"A OTAN continua a expandir seu escopo geográfico e a gama de operações e se engaja na política e no confronto do bloco. Isso não conduz à segurança e estabilidade globais", enfatizou o comunicado.

"Pedimos à OTAN que abandone a mentalidade e o viés ideológico da Guerra Fria, respeite a soberania, a segurança, os interesses, bem como a diversidade de civilizações, história e cultura de outros países".

A nota observa que "a OTAN é um remanescente da Guerra Fria", acrescentando que "a China acredita que a segurança regional não deve ser garantida pelo fortalecimento ou expansão de blocos militares".

De acordo com o comunicado, a OTAN deve "fazer mais para aumentar a confiança mútua entre os países e manter a paz e a estabilidade regionais".

Na segunda-feira (7), em entrevista coletiva em Bruxelas, o Secretário-Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, disse que uma declaração conjunta emitida pela China e pela Rússia, após a reunião dos dois líderes em Pequim, deve ser vista como uma tentativa de negar às nações soberanas o direito de fazer suas próprias escolhas, e reafirmou que as portas da aliança permanecem abertas.

Na semana passada, o presidente russo, Vladimir Putin, participou da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim. Na sexta-feira (4), ele se encontrou com o líder chinês XI Jinping. Durante as conversações, foi adotada a declaração conjunta de Moscou e Pequim sobre as relações internacionais, que entram em uma nova era, e sobre o desenvolvimento global sustentável.

OTAN

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), é uma instituição militar, criada durante o contexto inicial da Guerra Fria, que representava um tratado de defesa mútua entre os países-membros: um ataque armado contra um ou mais dos membros é considerado um ataque contra todos eles.

Com o surgimento da OTAN, países comunistas do Leste Europeu consolidaram uma organização com fins de integração militar, conhecida como Pacto de Varsóvia.

A União Soviética se fragmentou no início dos anos 1990, e o Pacto de Varsóvia foi desfeito. A Guerra Fria tinha terminado.

A OTAN assumiu, então, novos papéis. Nos anos 1990, ela se envolveu em um conflito na região dos Bálcãs, no sudeste da Europa. Seus aviões bombardearam forças sérvias que ameaçavam outros grupos étnicos no território da então Iugoslávia. Destacam-se ainda a invasão do Afeganistão, em 2001; a Guerra do Iraque, em 2003; e a intervenção na guerra civil da Líbia, em 2011.

Em resposta ao avanço da OTAN (em azul), em setembro de 2018 a Rússia mobilizou 300 mil soldados e contingentes da China e da Mongólia no maior exercício militar desde 1981.

Dos atuais 30 países-membros, dois estão localizados na América do Norte (Canadá e Estados Unidos) e 28 estão na Europa – incluindo três ex-repúblicas soviéticas. Três dos membros da OTAN são nações com armas nucleares: França, Reino Unido e Estados Unidos.

A aliança militar é composta pela Albânia, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Macedônia do Norte, Montenegro, Noruega, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Turquia.

Uma das principais causas do aumento da pressão no Leste Europeu é a firme oposição da Rússia à possibilidade da Ucrânia ingressar na OTAN.

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