Um porta-voz da embaixada chinesa em Londres foi citado pela agência de notícias Reuters, dizendo: "Os dias em que as decisões globais eram ditadas por um pequeno grupo de países já se foram".

"Sempre acreditamos que os países, grandes ou pequenos, fortes ou fracos, pobres ou ricos, são iguais e que os assuntos mundiais devem ser tratados por meio de consultas por todos os países".

O porta-voz acrescentou que "só há um sistema e uma ordem internacional no mundo, a que tem as Nações Unidas no seu núcleo", e só existe um conjunto de normas mundiais, as que estão baseadas nos princípios da Carta da ONU, "e não nas supostas regras formuladas por um pequeno número de países".

Pequim defende ainda que "só há um tipo de multilateralismo", aquele baseado na Carta da ONU e no Direito Internacional, frente ao "pseudomultilateralismo que serve os interesses de uma camarilha ou bloco político".

A reação chinesa acontece no momento em que a cúpula do G7 discute um plano de investimentos com o objetivo de conter o avanço da China.  O encontro de três dias ocorreu no resort de Carbis Bay, Cornwall, no sudoeste da Grã-Bretanha. A reunião começou na sexta-feira e terminou neste domingo (13).

Build Back Better World

Segundo a Casa Branca, os líderes do Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Canadá e Japão concordaram no sábado em lançar a iniciativa Build Back Better World (B3W), proposta pelos Estados Unidos.

Dirigido a países da América Latina, Caribe, África e Indo-Pacífico, o plano do G7 pretende ser uma alternativa mais atraente à iniciativa chinesa de melhora da ligação entre a Ásia e a Europa – a Belt and Road Initiative (BRI) ajuda a financiar trens, estradas e portos, mas recebe críticas por endividar alguns países além da capacidade de pagamento.

A proposta dos EUA visa mobilizar capital do setor privado para promover projetos em quatro áreas: clima, segurança sanitária, tecnologia digital e igualdade de genero, além de contar com investimentos de instituições financeiras.

O plano "ajuda a reduzir as necessidades em mais de 40 bilhões de dólares em infraestrutura de que necessita o mundo em desenvolvimento e isso foi agravado pela pandemia", disse em nota a Casa Branca.

O correspondente da BBC Rob Watson disse que os Estados Unidos estão tentando enquadrar o mundo pós-pandemia como uma luta entre democracias e autocracias.

Mas parece não haver consenso ainda entre os países do G7 sobre se a China é um parceiro, um concorrente ou uma ameaça à segurança, acrescentou Watson.

Leitura recomendada:

Veja também: