A embaixada chinesa na Rússia postou no sábado (26) uma imagem originalmente compartilhada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lijian Zhao, mostrando a "Turnê Mundial da Democracia" dos Estados Unidos.

"Nunca se esqueça de quem é a verdadeira ameaça ao mundo", destacou Zhao.
"Nunca se esqueça de quem é a verdadeira ameaça ao mundo", destacou Zhao.

Listando incidentes em que os EUA bombardearam ou invadiram outros países desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a imagem destaca que essas nações representavam "cerca de um terço da população da Terra".

A embaixada lembrou que entre os 248 conflitos armados ocorridos em 153 regiões do mundo de 1945 a 2001, 201 (80%) foram iniciados pelos Estados Unidos, acusando Washington de jogar gasolina no conflito na Ucrânia.

"Uma questão-chave aqui é qual o papel que os EUA, o culpado das tensões atuais em torno da Ucrânia, tem desempenhado. Se alguém continua derramando óleo sobre a chama enquanto acusa outros de não fazer o seu melhor para apagar o fogo, esse tipo de comportamento é claramente irresponsável e imoral", disse a embaixada chinesa em rede social.

No sábado, Zhao postou uma imagem listando "ataques a bomba, sabotagem, tentativa de mudança de regime" por Washington.

"A história não esquece". Zhao acompanhou o post com a hashtag #NeverForget
"A história não esquece". Zhao acompanhou o post com a hashtag #NeverForget

"A China tem o melhor registro sobre a questão da paz e da segurança. Nunca invadimos outros países, nunca nos envolvemos em guerras por procuração, nunca buscamos esferas de influência, ou participamos de confrontos de blocos militares", destacou Lijian Zhao em rede social em uma série de comentários.

"A China adere ao caminho do desenvolvimento pacífico e está comprometida em construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade".

"Continuaremos a opor-nos firmemente a todas as potências hegemônicas e salvaguardar firmemente os direitos e interesses legítimos do grande número de países em desenvolvimento, especialmente os países pequenos e médios".

"Como membro permanente do Conselho de Segurança e uma potência responsável, a China sempre cumpriu fielmente suas obrigações internacionais e desempenhou um papel construtivo na salvaguarda da paz e da estabilidade mundiais".

"Em vista disso, a China sempre desaprovou resoluções do Conselho de Segurança que invocam injustificadamente o Capítulo VII para autorizar o uso da força e das sanções".
"As ações tomadas pelo Conselho de Segurança devem esfriar as tensões em vez de adicionar combustível ao fogo, e devem ser propícias para promover uma solução diplomática em vez de agravar ainda mais a situação".

Lijian Zhao também postou a posição do Conselheiro de Estado e Ministro das Relações Exteriores Wang Yi, listando 5 pontos da China sobre a Ucrânia durante telefonemas com seus homólogos britânicos, da União Europeia e da França.

I. A China defende firmemente o respeito e a salvaguarda da soberania e integridade territorial de todos os países e cumprindo propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas. Esta posição tem sido consistente e clara. Aplica-se igualmente à questão da Ucrânia.

II. A China defende uma visão de segurança comum, abrangente e cooperativa e sustentável. Acredita que a segurança de um país não pode ser garantida em detrimento da segurança dos outros, nem a segurança regional pode ser garantida pelo fortalecimento ou até mesmo expansão de blocos militares.

III. A China sempre se preocupou com a evolução da questão da Ucrânia e a situação atual é algo que não queremos ver. É imprescindível que todas as partes mantenham a contenção necessária para evitar que a situação se deteriore ou até mesmo saia do controle.

As preocupações razoáveis de segurança de todos os países devem ser respeitadas. No contexto das cinco rodadas consecutivas de expansão da OTAN para o leste, as exigências legítimas de segurança da Rússia devem ser levadas a sério e devidamente tratadas.

IV. A China apoia e encoraja todos os esforços diplomáticos propícios à resolução pacífica da crise na Ucrânia. A China saúda a realização de diálogo direto e negociações entre Russia e Ucrânia o mais rápido possível.

As vidas e propriedades dos civis devem ser efetivamente salvaguardadas, e uma crise humanitária em larga escala deve ser evitada em particular.

V. A China acredita que o Conselho de Segurança da ONU deve desempenhar um papel construtivo na resolução da questão da Ucrânia, com a paz regional, a estabilidade e a segurança de todos os países como prioridade máxima.

A China também apoia o diálogo entre a UE e a Rússia sobre questões europeias de segurança em igualdade de condições e, eventualmente, leva a um mecanismo de segurança europeu equilibrado, eficaz e sustentável.

A evolução da questão da Ucrânia tem um contexto histórico complexo e especial. A Ucrânia deve tornar-se uma ponte entre East & West, e não deve ser reduzida à vanguarda do confronto entre as principais potências.

A China foi uma das três nações que se abstiveram da votação de uma resolução das Nações Unidas condenando a "agressão" da Rússia contra a Ucrânia depois de ter sido vetada pela Rússia. A resolução exigia a retirada imediata das tropas envolvidas na "operação militar especial" do Kremlin na Ucrânia.

Biden atinge novo recorde de baixa

O índice de aprovação do Presidente Joe Biden caiu para um novo nível recorde em nova pesquisa Washington Post-ABC News, com 37% dizendo que aprovam o trabalho que ele está fazendo e 55% dizendo que desaprovam.

Atualização 27/02/2022

A China disse no sábado (26) que as sanções ocidentais impostas à Rússia sobre sua operação militar na Ucrânia não resolverão a crise. Muitos países impuseram restrições abrangentes a Moscou, atingindo seus bancos, comércio e a maior companhia aérea.

O Ministro das Relações Exteriores Wang Yi fez seus comentários durante um telefonema com sua contraparte alemã, Annalena Baerbock.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores chinês, Wang disse que "a China não apoia o uso de sanções para resolver problemas, e ainda mais, se opõe a sanções unilaterais que não têm base no direito internacional".

"Há muito tempo está provado que as sanções não só falham em resolver os problemas [existentes], mas criam novos, resultando em efeitos 'perda-perda' na economia, e interfere no processo de solução política", acrescentou.

O diplomata argumentou que as "exigências legítimas de segurança" da Rússia sobre a expansão da OTAN para o leste "devem ser devidamente tratadas".

Moscou disse que busca garantias legalmente vinculativas de que a OTAN nunca aceitará a Ucrânia como um Estado-membro e retirará suas tropas da Europa Oriental – exigências que o bloco militar liderado pelos EUA rejeita.

Em 2014, o governo democraticamente eleito da Ucrânia, alinhado com a Rússia, foi derrubado por um golpe de estado urdido pela administração Obama/Biden.

O precedente para o reconhecimento russo das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk foi estabelecido pelos EUA, quando desvinculou o Kosovo da então Iugoslávia, e reconheceu sua Declaração Universal de Independência alguns anos depois. O bombardeio da OTAN de 1999 contra a Iugoslávia foi onde os EUA descartaram o direito internacional. A liberdade albanesa do domínio sérvio no Kosovo agora custa a perda da Crimeia e do Donbass para a Rússia.

Not one inch eastward

A famosa garantia "not one inch eastward" (nem uma polegada para o leste) do Secretário de Estado dos EUA, James Baker, sobre a expansão da OTAN em seu encontro com o líder soviético Mikhail Gorbachev em 9 de fevereiro de 1990, foi parte de uma conjunto de garantias sobre a segurança soviética dadas por líderes ocidentais a Gorbachev e outras autoridades soviéticas durante todo o processo de unificação alemã em 1990 e em 1991, de acordo com documentos desclassificados dos EUA, União Soviética, Alemanha, Grã-Bretanha e França postados em dezembro de 2017 pelo Arquivo de Segurança Nacional da Universidade George Washington.

