Atualmente, todos os carros vindos de países sem acordo comercial com o Brasil pagam 35% de imposto de importação.

Apesar de os termos preverem um prazo de 15 anos para zerar a  taxa,  os governos sul-americanos concordaram em baixar imediatamente o porcentual para uma cota de veículos. Quando o acordo com a União Europeia começar a valer, a alíquota de 35%  será reduzida à metade para um montante anual de 50 mil carros. Esse volume vale para todo o bloco sul-americano, por 7 anos --  prazo pedido pelas montadoras.

O Brasil  poderá importar anualmente até 32 mil carros com desconto, a mesma quantidade importada  pelo Brasil no ano  passado.

"Não será uma abertura descontrolada.  Acreditamos que  preservamos o setor automotivo nacional ao mesmo tempo  em que  conseguimos abrir o mercado”, afirmou o subsecretário de  Negociações  Internacionais da Secretaria de Comércio Exterior, Alexandre  Lobo.

Veículos  que ultrapassarem a cota continuariam pagando 35%  por sete anos após o início do acordo. Depois, as tarifas cairiam  gradualmente chegando a  17,5% em dez anos e a zero em 15 anos. Já as  autopeças não terão  carência e a maior parte delas deve chegar à taxa  zero nos primeiros  dez anos do acordo

Em 2018, o Brasil comprou US$ 660 milhões em veículos da UE, apenas 15% dos US$ 4 bilhões despendidos em automóveis importados naquele ano.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa) e também da Kia Motors, José Luiz Gandini, o desejo do ministro da Economia, Paulo  Guedes, é reduzir o imposto de importação para veículos dos atuais 35% –  alíquota máxima permitida pela Organização Mundial do Comércio (OMC) –  para 20% até o fim do mandato do presidente Jair Bolsonaro.

No primeiro semestre de 2019, os novos emplacamentos de veiculos importados somaram 16 mil unidades, queda de 10% sobre igual período do ano passado.

O recorde do mercado de importados aconteceu em 2011, quando as vendas atingiram 200 mil veículos, desempenho liderado pela Kia Motors, que vendeu 80 mil unidades naquele ano. No primeiro semestre de 2019, a montadora asiática vendeu 4,6 mil veículos.

A União Europeia tem PIB nominal de US$ 19 trilhões e população de 510 milhões de habitantes. O Mercosul tem PIB nominal de US$ 2,5 trilhões e 265 milhões de habitantes, com PIBs per capita de US$ 36,5 mil e US$ 9.400, respectivamente.

* Com informações do jornal O Estado de São Paulo, Delfim Netto, e revista Exame.