O maior jornal da China, People's Daily, informou que os casos subiram de 65, na quinta-feira, para 96 na manhã de sábado.

No final de novembro, uma equipe técnica do Instituto de Pesquisa Veterinária Lanzhou, da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, relatou que quatro estudantes eram sorologicamente positivos para brucelose.

Depois de receber o relatório, o Instituto de Pesquisa Veterinária Lanzhou imediatamente enviou pessoas para acompanhar os estudantes ao hospital para tratamento e, ao mesmo tempo, estabeleceu uma equipe de investigação para lacrar os laboratórios relacionados e conduzir investigações.

O  estudante Li Qiang (pseudônimo) disse a repórteres que, na última  semana ou duas, algumas pessoas na escola foram ao hospital para exames e descobriram que eram suspeitas de infecção por Brucella sp.  De acordo com Li Qiang, "de um grupo de 12 estudantes para verificar, 5 pessoas eram sorologicamente positivas".

Segundo Li Qiang, algumas pessoas envolvidas em experimentos com  animais foram ao hospital para exame, e a sorologia foi positiva.  Segundo Li Qiang, até onde ele sabe, alguns dos alunos que têm testes  sorológicos positivos não realizaram experimentos com animais.

Na sexta-feira, 263 pessoas no instituto haviam sido testadas, das quais 65, principalmente funcionários de laboratório, foram confirmadas como positivas pelo anticorpo pelo Centro Provincial de Gansu para Controle e Prevenção de Doenças.

Nenhum caso humano para humano foi relatado na China. Medidas de prevenção e controle nos principais locais do instituto foram implementadas e não representam uma nova ameaça para a população do entorno.

Brucelose

A brucelose é uma doença contagiosa dos animais que também afeta os seres humanos. O risco de transmissão entre humanos é muito baixo.

Os agentes etiológicos da brucelose humana são B. abortus (um patógeno de gado), B. melitensis (de cabras, ovelhas e camelos) e B. suis (de porcos). B. canis (de cães) causa infecções esporádicas. Geralmente, B. melitensis e B. suis são mais patogênicas do que outras Brucella sp.

As fontes mais comuns de infecção são animais de fazenda e produtos  lácteos crus.

Infecções por Brucella de cervo, bisão, cavalos, alce, caribu, lebres, galinhas e ratos do deserto também ocorrem.

A brucelose é adquirida por:

  • Contato direto com secreções e excreções de animais infectados
  • Ingestão de carne mal cozida, leite cru ou produtos lácteos contendo microrganismos viáveis
  • Inalação de material infeccioso aerossolizado
  • Raramente, transmissão de uma pessoa para outra

Mais prevalente em áreas rurais, a brucelose é uma doença  ocupacional de empacotadores de carne, veterinários, caçadores,  fazendeiros e produtores de gado e técnicos de laboratório de microbiologia – Brucella é altamente infecciosa na forma aerossolizada. É rara nos EUA, na Europa e no Canadá, mas casos ocorrem  no Oriente Médio, em regiões mediterrâneas, no México e na América  Central.

Como bem poucos organismos (talvez apenas 10 a 100) podem causar infecção por exposição a aerossois, a Brucella sp é um potencial agente de bioterrorismo.

Se alguém for infectado com Brucella, o período de incubação é de cerca de 2-3 semanas, embora possa demorar meses. Febre, suores noturnos, fortes dores de cabeça e dores no corpo e outros sintomas inespecíficos podem ocorrer.

Pacientes com brucelose aguda não complicada geralmente se recuperam em 2  a 3 semanas, até mesmo sem tratamento. Alguns evoluem para doença subaguda, intermitente ou crônica.

Complicações da brucelose são raras, mas incluem endocardite bacteriana subaguda, neurobrucelose (meningite aguda e crônica, encefalite e neurite), orquite, colecistite, supuração hepática e osteomielite (especialmente sacroilíaca ou vertebral).

A brucelose não tratada tem uma taxa de mortalidade de 5%.

Prevenção

A pasteurização do leite previne a brucelose. Queijo preparado com leite não pasteurizado produzido há menos de 3 meses pode estar contaminado.

Pessoas que controlam animais ou carcaças possivelmente  infectados devem usar óculos de proteção e luvas de borracha, protegendo  a pele lesionada contra a exposição. Programas para detectar a infecção  em animais, eliminar animais infectados e vacinar gado e suínos  soronegativos jovens são exigidos nos EUA e em vários outros países.

Não existe vacina humana; o uso de vacina de animais (uma  preparação viva atenuada) em seres humanos pode causar infecção. A  imunidade após a infecção humana é de pouca duração, aproximadamente  2 anos.

* Com informações do Beiqing Daily, Outbreak News Today, People's Daily e Manuais MSD