick and developing the therapeutics that will save lives. Instead, it means recognizing that the threat of COVID is no longer what is was even a year ago and therefore should not be treated as such -- shutdowns, masks, and lockdowns were meant to save lives when there was not yet a vaccine that could do that. Voters know we now have the tools in the toolkit to be responsible in combatting and living with COVID -- vaccines and booster to minimiza illness, and masks and social distancing around vulnerable groups.
  • Don't set "COVID zero" as the victory condition. Americans also don't think victory is COVID Zero. They think the virus is here to stay, and 83% say the pandemic will be over when it's a mild illness like the flu rather than COVID being completely gone, and 55% prefer that COVID should be treated as an endemic disease. And that's what most Americans are dealing with – a disease with fatality rates like the flu – because most of us took the personal responsibility to protect ourserves and our families by getting vaccinated. Americans also assume they will get COVID: 77% agree that "is is inevitable that most people in the US will eventually get COVID-19", and 61% of Americans who have never tested positive think they are likely to be infected over the next year. And thanks to the work Democrats have done over the past year, despite believing contracting COVID is inevitable, most Americans are no longer fearful.
  • Stop talking about restrictions and the unknown future ahead. If we focus on how bad things still are and how much worse they could get, we set Democrats up as failures unable to navigate us through this. When 99% of Americans can get vaccinated, we cause more harm than we prevent with voters by going into our third year talking about restrictions. And, if Democrats continue to hold a posture that prioritizes COVID precautions over learning how to live in a world where COVID exists, but does not dominate,  they risk paying dearly for it in November.

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