Atualização 27/08 - O Departamento de Defesa dos EUA disse na quinta-feira (27) que os lançamentos de mísseis balísticos no Mar da China Meridional foram uma ameaça à paz e à segurança na região. Confirmando relatos de que a China havia lançado até quatro mísseis balísticos durante exercícios militares em torno das Ilhas Paracel, o Pentágono disse que a ação coloca em questão o compromisso da China em 2002 de evitar atividades provocativas nas águas disputadas.

A China lançou dois mísseis, incluindo um “assassino de porta-aviões”, na manhã desta quarta-feira (26), ação interpretada como inequívoca mensagem aos Estados Unidos, após um suposto avião espião americano alegadamente ter se aproximado no dia anterior de um exercício naval chinês no Mar da China Meridional.

Um míssel DF-26B foi disparado da província de Qinghai, no noroeste da China, enquanto um DF-21D foi lançado da província de Zhejiang, no leste.

O DF-26 tem um alcance de 4.000 km e pode ser usado em ataques nucleares ou convencionais contra alvos terrestres e navais. O míssil é chamado de Guamkiller devido à sua capacidade de alcançar a ilha de Guam, que abriga inúmeras bases militares dos Estados Unidos.

O DF-21 tem um alcance de 1.800 km, com a imprensa estatal descrevendo o mais avançado da série, o DF-21D, como o primeiro míssil balístico anti-navios do mundo.

Reinvidicações no Mar da China Meridional  © Voice of America
Reinvidicações no Mar da China Meridional © Voice of America

Os impactos ocorreram em águas disputadas do Mar da China Meridional, entre a província de Hainan e as Ilhas Paracel, dentro de uma zona que as autoridades de segurança marítima de Hainan disseram na sexta-feira (21) que estaria fora dos limites devido a exercícios militares de segunda a sábado.

Song Zhongping, um comentarista militar baseado em Hong Kong, disse que os lançamentos dos mísseis visaram enviar um sinal aos Estados Unidos, de que mesmo porta-aviões não podem usar seu poderio bélico próximo da costa da China.

Além dos porta-aviões, os Estados Unidos enviaram vários caças e navios militares para vigiar de perto as atividades chinesas.

Os exercícios militares chineses geraram inquietação entre seus vizinhos. O Vietnã pediu à China que cancelasse suas manobras militares nas Ilhas Paracel, dizendo que elas violavam a soberania do Vietnã e eram prejudiciais às negociações China-Asean sobre um código de conduta do Mar da China Meridional.

Disputas territoriais

As disputas territoriais no Mar da China Meridional envolvem reivindicações de ilhas e áreas marítimas por Estados soberanos na região, como Brunei, China, Malásia, Filipinas e Vietnã. Nações que não possuem intenções de apropriar-se da área desejam que o local permaneça como águas internacionais, como os Estados Unidos, que conduzem operações de liberdade de navegação na região.

Há disputas relativas a ilhas, como as Ilhas Spratly e Ilhas Paracel, bem como em áreas marítimas e locais próximos ao mar, como o Golfo de Tonkin. Estão também em disputa as Ilhas Natuna, atualmente sob administração da Indonésia. Os interesses dos países incluem principalmente a aquisição das áreas em torno do grupo de ilhas Spratly e Paracel, com potencial de exploração de petróleo e gás natural, assim como controle estratégico das rotas de navegação.

* Com informações do South China Morning Post, Wikipédia

Veja também: