As microcápsulas têm cerca de 2,5 milímetros de diâmetro. O fertilizante é liberado gradualmente através do revestimento de resina sintética. O mecanismo elimina a necessidade de aplicar fertilizantes repetidamente durante o cultivo.

Desenvolvida na década de 1970, em antecipação ao envelhecimento dos agricultores, a cápsula agora é usada em cerca de 60% dos arrozais em todo o Japão.

No artigo Accumulation of microcapsules derived from coated fertilizer in paddy fields, publicado na revista científica Chemosphere em março de 2021, os autores apontam que após a difusão dos componentes de fertilizantes, as microcápsulas são encontradas em grandes quantidades, não apenas em terras agrícolas, mas também ao longo da costa do Japão.

Ainda no início dos anos 2000, um grupo de cidadãos descobriu as esferas plásticas enquanto limpava lixo marinho.

Após saberem da questão, os fabricantes trabalharam para reduzir a quantidade de plástico utilizado e colocaram um aviso na embalagem que pede a instalação de redes em pontos de drenagem.

No entanto, o governo japonês diz que "os agricultores não estão suficientemente cientes de que plásticos são usados nos fertilizantes". Dada a época do ano, "alguns agricultores confundem as microcápsulas vazias com ovos de sapo".

As pequenas esferas plásticas correm o maior risco de fluírem para fora dos campos durante o trabalho para nivelar o solo, enchendo campos com água antes do plantio de mudas de arroz.

Segundo o Japan Times, citando estimativa da empresa ambiental Pirika, cerca de 160 toneladas de microplásticos de 5 milímetros ou menores são lançados por ano no oceano no Japão , com cápsulas de fertilizantes representando 15% do total.

Os agricultores que há muito utilizam a praticidade das cápsulas dizem que "será difícil se elas não puderem ser usadas" e que "será necessário trabalho adicional".

O uso de pequenos drones para espalhar fertilizantes é uma opção que diminuiria a carga de trabalho, mas não é considerado viável devido ao seu alto custo.

A indústria está acelerando a pesquisa de microcápsulas biodegradáveis, que seriam convertidas por microrganismos em dióxido de carbono e água.

No entanto, é difícil uma cápsula se decompor e simultaneamente liberar gradualmente o fertilizante que contém.

Neste ponto, o desenvolvimento bem sucedido de uma cápsula alternativa viável para fertilizantes ainda não está no horizonte.

* Com informações do Japan Times

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