O movimento modernista vocalizou de maneira programática, com alarde exibicionista e provocador, questões que estavam em ebulição. São exemplos dessas questões a quebra dos tabus estéticos da representação da natureza, da linearidade sintática, da poesia metrificada, da consonância tonal em música.

As rupturas nas artes brasileiras ao longo de cem anos não se limitaram à literatura, às artes plásticas e à música erudita, alcançando outros aspectos da vida cultural representados na exibição Cem Anos Modernos.

Elas se materializam, por exemplo, na foto do cantor Roberto Carlos recebendo um troféu do apresentador Chacrinha – o famoso “Troféu Abacaxi”.

A proposta da mostra é apresentar a Semana de 1922 sob a perspectiva de abertura de portas para a modernidade.

Cada pessoa que entrar no espaço construirá sua própria saída, passando por diferentes salas, cada uma levando a novas galerias, até a chegada ao presente.

O MIS Jardim Europa, assim, se transforma em um labirinto de portas, que podem ser de um armário, geladeira, cadeia, giratória, pantográfica, virtual, que priorizam a vocação do museu, oferecendo música e projeções audiovisuais.

“Toda a história dessa exposição é sobre você se descobrir dentro desse labirinto. Duas pessoas não viverão a mesma exposição”, explica o curador Marcello Dantas.

Entre as rupturas que marcariam a linguagem artística do século 20 que o público pode conferir, dependendo do caminho que trilhar, estão, por exemplo, Galo ou Abacaxi, pintura de Cícero Dias de 1940 em que o animal e a fruta se confundem numa tela amarela; o filme Limite, de Mário Peixoto; e o projeto e imagens das máscaras que Flávio de Carvalho imaginou para O Bailado do Deus Morto, de 1933, bem como o desenho e a fotografia de seu Passeio de Saia, de 1956. Numa sala do labirinto, o visitante assiste cenas de Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade.

Nem todas as portas levam a proposições positivas – uma delas acessa a sala do integralismo, a versão verde-amarela do fascismo. A ideia é tratar dos aspectos autoritários que também entraram pela porta da modernidade.

“A Semana de 1922 foi uma espécie de bomba de efeito retardado. Sem ser propriamente um espetáculo, ela explodiu aos poucos, revelando toda uma cultura brasileira que até então estava fora do circuito dominante”, define Marcello Dantas.

Integram a exposição artistas que fizeram a cultura brasileira nos últimos cem anos, alguns deles contemporâneos como Elza Soares, Denise Stoklos, Emicida, Denilson Baniwa e Anitta, incluindo também trabalhos de Glauber Rocha, Ariano Suassuna e José Celso Martinez Corrêa.

Museu da Imagem e do Som (MIS)
Cem Anos Modernos
Classificação etária: livre
Data:  2 de junho a 28 de agosto de 2022
Sessões: das 11h às 19h
Duração: 30 minutos
Endereço: Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo/SP
Ingressos: R$ 30 | R$ 15 (meia-entrada)
Entrada gratuita: terça-feiras, das 11h às 19h. Retirar ingresso na bilheteria do museu ou online. Sujeito a lotação.