Os astronautas estarão viajando na espaçonave Shenzhou-12 lançada por um foguete Longa Marcha-2F Y12 previsto para decolar nesta quarta-feira (16) às 22:22 (horário de Brasília) do centro de lançamento de Jiuquan, no noroeste da China.

A Shenzhou-12 irá atracar em Tianhe, a seção principal da estação de Tiangong que foi colocada em órbita em 29 de abril. A nave de carga Tianzhou-2 transportou no mês passado combustível, alimentos e equipamentos para a missão tripulada.

A nova estação espacial Tiangong (Palácio Celestial) é formada por um módulo principal – Tianhe, e dois módulos laboratórios – Wentian e Mengtian.

A estação operará na órbita baixa da Terra, a uma altitude de 340 km a 450 km.

Tianhe atuará como centro de gerenciamento e controle da estação, podendo atracar até três espaçonaves para estadias curtas, ou duas para longas.

Reprodução: © CCTV/rede social
Reprodução: © CCTV/rede social

A estação pode acomodar seis astronautas e oferece cerca de 100 metros cúbicos de espaço para morar e trabalhar – no módulo principal há zonas para trabalho, descanso, higiene, alimentação, saúde e exercícios.

Os braços mecânicos instalados na estação espacial ajudarão os tripulantes nos trabalhos de montagem, operação e manutenção.

Os três membros da primeira tripulação dizem que estão ansiosos para começar a trabalhar para tornar habitável a estação espacial pelos próximos três meses.

“Em primeiro lugar, precisamos organizar nossa casa no módulo principal e, em seguida, iniciar uma ampla gama de testes de diagnóstico em tecnologias e experimentos cruciais”, disse o comandante da missão Nie Haisheng, 56, que está fazendo sua terceira viagem ao espaço.

Liu Boming, 54, cujo único voo anterior em 2008 incluiu a primeira caminhada espacial da China, disse que haveria várias atividades durante a missão, à medida que os astronautas realizam seus experimentos científicos, conduzem a manutenção e preparam o módulo central Tianhe para receber dois outros módulos a serem enviados no próximo ano.

Tang Hongbo, de 45 anos, que está fazendo seu primeiro vôo, disse que vinha treinando virtualmente há anos. “Há pressão”, disse Tang. “Mas onde há pressão, há motivação e ... Tenho confiança em mim mesmo e na nossa equipe”.

A missão é o primeiro vôo espacial tripulado da China em quase cinco anos e uma questão de prestígio para o governo, que se prepara para marcar o 100º aniversário do partido comunista no poder em 1º de julho.

A estadia mais longa de astronautas chineses no espaço até agora é de 33 dias.

"Em missões anteriores, enviamos água e oxigênio para o espaço junto com os astronautas. Mas, para uma estadia de três a seis meses, água e oxigênio ocuparia toda a nave de carga, sem espaço para outros bens e materiais necessários. Portanto, instalamos o módulo com um novo sistema de suporte de vida para reciclar urina, condensado do ar exalado (EBC) e dióxido de carbono", explicou Bai Linhou, vice-projetista-chefe da estação, na China Academy of Space Technology (CAST) em abril.

Bai Linhou enfatizou que o sistema de suporte de vida era um desafio. "Ele nunca foi usado em missões espaciais anteriores da China. O ambiente gravitacional diferente no espaço torna difícil aperfeiçoar a tecnologia terrestre".

A nave de carga Tianzhou-3 e a espaçonave tripulada Shenzhou-13 serão lançadas no final deste ano para atracar em Tianhe, e outros três astronautas iniciarão estadia de seis meses em órbita.

Para concluir a construção da estação, a China planeja seis lançamentos em 2022: dois módulos de laboratório, duas naves de carga e duas espaçonaves tripuladas.

A estação tem uma vida útil projetada de 10 anos, mas os engenheiros acreditam que pode durar mais de 15 anos com manutenção e reparos adequados, um cenário em que Tiangong poderá ser a única estação espacial operacional.

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