A meta da China de se tornar “um país rico e poderoso” até 2049, o 100º aniversário da fundação da República Popular da China, está em risco.

O Fundo Monetário Internacional declarou que a economia chinesa está “desequilibrada e o ímpeto está diminuindo”, com sua força de trabalho cada vez menor e produtividade em queda.

Esta evolução terá graves consequências. Os salários terão que subir à medida que a mão-de-obra encolher e os pagamentos aos planos de pensão diminuirão.

A taxa de natalidade em declínio também parece difícil de reverter, uma trajetória com profundas implicações para as perspectivas econômicas, sociais e militares do país.

De acordo com dados do Bureau Nacional de Estatísticas da China, divulgados no início desta semana, houve uma queda de 12% de nascimentos no ano passado em relação a 2020, com a taxa de natalidade caindo pelo quinto ano consecutivo

A população aumentou em 480.000 (0,034%) para 1,4126 bilhão de pessoas.

Apenas 43% dos nascimentos foram segundos filhos. Como um país precisa de uma média de 2,1 nascimentos por mãe para manter o tamanho de sua população, a taxa de 1,3 em 2020 sugere que a China pode ter atingido o pico populacional.

A maioria dos demógrafos acredita que essa trajetória é quase impossível de ser alterada. Os chineses mais jovens têm ideias sobre “a boa vida” e ter mais filhos não faz parte dessa visão.

As razões para a mudança da estrutura demográfica são conhecidas. À medida que a China se desenvolve, seus cidadãos têm uma vida melhor e melhores cuidados de saúde, permitindo-lhes viver mais. As famílias, e as mulheres em particular, são menos propensas a ter filhos. Há queixas sobre os custos da educação e moradia, o fardo desproporcional carregado pelas mulheres, bem como temores de que as mulheres percam oportunidades de promoção quando tiram licença maternidade.

Ainda mais impactante é a mudança na composição da população.

A parcela de pessoas em idade ativa com menos de 60 anos caiu de 70,1% há uma década para 63,3% em 2020. As pessoas com 65 anos ou mais agora representam 13,5% do total, contra 8,9%. O governo prevê uma perda de 35 milhões de trabalhadores nos próximos cinco anos e a parcela de pessoas em idade ativa pode atingir metade da população até 2050.

Fazendo da necessidade uma virtude, o governo da China divulgou em dezembro um plano nacional para aumentar a indústria de robótica do país e atualizar equipamentos e processos no setor manufatureiro. A automação objetiva melhorar a produtividade e ajudar a resolver os crescentes problemas demográficos. Não resolverá as questões de receita, nem impostos nem pagamentos de pensões.

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