"Quanto à situação na Ucrânia, a China [...] insiste que os EUA e outros Estados ocidentais parem de alimentar o fogo e parem de aumentar as sanções unilaterais [contra a Rússia]", ressaltou Zhao Lijian durante uma coletiva de imprensa.

O diplomata chinês disse que Pequim "está usando vários canais" para manter contatos com todos os lados interessados.

"Pedimos um cessar-fogo e o fim das hostilidades", enfatizou o diplomata.

Atualização 03/06/2022

Na terça-feira (31/05), o New York Times publicou um artigo de Christopher Caldwell no qual ele criticou o governo Biden por "fechar caminhos de negociação e trabalhar para intensificar a guerra", enviando mais e mais armas para Kiev.

"Os Estados Unidos estão tentando manter a ficção de que armar seus aliados não é a mesma coisa que participar do combate", escreveu Caldwell, ressaltando que essa distinção está ficando "cada vez mais artificial" na era da informação.

Um dia depois, o chefe do Comando Cibernético dos EUA admitiu ter conduzido operações ofensivas contra a Rússia em nome da Ucrânia.

Os EUA "deram aos ucranianos motivos para acreditar que podem prevalecer em uma guerra de escalada", escreveu Caldwell, razão pela qual não estão ansiosos para fazer as pazes. De fato, quando ninguém menos que Henry Kissinger tentou argumentar em Davos por resolver o conflito rapidamente, o gabinete de Zelensky o amaldiçoou. Ele logo foi designado inimigo do Estado ucraniano.

"Os Estados Unidos ajudaram a transformar esse conflito trágico, local e ambíguo em uma potencial conflagração mundial", disse Caldwell no ensaio A Guerra na Ucrânia pode ser impossível de parar. E os EUA merecem muito da culpa.

"Vem aí uma eleição [americana]. Então a administração [Biden] está fechando caminhos de negociação e trabalhando para intensificar a guerra. Estamos nessa para ganhar. Com o tempo, a enorme importação de armas mortais, incluindo a da recém-autorizada alocação de US$ 40 bilhões, poderá levar a guerra a um nível diferente. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou em um discurso aos estudantes este mês que os dias mais sangrentos da guerra estavam por vir", concluiu Caldwell.

Anteriormente, houve pedidos para que uma rampa de saída fosse fornecida – embora poucos e distantes entre si, e perdidos em meio à cacofonia contínua da torcida da imprensa para Kiev. Em 18 de maio, Charles Kupchan, do Conselho de Relações Exteriores, aconselhou a Ucrânia nas páginas do The Atlantic a "aceitar a vitória".

"A Rússia já sofreu uma derrota estratégica decisiva", escreveu. "Tanto para a OTAN quanto para a Ucrânia, a prudência estratégica argumenta a favor de embolsar esses sucessos em vez de pressionar a luta e correr os riscos equivalentes". A OTAN, acrescentou Kupchan, deve aconselhar o governo ucraniano sobre como acabar com o derramamento de sangue, e logo.

O conselho editorial do New York Times ecoou o argumento, dizendo que uma vitória ucraniana decisiva sobre a Rússia "não era um objetivo realista" e que Biden deveria dizer a Zelensky que há um limite.

A julgar pelas declarações oficiais vindas tanto da Casa Branca quanto de Kiev, a conversa aconselhada nunca aconteceu.

Atualização 05/06/2022

"Na minha opinião, toda este espalhafato sobre entregas adicionais de armamentos geralmente segue o único objetivo de esticar o conflito armado o maior tempo possível", disse o presidente russo Vladimir Putin no programa Vesti Nedeli (Notícias da Semana) da estatal Rossiya-1, em entrevista neste domingo (5).

O chefe de Estado disse que as entregas de sistemas de foguetes de lançamento múltiplos dos EUA para a Ucrânia não mudam nada, uma vez que Kiev anteriormente tinha um estoque desses armamentos, incluindo foguetes deste alcance, e está simplesmente reabastecendo seu arsenal.

"Não há nada de novo", disse Putin. "Todos são sistemas de lançamento múltiplo de foguetes e o exército ucraniano opera sistemas de foguetes Grad, Smerch e Uragan, fabricados na União Soviética e na Rússia".

O líder russo explicou que o alcance "depende dos foguetes que são usados e não do sistema [de lançamento] em si".

"O que ouvimos hoje e o que entendemos são foguetes que alcançam uma distância de 45-70 km, dependendo do tipo de foguete. O mesmo acontece com os sistemas de foguetes Grad, Uragan e Smerch que falei. Eles também têm o alcance de 40-70 km e não há nada de novo nisso".

"É por isso que essas entregas dos Estados Unidos e de alguns outros países só podem estar relacionadas com a intenção de ajudar Kiev a compensar as perdas de seu armamento de combate em batalhas", disse Putin.

