"Se você olhar para a expansão da capacidade de produção em toda a indústria nos últimos seis meses, doses suficientes devem estar disponíveis até meados do próximo ano para que todos neste planeta possam ser vacinados. Doses de reforço também devem ser possíveis na medida necessária", disse Bancel ao jornal suíço Neue Zuercher Zeitung, em entrevista a Giorgio V. Müller.

Segundo Bancel, aqueles sem imunidade vacinal se imunizarão naturalmente.

“Aqueles que não forem vacinados se imunizarão naturalmente porque a variante Delta é muito contagiosa. Dessa forma, acabaremos em uma situação semelhante à da gripe. Você pode se vacinar e ter um bom inverno. Ou você não se vacina e corre o risco de ficar doente e possivelmente até acabar no hospital", disse o CEO da Moderna Therapeutics.

Questionado se isso significa um retorno à normalidade no segundo semestre do próximo ano, ele disse: "A partir de hoje, daqui a um ano, presumo".

O executivo espera revacinações a cada três anos para os mais jovens e todos os anos para os mais velhos.

Bancel disse que as pessoas nos grupos de risco vacinadas no começo do ano “sem dúvida” precisam de uma dose de reforço.

O governo de Israel foi o primeiro a oferecer doses de reforço para todos os cidadãos com 12 anos ou mais. No entanto, o país não está usando a vacina da Moderna, mas a da concorrente Pfizer.

Pesquisas sugerem que a vacina mRNA da Moderna oferece proteção mais duradoura contra a hospitalização comparada ao imunizante da Pfizer.

O estudo Comparative Effectiveness of Moderna, Pfizer-BioNTech, and Janssen (Johnson & Johnson) Vaccines in Preventing COVID-19 Hospitalizations Among Adults Without Immunocompromising Conditions — United States, March–August 2021, divulgado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos na semana passada, mostrou que a proteção da Pfizer caiu de 91% entre 14 e 120 dias após a vacinação para 77% mais de 120 dias após a vacinação. Em contrapartida, Moderna caiu de 93% para 92%.

As razões para a diferença não são claras, mas pode ser porque os níveis de dosagem da Moderna são mais altos – 100 microgramas contra 30.

A dose de reforço da Moderna foi reduzida para metade da dose original, porém foi mantida a formulação, porque não houve tempo para completar os ensaios de uma vacina adaptada especificamente para combater a variante Delta.

“O volume de vacina é o maior fator limitante. Com metade da dose, teríamos 3 bilhões de doses disponíveis em todo o mundo para o próximo ano, em vez de apenas 2 bilhões”, explicou o CEO da Moderna.

“Atualmente, estamos testando variantes otimizadas para Delta em ensaios clínicos”, disse Bancel. “Elas formarão a base para a vacinação de reforço para 2022. Também estamos testando Delta mais Beta, a próxima mutação que os cientistas acreditam ser provável”.

* Com informações da Reuters, AFP, Times of Israel

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