Os documentos reforçam as críticas do ex-diretor da CIA Robert Gates de “avançar com a expansão da OTAN para o leste [na década de 1990], quando Gorbachev e outros foram levados a acreditar que isso não aconteceria”.

A frase-chave, reforçada pelos documentos, é “levado a crer”.

A expansão da OTAN para a fronteira russa e a ameaça de oferecer adesão à Ucrânia são profundamente e genuinamente ameaçadoras não apenas para Putin, mas para todos os russos, aviso emanado por anos por altas autoridades dos EUA, incluindo o atual diretor da CIA William Burns, e estudiosos de todo o espectro político.

Jeff Rogg, historiador da inteligência dos EUA e professor assistente do Departamento de Estudos de Inteligência e Segurança do Citadel, escreveu no LA Times esta semana que a CIA já estava treinando, financiando e armando uma insurgência ucraniana, especulando que o modelo pode ser o apoio da CIA à insurgência mujahideen no Afeganistão, que se transformou em Al Qaeda, com o objetivo de "enfraquecer a Rússia ao longo de uma longa insurgência que, sem dúvida, custará tantas vidas ucranianas quanto vidas russas, se não mais".

Em resposta ao avanço da OTAN (em azul), em setembro de 2018 a Rússia mobilizou 300 mil soldados e contingentes da China e da Mongólia no maior exercício militar desde 1981.
Em resposta ao avanço da OTAN (em azul), em setembro de 2018 a Rússia mobilizou 300 mil soldados e contingentes da China e da Mongólia no maior exercício militar desde 1981.

Atualização 05/03/2022

Os Estados Unidos aumentaram drasticamente seus embarques de ajuda militar letal para a Ucrânia meses antes da incursão russa, de acordo com documentos desclassificados de transferências e vendas acessados pelo The Washington Post.

Já em dezembro, o Pentágono estava equipando combatentes ucranianos com armas e equipamentos para guerra urbana. Na última semana, o governo Biden intensificou os embarques, enviando pela primeira vez sistemas de mísseis antiaéreos Stinger e aumentando o fornecimento de mísseis antitanque Javelin e outras munições.

A lista ilustra a grande extensão em que o governo Biden "procurou preparar os militares ucranianos para travar uma guerra híbrida contra a Rússia", destacou o Washington Post.

A entrega de armas a Kiev é "um processo contínuo. Estamos sempre, sempre olhando para o que a Ucrânia precisa, e estamos fazendo isso há anos", de acordo com um alto funcionário de defesa dos EUA citado pelo jornal.

Após a incursão russa, "acabamos de acelerar nosso processo de identificação de requisitos e aceleramos nossas consultas também com os ucranianos, conversando com eles diariamente, em oposição às reuniões periódicas que fizemos antes desta crise", explicou.

Cerca de US$ 240 milhões dos US$ 350 milhões em ajuda letal que haviam sido aprovados no final de fevereiro já foram fornecidos à Ucrânia. O valor se soma a cerca de US$ 200 milhões em assistência militar que Washington lançou para a Ucrânia em dezembro, enviando lançadores de foguetes M141, escopetas M500, lançadores de granadas Mk-19, miniarmas M134 e outros equipamentos para o país.

Existem ainda relatos de entrada de mercenários na Ucrânia via países da OTAN.

Como Voldymyr Zelensky pode estar concluindo com seu ataque à Otan por se afastar do conflito, há uma percepção que o Ocidente é pelo menos parcialmente responsável pela situação atual da Ucrânia. Forneceu conselheiros, treinamentos e armas, tudo pelas especificações da OTAN – então todos os estrangeiros fugiram do país quando a Rússia respondeu.

Biden e governos ocidentais enviarão mais armas e, de longe, se dirão maravilhados com a coragem da Ucrânia, mas não haverá aviões e nem tropas da OTAN. A Ucrânia luta sozinha e acabará em cinzas e com centenas de milhares de mortos se o conflito continuar.

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