"Os navios da marinha russa e chinesa completaram sua primeira missão de patrulha conjunta no Oceano Pacífico, cobrindo uma distância de mais de 1.700 milhas náuticas (cerca de 3.100 km) em uma semana", disse o Ministério da Defesa da Rússia neste sábado (23), de acordo com a imprensa russa.

A missão teve como objetivo manter a estabilidade na região do Pacífico e salvaguardar a infraestrutura marítima das duas nações, disse o ministério.

Os 10 navios de guerra chineses e russos conduziram uma circunavegação das ilhas do Japão depois da travessia do Estreito de Tsugaru, com 20 km de largura, entre as principais ilhas do país, Hokkaido e Honshu.

Tóquio reivindica apenas uma fronteira marítima de três milhas náuticas (5,5 km) em vez de 12 milhas náuticas (22 km) em ambos os lados do Estreito de Tsugaru. É uma herança da Guerra Fria, destinada a permitir a passagem de navios com armas nucleares dos EUA sem violar os "Princípios Não Nucleares" do Japão, que não permitem armas nucleares em seu território.

O exercício naval conjunto China-Rússia teve início em águas da Baía de Pedro, o Grande, na Rússia, na tarde de 14 de outubro, e se concentrou em assuntos de treinamento como comunicações, contramedidas de minas, defesa aérea, disparos contra alvos marítimos, manobras e missões anti-submarinas conjuntas.

Do lado chinês, participaram dois destróiers e duas fragatas, todos armados com mísseis guiados, um navio de suprimentos, um submarino e um navio de resgate. Os russos somaram ao comboio dois destróiers anti-submarino, duas corvetas multifuncionais de patrulha, um navio de monitoramento, um submarino, dois caça-minas e um rebocador, além de helicópteros anti-submarino.

Depois que a flotilha transitou pelo estreito de Tsugaru na segunda-feira (18), os navios navegaram para sudeste e foram vistos indo para o sul ao longo do leste do Japão na quarta-feira (20).

De acordo com o Estado-Maior Conjunto do Ministério da Defesa do Japão, em um comunicado à imprensa na sexta-feira (22), a frota combinada cruzou a passagem entre a Ilha Smith e a Ilha Torishima, cerca de 480 km ao sul da ilha principal de Honshu, na quinta-feira (21). Depois disso, os navios de guerra pareciam estar se dirigindo para o oeste, em direção ao Mar da China Oriental.

© Chris73/Wikimedia Commons

Se os navios entraram no Mar da China Oriental através do Estreito de Miyako ou Estreito de Osumi, a missão militar sino-russa efetivamente circunavegou o Japão.

Esta não seria a primeira vez. Durante o exercício naval China-Russia Joint Sea-2013, os navios de guerra chineses entraram no Mar do Japão para exercícios através do Estreito de Tsushima e, após as manobras, alguns navios participantes navegaram pelo Estreito de Soya no Oceano Pacífico, antes de retornar ao Mar da China Oriental a partir do Estreito de Miyako.

O primeiro exercício conjunto ocorreu em 2005. A localização desde então variou entre o Mar Amarelo, o Mar da China Oriental e o Mar do Japão. Apesar de terem sido cancelados no ano passado por causa da pandemia, eles têm sido realizados anualmente desde 2012.

A imprensa chinesa saudou a missão de patrulha conjunta como um contrapeso crucial à presença dos EUA e à "desestabilização" de Washington na região.

"A flotilha naval conjunta sino-russa que transitou pelo estreito de Tsugaru dias atrás, desde então navegou ao longo do lado leste da principal ilha do Japão ao sul, quase fazendo um círculo ao redor do país insular, em um movimento que especialistas chineses disseram na sexta-feira pode trazer equilíbrio para estabilidade regional em um momento em que os Estados Unidos, Japão e outras forças ocidentais vêm conspirando para desestabilizar a região da Ásia-Pacífico", escreveu o Global Times.

Shi Hong, editor-chefe da revista chinesa Shipborne Weapons, disse ao Global Times que a viagem, envolvendo alguns dos navios de guerra mais avançados e poderosos da China, também demonstrou confiança, já que a Marinha chinesa se desenvolveu rapidamente nos últimos anos.

As tensões têm aumentado no Pacífico, com os EUA cada vez mais preocupados com a crescente influência da China na região. Os americanos e seus aliados da OTAN têm enviado navios de guerra em missões de patrulha na área, apesar da China considerar esses movimentos provocativos e minando a estabilidade regional. Washington também tem apoiado ativamente a campanha pela independência da ilha chinesa de Taiwan.

Atualização 25/10/2021

Navios de guerra das marinhas russa e chinesa foram avistados ao largo da Prefeitura de Nagasaki no sábado (23). Foto: © Ministério da Defesa do Japão
Navios de guerra das marinhas russa e chinesa foram avistados ao largo da Prefeitura de Nagasaki no sábado (23). Foto: © Ministério da Defesa do Japão

Cinco navios da marinha russa entraram no Mar do Japão através do Estreito de Tsushima, disse o Ministério da Defesa do Japão nesta segunda-feira (25).

Os navios de guerra russos se separaram dos navios chineses ao largo de um grupo de ilhas em Nagasaki, no Mar da China Oriental, na manhã de sábado (23), de acordo com o Ministério.

A Força Marítima de Autodefesa avistou os navios russos navegando a cerca de 140 quilômetros a sudoeste de Tsushima, na Prefeitura de Nagasaki, na noite de sábado e mais tarde entraram no Mar do Japão.

Na manhã de domingo (24), um helicóptero foi visto decolando e pousando em uma fragata, um dos cinco navios russos, cerca de 60 km a nordeste de Tsushima.

O vice-secretário de gabinete, Yoshihiko Isozaki, disse que o governo está acompanhando os acontecimentos com "alto interesse".

“Continuaremos a realizar atividades de vigilância exaustivas nas águas e no espaço aéreo em torno do Japão”, disse Isozaki durante uma reunião regular.

Isozaki acrescentou que o Japão despachou jatos de combate da Força Aérea de Autodefesa depois que helicópteros de bordo das forças navais russas e chinesas sobrevoaram áreas próximas às Ilhas Izu e ao Mar da China Oriental.

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