A administração Biden disse que a autorização depende apenas do presidente venezuelano Nicolás Maduro tomar medidas políticas adicionais.

Washington reiniciou discretamente o compromisso diplomático com a Venezuela, um aliado próximo da Rússia, no início deste mês. Na semana passada, Maduro libertou dois americanos presos, e Washington insistiu que outros também fossem libertados. Maduro expressou a vontade de retomar o diálogo com a oposição depois de suspender as negociações no México em outubro. As autoridades americanas querem um compromisso firme em discutir eleições livres.

A Chevron pretende começar a transferir petróleo pesado venezuelano para refinarias dos EUA já no próximo mês, uma vez que as importações americanas de petróleo russo sob contratos existentes poderão ser recebidas até 22 de abril.

Cerca de 672.000 barris por dia (bpd) de petróleo e produtos refinados vieram da Rússia no ano passado, disse ao Wall Street Journal (WSJ) Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates em Houston, representando 8% das importações dos EUA.

O óleo bruto, cerca de apenas 200 mil bpd, representa 3% das compras americanas e alimenta refinarias que precisam de diferentes graus de petróleo, com maior teor de enxofre.

Nos últimos anos, o petróleo russo preencheu parte da lacuna criada pelas sanções à Venezuela e ao Irã, que prejudicaram o fluxo de tipos similares de petróleo desses países para refinarias na Costa do Golfo e de outras regiões americanas.

A Venezuela possui reservas provadas que somam 300,9 bilhões de barris de petróleo, 18% do total mundial, mas a maior parte do óleo é do tipo pesado.

Não está claro a rapidez com que o produto venezuelano poderá chegar ao mercado. A Chevron reduziu consideravelmente sua presença na Venezuela depois que Washington endureceu as sanções contra o país, em 2020.

A Chevron realizou conversações paralelas com a PDVSA para expandir a governança de suas joint ventures.

Qualquer acordo provavelmente será temporário, a menos que a Venezuela promova reformas em sua legislação petrolífera, que exige que a PDVSA seja a parte majoritária em qualquer joint venture.

Enquanto o atual presidente da PDVSA, Asdrubal Chavez, apoia um papel operacional expandido para a Chevron, alguns altos funcionários venezuelanos resistem à mudança.

No domingo (13), o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, disse à NBC que qualquer alívio de sanções para a Venezuela deve estar ligado a "medidas concretas" por Maduro.

O governo Biden não havia feito da Venezuela uma prioridade de política externa. Isso mudou quando os produtores do Oriente Médio e dos EUA não aumentaram seus embarques quando solicitados pela Casa Branca, após a crise da Ucrânia.

Republicanos do Congresso, e até alguns dos colegas Democratas de Biden, como o Senador Bob Menendez, se opuseram a qualquer acordo que beneficie Maduro.

Washington condenou a reeleição de Maduro em 2018 como uma farsa.

Atualização 04/04/2022

Os Estados Unidos aumentaram suas compras de petróleo russo em 43% entre 19 e 25 de março, de acordo com dados da Administração de Informações sobre Energia (EIA). Apesar da proibição da Casa Branca de importações de energia da Rússia, os EUA continuam a comprar até 100.000 barris de petróleo russo por dia.

Veja também: