A Comissão de Tarifas Aduaneiras do Conselho de Estado chinês excluirá alguns produtos agrícolas, como soja e carne de porco, das tarifas adicionais sobre produtos norte-americanos, disseram fontes oficiais nesta sexta-feira (13), informa a Xinhua.

O gigante asiático impôs tarifas adicionais de 25% aos produtos agrícolas dos EUA, incluindo soja e carne de porco, em julho do ano passao, e anunciou aumentos de tarifas de soja em 5% e de suíno em 10% no dia 1º deste mês.

A medida ocorreu depois que os Estados Unidos decidiram fazer ajustes nas tarifas adicionais a serem impostas aos produtos chineses em 1º de outubro.

Segundo a agência Xinhua, fontes do Ministério do Comércio e da Comissão Nacional de Desenvolvimento disseram que o governo chinês apoia empresas chinesas na compra de uma certa quantidade de soja, carne de porco, e outros produtos agrícolas dos EUA, seguindo regras de mercado e da Organização Mundial do Comércio, no mais recente sinal de atenuação das tensões sino-americanas.

A China tem um mercado consumidor enorme e as perspectivas de importação de produtos agrícolas de alta qualidade nos EUA são amplas. A China espera que os Estados Unidos cumpram sua palavra, avancem em seus compromissos e criem condições favoráveis à cooperação agrícola bilateral, disseram à Xinhua fontes do governo chinês.

Nesta sexta-feira, o governo americano divulgou a venda de 200 mil toneladas de soja para a China.

“Existe de fato um rumor de que os  Estados Unidos tenham negociado 600 mil toneladas, mas até o momento o  USDA anunciou apenas 204 mil. Isso não quer dizer que na próxima semana não sejam anunciadas novas vendas. Fazia bastante tempo que a China não comprava volumes relevantes de soja dos EUA”, disse o analista  Luiz Fernando Gutierrez, da Safras e Mercado, ao Canal Rural.

Estima-se que a China poderá comprar 1-2 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos.

O embarque da soja americana ocorre no período do ano em que os estoques brasileiros do grão estão normalmente baixos.

Segundo a consultoria INTL FCStone, com o crescimento da produção brasileira de carnes, e o aumento do percentual obrigatório na composição do biodiesel, a expectativa é que a demanda doméstica de soja atinja 46,5 milhões de toneladas. A previsão da consultoria para a safra 2019/2020 é de 121,4 milhões de toneladas, com exportação de 75 milhões de toneladas (*), e estoques finais da safra estimados em apenas 1,6 milhão de toneladas.

(*) As exportações de soja recuaram para 5,3 milhões de toneladas no mês passado, contra 8,1 milhões de toneladas em agosto de 2018. De janeiro a agosto de 2019, os embarques de soja em grão somaram em torno de 57 milhões de toneladas.

Peste Suína Africana (PSA)

Maior importadora global de soja, a China está comprando menos neste ano por conta do impacto da peste suína africana nas criações. O país enfrenta 157 focos da doença em 31 províncias e Hong Kong, e já eliminou 1,2 milhão de suínos, de acordo com dados do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China.

No Vietnã, a epidemia atinge 63 províncias e o número de abates sanitários ultrapassa 4,7 milhões de animais.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou, nesta sexta-feira (13), que foram reportados 346 focos da doença espalhados pela Ásia e quase 6 milhões de suínos já foram sacrificados na região.

Os dados da FAO divergem das estimativas de mercado, por serem contabilizados somente os números divulgados pelos órgãos oficiais de cada país.

A PSA não acomete o homem, sendo exclusiva de suídeos domésticos e asselvajados (javalis e cruzamentos com suínos domésticos).

* Com informações da Xinhua, USDA, Canal Rural, INTL FCStone, FAO, Embrapa.

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