O estoque de combate do exército ucraniano incluiu cerca de 515 sistemas de foguetes no início da operação especial na Ucrânia e 380 deles foram eliminados, detalhou o presidente russo. "Agora, uma parte deles foi restaurada e alguns foram retirados dos estoques e, pelo que entendemos, eles têm atualmente cerca de 360 desses sistemas".

Putin também comentou sobre as garantias de Kiev para o Ocidente de que esses sistemas de foguetes não serão usados contra o território da Rússia.

"É algo que não tem nada a ver com confiança ou desconfiança para o regime ucraniano porque depende dos tipos de foguetes que os americanos fornecerão".

O governo dos EUA anunciou em 1º de junho que fornecerá um novo pacote de ajuda militar à Ucrânia que inclui a entrega de armas HIMARS (High Mobility Artillery Rocket System). O primeiro lote incluiria quatro sistemas de foguetes.

Os EUA decidiram equipar a Ucrânia apenas com foguetes de médio alcance. Os sistemas HIMARS, mais especificamente o M142, permitem lançamentos de foguetes que podem atingir alvos a um máximo de 80 quilômetros de distância.

Em artigo publicado na terça-feira (31) no jornal The New York Times, Biden confirmou que decidiu "fornecer aos ucranianos sistemas de mísseis e munições mais avançados que permitirão que eles ataquem com mais precisão alvos-chave no campo de batalha na Ucrânia".

"Não estamos encorajando ou permitindo que a Ucrânia ataque além de suas fronteiras. Não queremos prolongar a guerra apenas para infligir dor à Rússia", escreveu o presidente americano.

Na segunda-feira ele já havia afirmado que os Estados Unidos não enviariam à Ucrânia "sistemas de mísseis que poderiam atingir a Rússia".

A Ucrânia havia pedido no começo de maio que os EUA enviassem dois tipos de lançadores de mísseis de alto alcance: o M142 Himars e o M270 MLRS.

Os Estados Unidos já entregaram canhões M777 howitzers de 155 mm, um armamento de alto poder destrutivo e que atinge alvos a 40 quilômetros de distância com margem de erro de 4 metros.

Atualização 06/06/2022

O Secretário da Defesa do Reino Unido, Ben Wallace, comunicou decisão do Governo Boris Johnson de fornecer à Ucrânia o sistema de lançamento múltiplo de foguetes de médio alcance M270 MLRS (Multiple Launch Rocket System).

M270 Multiple Launch Rocket System (MLRS)
M270 Multiple Launch Rocket System (MLRS)

O M270 foi desenvolvido em 1977 pela Boeing e Vought Aerospace, em conjunto com o Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha Ocidental, França e Itália.

Desde que os primeiros M270 foram entregues ao Exército dos EUA em 1983, o MLRS foi adotado por vários países da OTAN. Cerca de 1.300 sistemas M270 foram fabricados nos Estados Unidos e na Europa, juntamente com mais de 700.000 foguetes. A produção do M270 terminou em 2003.

O Reino Unido já entregou mais de 5.000 armas anti-tanque, mísseis de curto alcance Brimstone 1, veículos blindados Mastiff e sistemas de defesa aérea de mísseis Starstreak – com o apoio militar global à Ucrânia custando 750 milhões de libras até agora, disse o governo.

Os EUA e o Reino Unido lideram o fornecimento de armas para a Ucrânia.

Atualização 15/06/2022

A Alemanha fornecerá à Ucrânia três sistemas de lançamento múltiplo de foguetes nos próximos meses, confirmou a Ministra da Defesa Christine Lambrecht à margem de uma reunião da OTAN nesta quarta-feira (15). O número caiu de quatro para três por falta de munições, de acordo com o Business Insider.

Os sistemas Marte-II virão dos arsenais da Bundeswehr, as forças armadas alemãs, disse Lambrecht.

O Business Insider relatou que os lançadores não conseguem disparar uma parte significativa de sua munição devido à falta de atualizações de software, planejadas para o final deste ano. A entrega só foi possível porque os EUA concordaram em fornecer munição adicional. O revés técnico significa que menos da metade dos sistemas Mars-II possuídos pela Bundeswehr estão operacionais.

O Mars-II é uma modificação do M270 MLRS fabricado nos EUA. A Bundeswehr diz em seu site que os lançadores Mars-II são capazes de atingir alvos “com precisão” a uma distância de até 84 quilômetros, embora o fabricante do armamento KMW especifique um alcance de 70 quilômetros.

No início de junho, a edição alemã do Business Insider informou que Berlim teria que superar vários obstáculos antes de entregar grande parte do armamento prometido a Kiev.

Os sistemas de defesa aérea IRIS-T SL  não chegarão antes do final do ano, afirmou o site, e um acordo de armas com a Grécia pode ser desfeito por uma potencial escalada de tensões entre Atenas e a Turquia.

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